E agora ANC? Calma e reconciliação?

As notícias, que acabo de ver, dizem a que a polícia sul africana disparou sobre mineiros em greve que exigiam aumentos de salários, disparou indiscriminadamente e com metralhadores, como as imagens horrendas mostram. Para aqueles que como eu acham que a direcção maioritária do ANC aceitou uma reconciliação que implicou a derrota de uma revolução na África do Sul, a notícia é má mas, infelizmente, esperada. Entre os parabéns mundialmente cantados a Nelson Mandela a realidade da «festa» é outra: 2, 4 milhões de pessoas a viver em barracas, o índice de desigualdade subiu de 0.6 para 0.72 entre 1994 (ANC chegou ao poder) e hoje; entre 1990 e 2005 o rendimento do trabalho passou de 51% para 45%. O repúdio por este acto bárbaro, que esperemos que tenha uma expressão de solidariedade internacional, não deve ofuscar que a conservação da propriedade privada, em nome da paz, nunca pode ser feita sem mortes e tragédias.

 

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

24 respostas a E agora ANC? Calma e reconciliação?

  1. xico diz:

    Embora não concorde que a reconciliação seja uma derrota (é preciso, necessário, conhecer a história dos boers e a história daqueles tumultos de 1922. Mandela conhecia-a), agradeço esta chamada de atenção. (conheci queixas incríveis de negros maltratados por racismo na antiga URSS)

    • Carlos Carapeto diz:

      Talvez quando estudantes de todo o mundo frequentavam gratuitamente a maior universidade da URSS, (Lomonossov) conviviam e casavam livremente com as Soviéticas?
      Por exemplo José Eduardo dos Santos foi estudar na Universidade de Baku engenharia de petroleos, casou lá com uma Russa.

      Aquilo que diz é mentira. Está a tentar elevar o seu anti-soviétismo aos píncaros do paroxismo.
      Conheço perfeitamente bem essa situação. Ninguém era descriminado naquele país, basta dizer-lhe que haviam mais de cem nacionalidades, eram tratados todos da mesma maneira, tinham todos os mesmos direitos, qualquer um podia ascender ao topo de qualquer hierarquia.

      Se tem duvidas posso dar-lhe nomes de alguns altos dirigentes que hoje são presidentes de algumas nações que faziam parte da União.

      • xico diz:

        Não duvido do que diz. Talvez não me fizesse perceber. Falo de gente humilde do povo. Conheci muitos negros que foram estudar para a URSS e sentiram-se maltratados. Não pelo governo nem pelas autoridades, mas pela gente do povo. Não é chamando-me de mentiroso que passa a ter razão. Eu posso tentar, mas você levou o seu pro-sovietismo aos píncaros da cegueira.
        Julgo que não vale a pena perguntar-lhe porque razão os povos do Cáucaso abriram as portas de par em par aos soldados de Hitler, mas isto é o meu anti-sovietismo a falar, não ligue. Sim, eu sei, o Estaline era do Cáucaso… mas sabe como é. Cá na minha terrinha diz-se que santos da casa não fazem milagres…

      • Camarro diz:

        Aliás, nos recentes Jogos Olímpicos, tivémos dois casos de descendentes dessas uniões que refere: Lyukman Adams, atleta do triplo salto, filho de uma cidadã soviética e de um estudante nigeriano e ainda uma jogadora da selecção de andebol, que não me recordo o nome.

      • von diz:

        A União Soviética… Aaaah, que saudades desse paraíso terreal. Aaaah, esses tempos tão mimosos da Roménia em harmonia com o seu timoneiro, a RDA e o calor amigo de Honecker, os venturosos mimos da Mamã Margot, aquele pedaçoi generoso de mapa, tantas nações como uma só, a soviética do povo feliz, alimentado e de horizonte florido. Aaah, a União Soviética… Lembro-me quando me pediram um simples sabonete, na rua. Ou os meus ténis já bem gastos. Aaaah, a União Soviética…

        • Responde Carapeto diz:

          Já para não falar do anti-semitismo.

          • Carlos Carapeto diz:

            Quando foi que existiu anti-semitismo na URSS? Locais, datas, nomes?

            Talvez por isso é que a maioria dos Romenos dizem que viviam melhor no tempo de Ceausescu. Já enjoaram tanta democracia?

            De certeza que não compreendeu o que o individuo pretendia, e pensou que estava interessado em comprar-lhe os tenis. Devia tratar-se de algum colecionador de alpercatas.
            Já agora pode dizer onde foi que isso aconteceu?
            Eu também vi pessoas a pedir esmola em Nova York e em Paris.

            Em Cuba é que não vi ninguém a mendigar e já lá passei férias várias vezes.

  2. JgMenos diz:

    A Raquel é a verdadeira e autêntica comuna para quem a paz e a harmonia só chega com o fim da propriedade privada.
    Pena que tão inspirada idealista não mostre como na prática isso funcione, óbviamente sem nos mandar para as calendas do ‘homem novo’, enquanto ela e os correligionários nos guiam para esse destino gloriosos administrando os bens tornados públicos.
    Faça lá uma cooperativa qualquer para nos dar uma ideia de que sabe fazer alguma coisa para além de dizer imbecilidades!

    • Oui,m'a non plus diz:

      E, se fosses para o cara***?Não vez o q as greves teem destruido o mundo inteiro?Banksters a irem para a falencia,a atirarem-se dos aranha céus pq causa DA ELIMINAÇÃO DA SAGRADA PROPRIEDADE PRIVADA.Malditos trabalhadores,não é,palhaço?
      A propósito não vi nada rabiscado nos comentario ao artigo do Eugénio Rosa….pois!Vai morrer longe-olha podes ir para a Síria-vai lá internacionalismo esclavagista.Ah!,tou a ver,pagam a barbudos da alqaeda e a tontinhos da religião MONOTEÍSTA-as três irmãs que mais guerras teem feito por esse mundo afora.’Comprimentos’ aio dias loureiro(ganda trabalhador),ao assassino de velhinhas, toca-piano duarte lima, e as condolencias pela reserva pedófila do PSD!!!!

      • JgMenos diz:

        Blá, Blá,Blá – vai-te tratar, grunho!

        • Responde Carapeto diz:

          Tu merecias mesmo era a sorte de boa parte dos proletários do mundo inteiro. Ficar debaixo duma mina ou perecer numa enxurrada, cair sob balas da polícia ou debaixo de bombardeamentos ou morrer de doenças curáveis.
          Não contente em não ter essa sorte, o palerma gasta as suas energias em vir criticar os esquerdistas porque vêem na propriedade privada a raiz dos problemas (dos proletários).

          • Carlos Carapeto diz:

            Já que está assim com tanta vontade de pelejar. Diga por favor (se for capaz) qual foi o desenvolvimento verificado em qualquer um desses países nos ultimos vinte anos.
            Ignora que todos os padrões de vida regrediram?

            Quer numeros? A Ucrânia em 1991 era a decima economia mundial? Sabe em que lugar se encontra hoje? O espaço Soviético era o segundo produtor de trigo, 200 milhões de toneladas.
            Sabe quanto produzem hoje?
            A URSS era o país que tinha mais pessoas com cursos universitários por habitante. Sabe que hoje já existe analfabetismo?
            Sabe qual era o consumo de eletricidade por habitante na URSS? Não sabe! E sabe qual é hoje?
            Agora apresente os seus numeros.
            Não se meta em questões que não conhece para não ter que fazer figura de palhaço.

  3. Andrade diz:

    Parece que alguém não reparou que as pobres vítimas inocentes do capitalismo selvagem por acaso era um grupo armado a carregar sobre a polícia, e que um dos sindicatos envolvidos neste martírio por acaso também está por detrás de uma meia dúzia de assassinatos de membros de outro sindicato. Outra coisa que parece que também passou ao lado é o facto dos videos colhidos dos manifestantes pacíficos captarem claramente aquelas multidões de sindicalistas inocentes e pacíficos armados com catanas, lanças, revolveres, espingardas e bastões.

    Partidarite faz disso.

  4. Carlos Carapeto diz:

    Na África do Sul institucionalmente o apartheid foi abolido, mas na prática não acabou a supremacia branca. Se as riquezas do país eram todas controladas por os brancos, as terras igual, nunca houveram nacionalizações nem uma reforma agrária. Quais foram as mudanças?

    Os brancos continuam a tratar-se nos hospitais privados destinados a eles, os filhos igual nas escolas, os bairros de luxo continuam a ser habitados por as élites endinheiradas minoritárias de europeus.
    Mandela não conseguiu fazer uma revolução, fez uma transição de poder politico, porque o poder economico continuou nas mãos de quem o detinha.

    Porque liberdade de escolher até os Zairenses (congoleses) a têm, no entanto não deixam de viver na extrema miséria no país mais rico de África.

    • xico diz:

      Tem razão. Vê. Não sou assim tão mau como diz. Acontece que não é só uma questão de brancos e pretos. Há muitos brancos pobres e miseráveis na África do Sul. Eu sei que não são a maioria. Mas brancos e pretos sempre estão um bocadinho melhores do que no Zimbabwe do Mugabe onde houve a tal reforma agrária e tiraram as terras aos brancos para as darem aos pretos. Resultado: do celeiro de África passaram ao asilo da fome.

    • Oui,m'a non plus diz:

      Por isso o bajulamento, das ‘personalidades’ coloniais a Mandela e ao Gandi.
      No que toca a Lenine,até espumam da boca……

  5. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Esta situação conduz-nos (de novo) a duas conclusões:

    1. A propriedade dos meios de produção deve estar nas mãos de quem os usa, por meio de cooperativas democraticamente geridas.

    2. Os aparelhos repressivos – ou de segurança, como se diz – não devem ser controlados por um qualquer ministro do interior, mas pelos Parlamentos.

  6. TC diz:

    Por acaso gostaria de saber qual seria a sua reacção se visse um grupo elevado de pessoas a carregar sobre si. Esta foi uma reacção esperada por parte da policia tendo em conta os últimos dias em que já houveram mortos e feridos de ambas as partes. Se a policia sentiu que eles se tornaram uma ameaça no momento em que carregaram sobre eles dispararam a matar, ou esperava que eles abanassem as armas e dissessem “olhem que nós disparamos…”.

    Fala mal da policia mas a verdade é que a reacção seria exactamente a mesma se a situação fosse a inversa. Os manifestantes não teriam qualquer problema, como já deixaram claro nos últimos dias, que seriam capazes de tirar a vida a qualquer policia que se metesse no seu caminho…

  7. Renato diz:

    Uma resposta para o título do post:

    … Mugabe!… Mugabe!… Mugabe!

  8. Pingback: Mineiros assassinados na África do Sul |

  9. Pingback: Mineiros ASSASSINADOS na África do Sul |

  10. waldo mermelstein diz:

    Prezados, uma pequena opinião sobre o massacre de Marikana. Se todos observarem os vídeos verão uma força policial (e forças especiais) dotada de armamento pesado e, como declarou a policial encarregada (vídeo Al Jazeera), vieram para “resolver o assunto”. E o fizeram!
    O caráter do sindicato que está dirigindo o processo de luta não me é claro, mas a luta é mais do que justa e é fruto da escandalosa colaboração do NUM (sindicato nacional mineiro) com a patronal das minas.
    Bom, mas talvez este ponto seja pouco aceito, ainda mais pelo desconhecimento que se possa ter da situação por lá. Mas o que é inaceitável é comprar os argumentos de que a polícia estava cumprindo o seu papel e que foi atacada por operários ferozes armados de machetes…Mineiros que ganham 4 mil rands, os “rock drillers”, que carregam britadeiras de 25 kg e deixam suas vidas para tirar a platina que enriquece a empresa inglesa Lonmin e que lutam contra as medidas de austeridade da empresa, assim como os trabalhadores portugueses e europeus enfrentam-nas…
    Então, não há nada de confuso nem complexo nos fatos: a empresa tentou quebrar a greve, como havia feito na mina vizinha de Impala tempos antes, com a colaboração do NUM. Não conseguindo-o, apelou para a força policial…Este é o script de tantos massacres mineiros imemoriais, em todo o mundo…quem não irá se recordar de Santa Maria de Iquique, da Noite de San Juan na Bolívia, em tantos e incontáveis outros que vocês saberão contar..
    Não acredito que possa tremer a voz de qualquer um que defenda a luta dos trabalhadores em dar apoio incondicional aos mineiros contra a repressão assassina a serviço da companhia mineira. Alguns dirão: simplório, pouco refletido, apressado…Antecipo-me a dizer que não concordo….tenho alguns anos sabendo o que é uma massacre para não hesitar em denunciá-la, SEJA QUEM SEJA QUE A PERPETRE! Já saberemos de detalhes do país, do movimento sindical, da transição maldita que manteve intocado o apartheid somente deixando alguns poucos membros da elite negra se refestelarem.

    • Raquel Varela diz:

      Totalmente de acordo. Antes de qualquer outra decisão, demissão e prisão dos membros do Governo e da Polícia responsáveis.

Os comentários estão fechados.