Zita Seabra devorou criancinhas ao pequeno-almoço


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Zita Seabra deixou de ser militante do PCP há 24 anos. Enquanto dirigente daquele partido com tarefas políticas relevantes, sempre vestiu a pele do discurso mais sectário de uma forma acrítica e dogmática. Ter-lhe-á sido implantada a famosa cassete numa das suas viagens a um país de Leste?
Ao contrário de outros que também aceitaram passar as últimas décadas a ser politicamente qualificados como ex-PCP e que, na sua maioria, mantêm uma certa reserva sobre o passado, de modo a zelar pela memória do ideal comum no qual se empenharam, Zita Seabra não hesita em se ridicularizar para contar historietas que dizem mais sobre a própria do que sobre a acção do partido. De tal modo que não há ex-militante do PCP que goste de ser visto a seu lado ou que venha em socorro dos seus dislates.
Vem esta introdução a propósito da sua mais recente cavaqueira com Mário Crespo, em que enuncia a possibilidade de a antiga RDA ter instalado microfones para espiar os mais altos cargos da nação através de uma empresa de ares condicionados dos anos 80 (FNAC), papagueando o que a direita mais anticomunista nunca teve coragem de dizer publicamente. Zita Seabra não tem dúvidas do interesse estratégico da RDA em Portugal e nesta “empresa do PCP”, dando como única prova a sua falência após a queda do Muro. A tendência para a repetição acrítica do que lhe é soprado ter-lhe-á ficado tão marcada da experiência partidária que nem sequer cuidou de reparar que a falência da FNAC é bem anterior à queda do Muro.
Zita Seabra é um doce nas mãos do jornalismo sensacionalista. Não tenho dúvidas que um pivô habilidoso lhe conseguirá tirar a declaração que dá título a este escrito.

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