Olimpicando

Para Portugal, a melhor notícia dos Jogos Olímpicos de Londres é a renúncia de Vicente Moura ao cargo de presidente do Comité Olímpico. Há quase 30 anos com elevadas responsabilidades no olimpismo nacional – foi chefe de missão nos JO 1984 e presidente do COP desde 1990 (com cinco anos de interrupção) –, Moura quis deixar claro, no fim destes Jogos, que o modelo de organização desportiva que preconiza é semelhante ao de quando era jovem. Como linhas gerais aventou a recuperação da Mocidade Portuguesa e a integração de 10/11 atletas “africanos” que queiram “vir para a Europa”. Ignoremo-lo olimpicamente.
Portugal tem um problema central na organização do desporto e esse problema está na escola. A sucessiva ridicularização do desporto escolar, em que o actual governo persiste despedindo professores e diminuindo a carga horária, e a difícil compatibilização entre uma actividade desportiva de alta competição num clube e o calendário escolar fazem com que os potenciais atletas, a partir dos 12-14 anos, passem – entre escola, treino e trajectos – a totalidade do tempo em que estão acordados num esforço hercúleo tantas vezes equiparável ao de um operário fabril durante a Revolução Industrial.
Se, por um lado, as disciplinas de educação física devem permanecer universais, enraizando culturalmente o papel da actividade física no bem-estar e na vida de qualquer cidadão, não será chegada a hora de se pensar em transpor para o desporto a ideia de escolas de ensino especializado, como nas artes ou na música?
Uma coisa é certa, mantendo-se a mesma política desportiva e os mesmos actores, os actuais e futuros sucessos desportivos nos JO do Rio de Janeiro serão exclusivamente o produto do trabalho de atletas e treinadores com alguns apoios e ajudas de clubes e autarquias.

Hoje no i

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