Tempos e cores

A polícia anti-motim da África do Sul disparou com metralhadoras sobre grevistas da mina de platina Lonmin em Marikana, uma das maiores do mundo e situada a cerca de 100 kilómetros de Joanesburgo.
Um repórter sul-africano presente no local contou 18 cadáveres, em resultado desses disparos.
Confrontos anteriores ocorridos durante a greve contabilizavam já 10 mortos, desde o início da semana.

Esta notícia não é de 16 de Agosto de 1992, nem de 1982, nem de 1972. É de hoje.
Mas, como diz Nic Borain, só nos tempos do apartheid se podem encontrar paralelos com uma actuação policial e estatal como esta.
É claro que,  agora, os polícias são bastante mais escuros e os que neles mandam também. Tal como são mais escuros muitos dos muito ricos da África do Sul.

O que, imagino, descansará muito boa gente.
E levará mesmo alguns a milagres de malabarismo, para justificarem acontecimentos como este.
Poderão, até, juntar-se às preocupações da pobre empresa mineira, que se queixa amargamente da quantidade de platina e lucros que está a perder com a greve

(publicado esta tarde no Antropocoiso; mais informações aqui e aqui)
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11 respostas a Tempos e cores

  1. xatoo diz:

    e como sempre… só lhe falta dizer que a culpa é dos comunistas que radicalizaram a luta, ultrapassando pela esquerda os sindicatos reformistas e conciliadores do reciclado regime do apartheid; onde tudo mudou, menos a macrosestrutura wasp que controla o sistema financeiro e o sector primário da economia. Com o boneco de estimação Mandela a ser agitado à frente, claro…

    • paulogranjo diz:

      A sua diatribe, que como de costume falha totalmente o alvo, tem pelo menos a virtude de ser mais um estímulo a um post que abordará a perversidade da redução das questões socio-económicas sul-africanas à raça e da redução do “black empowerment” à cooptação de uns milhares de “negros” pela grande burguesia (ou acesso a ela através do aparelho de estado), de que Mbeki é o principal responsável, Zuma um empenhado seguidor e Malema uma variante geracional e estilística dos aspirantes à burguesia.

      Até lá, umas curtas notas.

      É notável que, lendo uma inequívoca denúncia de homicídios repressivos por parte de forças policiais, pressuponha que quem a escreve quer culpar as vítimas.
      Também quanto a estas se engana, já que a declaração de hoje do Partido Comunista da África do Sul ( http://www.sacp.org.za/main.php?ID=3722 ) culpa precisamente as vítimas e exige a prisão dos dois líderes do sindicato que você apelida como “comunista” e como ultrapassador pela esquerda dos «sindicatos reformistas e conciliadores do reciclado regime do apartheid» – que, neste caso, seriam os sindicatos apoiados pelo PCAS e pela COSATU…

      Aproveito para fazer notar que os sul-africanos neerlandófonos (vulgo “boers”) poderão ser “white” e na sua esmagadora maioria “protestant”, mas não são certamente anglo-saxónicos. Guarde o “wasp” para o continente a que diz respeito, assim se protegendo de exibir desnecessariamente a ignorância.

  2. Oui,m'a non plus diz:

    Agora se vê pq os imperialistas admiram tanto Mandela.Tal como o Gandi(as castas,a pobreza franciscana continuam!!!).
    Quando se trata de Lenine,o tratamento é outro(assassino de czares,de camaradas,de cipaios,…).

  3. Augusto diz:

    E foi para se chegar a isto, que Steve Biko e tantos outros militantes deram as suas vidas….

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  6. paulogranjo diz:

    Um tal “Kartoz” deixou aqui o comentário mais imbecilmente racista e desumano que já li.
    Não será, obviamente, publicado.

  7. Rafael Ortega diz:

    Esqueceu-se de dizer que os 10 mortos do inicio da semana (entre os quais 2 polícias) foram mortos pelos “simpáticos” grevistas.

    O que não desculpa a polícia. Antes de abrir fogo sobre os manifestantes devia haver outros métodos (gás lacrimogénio, canhão de água, tiros de aviso para o ar, balas de borracha, qualquer coisa…)

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