Basta ser sério

Não é preciso ser de esquerda e muito menos revolucionário, basta ser sério. Compare-se esta notícia da Associated Press e do NY Times de hoje sobre o massacre – que fala das condições das minas, de um estudo internacional que denuncia em particular os acidentes naquelas minas de Lonmin onde ocorreu o massacre, das divisões no seio dos sindicatos (um dos sindicatos apoiou a repressão mas ainda não se sabe de que forma ou com que alcance, facto que também é referido aqui) da luta das mulheres, das divisões no ANC pela nacionalização das minas, compare-se tudo isto com a nossa imprensa. A imprensa portuguesa já desceu à categoria de esgoto há muito tempo, evolução que foi acompanhada pela despedimento e «prateleiras» dos nossos melhores jornalistas.

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3 respostas a Basta ser sério

  1. TC diz:

    Ao contrário dos restantes posts, neste concordo inteiramente consigo. Sinceramente deveria ser um ponto em que a comunidade internacional deveria questionar as diversas partes governamentais e empresariais. Deveria haver maior controlo sobre estes problemas e se necessário recorrer a sanções internacionais como as que são praticadas com o Irão (esta comparação nada tem a ver com os países em si, mas sim com o diferente tratamento dado pela comunidade internacional).

  2. Olá Raquel,

    Ainda sobre o tema “A imprensa portuguesa já desceu à categoria de esgoto” tens o Publico a escrever sobre o caso Assange “para que responda em tribunal por acusações de violação sexual” (http://www.publico.pt/Mundo/suecia-rejeita-acusacoes-do-equador-sobre-assange_1559250) o DN “Assange é acusado de abuso sexual e violação de duas mulheres na Suécia” (http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2723681&seccao=Europa), e o Guardian “Since he is not charged with any crime, and the Swedish government has no legitimate reason to bring him to Sweden, this by itself is a form of persecution.”

    Independentemente de se gostar ou não da personagem, não deixa de ser um sintoma da deturpação ignorante das noticias que nos são dadas a ler.

  3. Rascunho diz:

    “A imprensa portuguesa já desceu à categoria de esgoto há muito tempo, evolução que foi acompanhada pelo despedimento (e «prateleiras») dos nossos melhores jornalistas.”

    Já o disse por outras palavras. Ainda assim, entendi que não devia deixar de subscrever as tuas. Aliás, não é por acaso que quando digo “mais”, no sentido de divulgação por parte da imprensa, coloco comas – porque, no fundo, não acrescentam nada, bem pelo contrário…

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