“Criação da Burguesia”

No meio do arrazoado do Bruno, que me escuso a comentar, percebe-se o que leva a CGTP a defender que “os culpados da violência e dos assassinatos, alguns já presos, têm de ser condenados”Afinal, o sindicato que dirigiu a greve dos mineiros de Marikana é “uma criação da burguesia para dividir os mineiros”Imagino que a consequência lógica do raciocínio é que os selvagens grevistas tiveram o que mereceram, sendo que os sobreviventes não esperam pela demora.

Seria pertinente que, com a mesma clareza face à caracterização dos provocadores oportunistas que interpretam a luta nas minas sul-africanas, o Bruno tivesse a candura de responder às perguntas colocadas pelo Waldo.

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25 respostas a “Criação da Burguesia”

  1. JÊPÊ diz:

    Desculpa, era só para avisar que afinal respondes ao post do Bruno Carvalho!
    E voltas a raciocinar em meias palavras para ver se as tuas ideias se tornam palavras inteiras.

    desculpa, assim como tu, afinal era para mais coisas.
    Afinal, que interesse tem a CGTP-IN em que se matem trabalhadores? Se a CGTP-IN é tão má porque continua a fazer manifestações e não se cala como os do 12 de Março? Porque é que o MSE continua a ser a fraca chicha de gente que é e não cresce? Porque o céu é azul e não encarnado? Porque o Benfica não consegue arranjar um defesa esquerdo a sério? Porque é que és social-democrata?

    • Renato Teixeira diz:

      Naturalmente que respondo, e até me dou ao luxo de o fazer sobre o tema em debate. Não quer experimentar fazer o mesmo?

    • Rascunho diz:

      “Se a CGTP-IN é tão má porque continua a fazer manifestações e não se cala como os do “12 de Março”? ”

      Esta é uma boa questão – não queres explicar porquê?

      Porque é que fizeram com que um movimento genuíno, o que não implica que partisse de uma organização genuína, se eclipsasse?

      • Renato Teixeira diz:

        Luís, a crítica é justa, e por isso mesmo muitos activistas seguiram o seu caminho noutras plataforma (15O, Indignados, Primaveral Global, MSE, etc). A responsabilidade do que se passa e passou com o M12M deve perguntar a quem de direito, alguns deles escribas nesta tasca.

        • Rascunho diz:

          Renato, ainda que esteja distante de todos esses movimentos (sou dependente da independência), não apreciei as constantes convocações para “manifs”, “flashmobs”, etc., que, no meu entender, apenas tiveram um propósito: banalizar, saturar e dissuadir, futuras concentrações/adesões com real expressão… A dada altura, exagero à parte, até parecia haver mais “manifs” que dias…

          • Renato Teixeira diz:

            Novamente uma crítica justa. O movimento é jovem e saberá crescer aprendendo com os seus erros. De resto, toca num dos pontos mais sensíveis – a diversificação e necessário aumento de combatividade das formas de luta é o debate mais urgente com que todo o movimento se depara. Não vejo que outra via pode mudar o sentido da mobilização.

  2. M. diz:

    Renato, li o artigo do Bruno Carvalho ao qual se reporta o teu. Não consigo sequer seguir a tua linha de raciocínio de forma lógica. Estamos a falar do mesmo artigo ao qual as ligações correspondem ou é de outro artigo ao qual não tive acesso que se trata?
    Só posso assumir que se tratam de textos diferentes porque de outra forma só te retira crédito fazeres deduções sem qualquer tipo de lógica num artigo que pode ser consultado por todos.
    É que todas as conclusões que tiras são abusivas e sem qualquer fundamentação no que foi escrito!!!

    • Renato Teixeira diz:

      Os links estavam trocados. Trata-se do post do Bruno imediatamente antes deste. Obrigado pelo alerta.

  3. Rocha diz:

    O Renato e o Waldo estão muito bem informados, os meios de comunicação da Burguesia são de absoluta fiabilidade. As pesquisas no google são o meio mais sofisticado para apurar a verdade e os factos. Infalível!

    Ao bom estilo da NATO-G8 a verdade está servida, como na Síria, na Líbia, Kosovo e Jugoslávia. A rigorosa investigação de Renato Teixeira, recorda o infalível Tribunal Penal Internacional de Haia, para apurar a verdade Renato foi eleito polícia, juiz e carrasco.

    A verdade está servida: o sindicato NUM condenado por assassinato, o sindicato AMCU eleitos como vítimas e abnegados mártires da revolução.

    Provas do magnifico espírito revolucionário de ACMU: quando os sindicatos burocratizados não resolvem os seus problemas, os trabalhadores procuram alternativas…. (vamos reflectir um bocado no vazio desta afirmação…. pronto já está!)

    Como nos anos 30, com os camisas castanhas, camisas negras, camisas verdes, camisas azuis e etc…. os trabalhadores procuram alternativas. Como na UGT nos anos 70 os trabalhadores procuram alternativas…. a natureza dessas alternativas ou a sua promiscuidade com o patronato são irrelevantes…. os trabalhadores procuram alternativas… matar companheiros de trabalho numa disputa sindical passa a ser admissível.

    A AMCU, abençoada pela Mining Weekly (porta-voz da Burguesia mineradora sul-africana) é descrita paternalmente como “não-comunista e apolítica” – segundo citação dos seus próprios dirigentes. Os seus dirigentes dizem que não gostam da cor vermelha da NUM e que preferem a cor verde “de vida” (ou será verde de dinheiro?).

    Mas não percamos tempo com meros detalhes… os trabalhadores procuram alternativas… a infalibilidade das centrais de informação das internacionais trotsquistas estão validadas (pelas pesquisas no google pois claro).

  4. Dédé diz:

    O Renato passou-se de vez!
    Então os culpados dos assassinatos não devem ser julgados e condenados? Condecoram-se os epolicias que assassinaram os 34 e promovem-se a “heróis da liberdade”, os que anteriormente tinham assassinado 10 mineiros?
    O Bruno diz que o NUM acusa o AMCU de ser uma criação da burguesia. Como é que o Renato sabe que não é? Esteve lá? Alguem lhe garantiu que não é? Ou está a fazer-se esquecido que uma das taticas da burguesia para dividir os trabalhadores é criar organizações paralelas? Nunca ouviu falar em sindicatos amarelos?

    • Renato Teixeira diz:

      O Comunicado fala em violência, não em assassinatos. Sobre essa alegação, curiosamente, não houve nenhum comunicado.

      Relativamente à cor dos sindicatos, as suas acções falam por si. Não lhe parece estranho o NUM nada fazer neste processo de luta? Não lhe parece haver muito pouca razão em defender um sindicato que tem um director, Frans Balena, receba 105 mil rands mensais (ao redor de 13 mil dólares)?

      • Zuruspa diz:

        AH, “assassinato” näo é violência. Fiquei esclarecido.

      • Dédé diz:

        Fantaástico, Renato, fantástico, essa do ordenado, sei lá se é isso que dizes que o homem ganha, nem sequer a Thatcher se lembrou de utilizar contra Arthur Scargill, presidente doutro NUM mais próximo de nós.

  5. João Pedro diz:

    Penso que o Bruno e o Rocha, entre outros, têm razão.

  6. JÊPÊ diz:

    Enquanto tu te engasgas no veneno, quem tu odeias está a mobilizar para a luta dos trabalhadores!
    http://cgtp.pt//index.php?option=com_content&task=view&id=2793&Itemid=1
    Tiro desta frase a conclusão obvia: Tu odeias os trabalhadores e a sua luta!

  7. Oui diz:

    Fosca-se!Se são trotskistas,muito fraquinhos vocês são!A UGT é uma organização dos trabalhadores ,MAS,amarelos!Tropa de choque da burguesia,Renato.

    • Renato Teixeira diz:

      E onde é que se diz o contrário?

      Apesar disso, porque tem insistido a CGTP no diálogo com esses amarelos?

      Não lhe parece que, ao demarcar-se do processo concreto da luta dos mineiros, a NUM é uma espécie de UGT lá do sítio?

  8. miguel dias diz:

    Tem juízo.

  9. anonimo diz:

    Lamento dizer isto ,mas a visibilidade da cgtp ve-se nas manifestaçoes.A vida sindical é uma pasmaceira e os sindicalistas ´so aparecem nas empresas quando elas estão a encerrar para aparecerem nas camaras de tvs.Os sindicatos deviam exigir das entidades patronais e das CTS informaçoes periodicas sobre a situação da empresa,para poder denunciar antecipadamente o que se passa e preparar os trabalhadores para outras alternativas.sugiro_vos que junto dos grupos parlamentares lhes soliticitem uma analise da vida nas empresas, para atribuiçao de novas competencias para as CTS. A vida nas empresas é um inferno para muita gente mesmo nas empresas publicas . é um mundo aparte em termos de relaçoes humanas. patrao e empregado e chefias, numa boa parte dos casos fazem uma mistura explosiva.quem trabalha oito ou mais horas tem que sair ao fim do dia contente com o que fez ,e com o respeito com que foi tratado.infelizmente a realidade não é essa. trabalhei numa grande empresa publica onde as relaçoes foram-se degradando ao longo dos anos.imaginem no privado. Quem tivesse coluna vertebral estava fod… Termino com uma saudação aos sindicalistas e funcionarios do sindicato (muito mal pagos ) delegados sindicais e todos os membros das cts que ainda tem coragem para lá estar nos tempos que correm.O patronato não entende que um boa relação com a ct e delegado sindical é benefico para o ambiente na empresa.podem resolver-se conflitos e até conseguir-se maior produtividade com um ambiente saudavel.Espero que as novas geraçoes de empresarios não sejam piores do que os pais. Um maior poder dentro da empresa é urgente para o interesse de todos.

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