Expropriação de Alimentos

200 membros do Sindicato Andaluz de Trabajadores, num supermercado de Écija (Sevilla). / MANUEL RODRÍGUEZ (EFE)

A Espanha é o país da Europa com taxa de desemprego mais alta (25%), e a Andaluzia é uma das suas regiões mais afectadas pelo desemprego: 34% e 63% [sic] entre os menores de 25 anos de idade.

Face à situação de crise enfrentadas por famílias espanholas atingidas pela recessão e as medidas de austeridade, na passada 3a feira grupos de trabalhadores foram a supermercados, em actos simbólicos (mas consequentes), para recolherem bens essenciais para serem distribuídos a famílias carentes:“Nem chocolate, nem iogurtes, nem sobremesas. Azúcar, azeite, legumes, leite, bolachas Mariagalletas normales de las María de siempre”,  esclareceu o secretario general do Sindicato Andaluz de Trabajadores (SAT), Diego Cañamero.

Cañamero participou na recolha de artigos no Carrefour de Arcos.  Não foi um assalto como os que vêem durante os motins. Os trabalhadores entraram, sem pressas encheram os carros mas a saída foi-lhes vedada pela empresa. Pedro Romero, Presidente da Câmara de Espera, perto de Arcos, e deputado provincial da Izqueirda Unida (IU) por Cádiz, negociou com os responsáveis do supermercado que aceitou que 12 dos carros cheiros com bens valorizados em mil euros fossem usados com a finalidade do protesto: os serviços sociais das povoações vizinhas de Arcos.

Em Sevilha, cerca de 30 trabalhadores da SAT entraram num supermercado da cadeia Mercadona, encheram uns dez carros com alimentos e quando tentaram sair sem passar pela caixa houve algum atrito físico entre os trabalhadores e os empregados do supermercado, dissipado por forças policiais e sindicais. Os trabalhadores lograram sair com os alimentos e entregá-los a uma ONG. Acompanhado esta acção estava  Juan Manuel Sánchez Gordillo, presidente da Câmara de Marinaleda desde 1979 e deputado no Parlamento Autónomo pela IU. (artigo El País)

Diz Sánchez Gordillo: «Não tenho problema em responder pelas minhas acções. Tudo o que fizemos foi um gesto simbólico e pacífico. A crise têm uma cara e um nome. Há famílias que não têm dinheiro para comer. (…) Na Andaluzia e na Espanha, não são os poderes políticos que estão no poder, são os bancos, que não têm coração, sentimentos ou país. (…) Há coisas mais bárbaras que um gesto de desobediência pacífica. (…) A delinquência é dos bancos.»

Sánchez Gordillo já ocupou várias herdades, bancos, autoestradas e um aeroporto. Após as acções de 3a, o Ministro do Interior de Espanha ordenou a detenção dos responsáveis, incluído o deputado. Sánchez Gordillo esperou a Guarda Civi, junto com dezenas de trabalhadores, na herdade Las Turquillas, propriedade do Ministério da Defensa e ‘okupada’ durante 18 dias num apelo à justa distribuição da terra na Andaluzia. Os trabalhadores foram retirados da propriedade na 6a, mas não foram presos.

Expropriação de Supermercados

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

3 Responses to Expropriação de Alimentos

Os comentários estão fechados.