Se a ideia é “Viver com sabor!” – lema da Dan Cake – não ajudava trabalhar com direitos?

Nada como o tempo para que algumas perguntas comecem a descobrir a sua resposta. Em Junho de 2011, depois de cessar contrato em litígio com a Atlanco e de passar a contratar os trabalhadores temporários pela Raiz e pela Newtime, a Dan Cake (Coimbra) acabaria por deixar de recorrer às ETT para fazer face aos picos de produção. Tudo pareciam boas notícias para a qualidade do contrato dos trabalhadores mas a realidade está a ser bem diferente.

Apesar da produtiva máquina de bolos continuar oleada – a empresa tem apresentado sempre lucros muito acima do satisfatório assim como a unidade de produção de Coimbra – a única alternativa passou a ser a sobrecarga dos restantes trabalhadores. A  contratação directa, ainda que por períodos curtos, não se veio a traduzir na realidade, sendo que mesmo aqueles que o haviam conseguido na sequência do abandono das ETT, acabariam por serem paulatinamente dispensados da Dan Cake.

Sabemos que a facilidade de uma empresa estabelecida forjar falsos recibos verdes é substancialmente menor do que a máfia do desespero, reputados especialistas em fazer circular a mão-de-obra e em garantir a permanente desvalorização do seu valor, mas o abandono das ETT, no caso da Dan Cake, está a revelar outro horizonte estratégico – a deslocalização da empresa.

Face ao avolumar de problemas – uso sistemático de trabalhadores temporários, negócios obscuros com as ETT, sobrecarga dos trabalhadores remanescentes; eventual deslocalização da fábrica – a empresa não tinha dado uma única explicação e os representantes sindicais, se sabiam de algo mais que os trabalhadores, entenderam, sabe-se lá por que razão, manter essa informação em segredo.

No dia da acção de protesto do núcleo de Coimbra do Movimento Sem Emprego, realizada em articulação com alguns dos trabalhadores dispensados, a empresa desmentiu a deslocalização, apesar do caminho para a Índia estar a ser redescoberto desde pelo menos a data em que abandonou as ETT.

Pode ser muita coincidência e má fé dos trabalhadores que perderam o seu posto de trabalho, mas que outra razão pode explicar que se desinvista ou se despeça numa unidade de produção de sucesso?

Aqui o panfleto do MSE distribuído no protesto. Mais informações sobre o assunto no site, na página e no grupo do movimento. Também no Diário de Coimbra, no Diário As Beiras e no Expresso.

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