Isto tem que acabar! A violência policial fez mais uma vítima no concelho do Seixal.

O relato que a seguir reproduzo é apenas mais um caso. Apenas. Não exagero se escrever que este é um cenário que, cada vez mais, vai fazendo parte do quotidiano em vários concelhos do distrito de Setúbal. São poucos os que, sendo vítimas de maus tratos por parte de elementos das forças de segurança, se sentem com a força necessária para levar o caso até onde for preciso. São muito poucos.

O caso do Tony está já em ‘andamento’ e em breve estarei em condições de avançar com mais informação.

[O texto que a seguir reproduzo está disponível aqui e foi publicado hoje às 3h46]

Vítima de agressão policial – 16 de Agosto de 2012 – Seixal/Amora

No dia 15 de Agosto de 2012 estive a partir das 19h num stand da Junta de Freguesia de Amora (nas festas populares de Amora) no âmbito de um projecto do qual faço parte, o RUAS (Revitalização Urbana Artística do Seixal). Por volta das 00:30 (noite de 15 para 16 de Agosto de 2012 – hoje), apercebi-me de uma confusão entre miúdos no espaço relvado em frente dos stands das associações, artistas e outras instituições. Diversos miúdos agrediram-se, as restantes pessoas ficaram preocupadas e ansiosas relativamente ao que se estava a passar, entre agressões, corridas, miúdos no chão agredidos, saltos por cima de bancas de artistas e associações, encontrões com outras pessoas visitantes da feira, gritos, crianças…tentei intervir junto de algumas brigas para acalmar os miúdos, uma com relativo sucesso já que não se agrediram e de alguma forma me ouviram naquele momento tenso. Intervi pessoalmente na confusão tentando separar pelos seguintes motivos:

·         Como cidadão acho que devo intervir junto de situações de violência, neste caso particular entre miúdos, tentando acalmar e solicitar para não se agredirem;

·         A violência urbana tem por base uma lógica capitalista e de violência de Estado (mais desemprego, menos educação, menos saúde, mais estigmatização, mais exclusão social, mais mão de obra barata, mais pessoas na miséria, desestruturação familiar, mais pessoas com fome, mais competição, mais agressividade, mais masculinidade agressiva…) pelo que não se combate com violência física;

·         Havia diversas pessoas entre as quais crianças a visitar os stands que sentiram medo e receio da confusão;

·         A luta alargou-se no espaço, chegando junto de diversas pessoas;

·         Ninguém tentou intervir de modo conciliador junto dos miúdos para os separar;

Após estar junto das bancas a separar dois miúdos, apercebi-me de que agentes da PSP – Polícia de Segurança Pública se dirigiam aos jovens com agressões. No momento estava a a separar 2 miúdos e a impedir que se agredissem, após a entrada da polícia optei por ficar passivo, larguei os miúdos, e fui agredido por um agente da polícia. Fui agredido uma 1ª vez, na qual fiquei parado a tentar proteger-me e a informar o agressor (polícia) de que fazia parte de uma associação, de que estava a separar os miúdos, de que era de um stand da feira; fui agredido uma 2ª vez, onde referi ser sociólogo, onde reforcei que fazia parte de uma associação..nisto apercebi-me de diversas pessoas que gritavam para o polícia a informar que eu era membro de uma associação, de que não estava na confusão, de que estava a separar etc..; acabei por ser agredido mais umas vezes, e percebendo que o agressor não parava de me agredir (fiquei no mesmo local, não fugi, não corri, não o agredi, falei com calma, informei, identifiquei-me) solicitei-lhe a identificação, que não me foi dada, tendo depois um outro agente vindo retirar o colega que me agredia. Acabei por me dirigir ao stand onde estava, para me compor e dirigi-me a um outro agente da polícia (o que terá acalmado o colega que me agrediu) a solicitar que queria denunciar a agressão policial da qual fui vítima. Fui informado para aguardar junto do meu stand sobre o pretexto de que um agente iria falar comigo. Permaneci alguns minutos no stand, onde identifiquei lesões das batidas de que fui vítima (tenho fotos), após alguns minutos dirigi-me ao agente que informou para aguardar e solicitei que queria denunciar a situação pedindo a identificação do colega que me agrediu (e que este assistiu). O agente tranquilamente solicitou-me novamente para aguardar um pouco.

Momentos depois regressei junto do mesmo agente a insistir que queria realizar queixa, e fui dirigido a falar com dois polícias (o chefe da polícia presente no local e um outro pelo que percebi com poder na estrutura – identifico ambos fisicamente sem dificuldades). Tive a possibilidade de expor a situação de agressão de que fui vítima e solicitei a identificação do agente que me agrediu, tendo sido informado pelo polícia (que não sei a categoria) que no momento a intervenção foi para “limpar”, e que ele não iria fazer o levantamento ou a identificação do pessoal para que eu pudesse identificar o agressor. Perante isto, insisti na importância de saber a identificação do polícia agressor, dado o meu direito em fazer queixa e onde referi que a “limpeza” de que falava era uma questão política e ideológica e de que não a iria discutir, só queria fazer queixa e saber a identificação do agressor. Após ter falado em ideologia e política recebi a seguinte resposta do mesmo agente: “se é para falar de política vou-me já embora..” e assim foi, virou as costas a uma vítima de violência do Estado, da violência policial, e da violência de um subordinando seu na estrutura da polícia. Inclusive um companheiro que apoia o RUAS assistiu a esta conversa presencialmente. Mantive-me a falar com o chefe da polícia no local, informei-lhe que faria queixa no ministério público e não na esquadra.

Entretanto falei com uma amiga advogada a explicar a situação. Apercebi-me de uma reunião entre o primeiro agente que separou o colega que me agredia e que solicitou para aguardar, o chefe da polícia no local e um outro que me virou as costas. Durante a chamada que fiz os 3 conversaram e fui interpelado pelo chefe da polícia no local para falarmos. Desliguei a chamada e assim fiz. Solicitou a minha identificação, eu fiquei hesitante por não me ter sido explicado o motivo da minha identificação…até que chegou o outro agente (o primeiro com quem falei nesta situação) e me solicitou também ele a identificação (percebi que a abordagem que teve comigo após a reunião que teve com os colegas mudou, ficando mais assertivo e directivo). Cedi os meus contactos pessoais (nome, morada, tlm, data de nascimento..) onde apontou em folhas de rascunho. Reparei que este segundo agente que me solicitou a identificação e que assistiu à agressão de que fui vítima, que separou o colega e que me disse para aguardar, estava sem a placa identificativa do nome e do número no pólo, pelo que lhe pedi o nome e registei). Reforcei que faria queixa no ministério público e de que iria ao hospital fazer prova das agressões.

Diversas pessoas dos stands e visitantes assistiram à situação e se propuseram como testemunhas de que fui agredido arbitrariamente após ter-me identificado e após diversas pessoas terem gritado em minha defesa.

Identifico o agente que me bateu fisicamente, certamente algumas testemunhas também o conseguem fazer (estava a 1 metro das bancas), identifico e sei o nome do primeiro agente que me ouviu e identifico fisicamente os agentes ou comandantes que me ouviram depois (o chefe da policia no local e um que me virou as costas).

Faço um apelo ao apoio de uma advogada ou advogado neste caso;

Faço um apelo às pessoas que assistiram a tudo isto, que me façam chegar os seus contactos (nome completo, profissão, morada, nº de tlm, nº do BI ou CC) para testemunharem em minha defesa.

Ricardo Loureiro

Sociólogo

Uma coisa é certa. Isto não pode continuar assim! Repito e reforço o que aqui escrevi, a 30 de Maio deste ano:

A certeza de que um Estado não merece respeito se os cidadãos não puderem confiar nas suas forças de segurança dá-nos a legitimidade de não ficarmos calados perante actos de pessoas que não sabem lidar com o poder que lhes foi colocado nas mãos!

Reforço, ainda, que o que se pode ler no site da PSP tem vindo a ser desrespeitado de forma continuada e sistematizada por vários elementos desta força em vários concelhos do distrito de Setúbal.

O Ricardo Loureiro estava no sítio errado, à hora errada. A hora certa e o sítio certo para mais um atentado às liberdades, direitos e garantias consagrados na nossa Constituição.
As forças da Ordem têm que perceber que não podemos continuar a olhar para os seus elementos sem saber se estamos a olhar para alguém em quem podemos confiar!
ISTO TEM QUE ACABAR!

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13 respostas a Isto tem que acabar! A violência policial fez mais uma vítima no concelho do Seixal.

  1. Nuno Cardoso da Silva diz:

    É preciso levar até às últimas consequências judiciais este tipo de situações, inclusive até ao tribunal europeu dos direitos humanos. Só a condenação sistemática pelos tribunais levará a polícia a conter-se e, em primeiro lugar, a selecionar para agentes pessoas civilizadas e a dar-lhes a formação adequada. Não basta ser-se fisicamente apto para ser polícia, é preciso ser-se intelectual e eticamente apto, coisa que muitos polícias – e suas chefias – não são.

    • Maria Alves diz:

      Quando a sua mãe for assassinada em plena rua com uma navalha que lhe perfurou o pulmão por causa de um cordão de ouro ou a sua prima violada por 3 pretos menores, e que ficaram impunes como ja conteceu na minha familia,falará de outra maneira da polica… voçê estava na hora errada no local errado…tenho dito…

  2. Manuel diz:

    Pois fique a saber que eu tambem lá estive, e a gandaia que você defende conheço eu bem, são todos uns bandidos, desordeiros e criminosos. Está muito indignado, mas dê-se com sorte de não ter sido esquartejado, pelos menos dois deles – vi eu com os meus olhos – tinham facas, e um deles ainda levou uma facada e estava a largar sangue, também vi eu!

    Defenda-os, crie associações bairristas para defender minorias, ou será…bandidos??

    Cumprimentos

    • Carlos Guedes diz:

      Então se esteve, volte lá hoje e venha falar comigo. No mesmo sítio, à mesma hora. Dê o seu nome verdadeiro e ofereça-se como testemunha.

  3. José diz:

    Portanto, estás à espera que os policias que estão intervir de forma urgente numa luta reconheçam que tu, estando no meio da confusão, não estavas a fazer nada, esperto.

    Quando viste a policia, o que devias ter feito era afastar-te e permitir que as autoridades fizessem o que tinham de fazer, em vez disso ficaste ali a fazer finca pé, esperto.

    Ridiculo.

    • Carlos Guedes diz:

      Há tanta frustração contida neste comentário. O termo com que termina serve perfeitamente para o qualificar.

    • Gonçalo Alexandre dos santos Pires diz:

      Pois e por haver pessoas como tu Jose (com medo dos policias) que eles fazem o que querem, espero um dia que te aconteça para ver mos um texto teu com alguma frustração contida

  4. Sara Costa diz:

    Ridículos são estes comentários contra o Ricardo. Como ele sabe não partilhamos as mesmas ideias no que diz respeito ao uso da força no entanto é deplorável agentes policiais terem este tipo de acções com quem lhes aparece à frente. O papel deles é imobilizar os suspeitos e levarem-nos para interrogatório e não recorrer à violência! Como o Ricardo disse identificou-se mais do que uma vez e só por aí podemos ver o estado em que se encontrava o agente que o agrediu: cego de raiva! Compreendo que os cidadãos deste país se encontrem saturados principalmente em relação à criminalidade e ao estado de insegurança a que chegámos, principalmente a polícia por diversas razões, mas não podemos pôr o bom senso de lado e começar a aceitar comportamentos violentos por parte das autoridades.

  5. Gonçalo Alexandre dos santos Pires diz:

    Como e que estes animais que não tem outro nome querem respeito. E por estas e por outras que se vêem nas noticias vários militares a matarem se.

    Este episódio ocorreu a minha frente na zona da cruz de pau, um carro que circulava a mais de 90 kilometros/h numa zona onde só se podia andar a 50, a policia viu e sabem o que fizeram pararam o carro pediram os documentos e disseram lhe o seguinte ” PODES SEGUIR” resposta do rapaz do veiculo ” E SEMPRE BOM AMIGOS POLICIAS”

    Dias mais tarde aconteceu o mesmo a mim e sabem o que me aconteceu meu amigos paguem 500€ de multa e disseram me que se me apanhassem nas mesmas circunstancias que ficava sem carta.
    E esta a nossa policia portuguesa

    • José diz:

      Tens um radar para saber a velocidade do outro carro?

      Mesmo assim tiveste sorte, se ias a 90 num local cujo máximo é 50, devias ter pago 600€ e ficado sem carta durante pelo menos 1 mês, até devias agradecer não ter sido pior.

      Se conduzir automóvel ligeiro ou motociclo e se exceder entre 21 km/h e 40 km/h
      dentro das localidades ou entre 31 km/h até 60 km/h fora das localidades a coima
      vai de 120 € a 600 € e é uma contra-ordenação grave. Sendo sancionado com a coima e inibição de conduzir entre 1 mês e 1 ano;

  6. Valadares diz:

    Mais um artigo do denunciante ou delator, Carlos Guedes.
    Quase que aposto que escreveu este artigo, recordando o seu avôzinho salazarista, o coitado, rural, a viver na miséria, mas a dar vivas ao Salazar, pobre homem…
    Quase que aposto que o Carlitos Guedes sente verdadeira falta do avôzinho que era admirador do pai (não assumido) da Micas e da Maria Antónia.
    O avô… que depois viu o neto crescer – verdadeiro Trotskista (a martelo) – mas disse-lhe que «tem lá respeitinho pelo vôvô, porque o pobre e rural do vôvô… é salazarista. Ao que o coitadito do Carlitos respondeu: «Gosto muito de ti, avô, mesmo sabendo que és salazarista.» Depois, perguntou ao avô: «E, ó avô! Gostas de mim?» Ao que o avô respondeu: «Sim, eu também gosto de ti.»
    Uma linda história de encantar as criancinhas da Beira y Alta.

    • Carlos Guedes diz:

      Tem aqui vários erros graves. Não sou beirão. Não sou trotskista.
      Depois tem aquilo a que eu chamarei de uma tremenda filha-da-putice! Brinque com o que quiser, mas com a memória do meu avô não! Vá bardamerda!

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