O especulador e o industrial. A esquerda do lado do mito contra a realidade

Texto completo no site Passa Palavra. Por uma questão de economia de espaço e para situar o debate coloco aqui apenas os dois primeiros parágrafos.

Se a força da mera convicção ideológica é maior do que a da reflexão racional, só as lutas sociais dos trabalhadores poderão ultrapassar os alçapões ideológicos que continuam a animar o trabalho político da generalidade da esquerda.

«Com a recente e actual crise económica na zona euro, o que antes era considerado uma mera excentricidade ou uma tendência larvar torna-se numa realidade substantiva e com um peso fortíssimo na definição das propostas políticas. Por isso, se as crises económicas têm o lado terrível de comprimir ainda mais as condições de vida e os salários dos trabalhadores, do ponto de vista político as crises também contribuem para esclarecer as linhas com que as várias correntes políticas se vão cosendo. Contudo, não encontro resposta para o porquê de alguns (poucos) activistas romperem com os empecilhos da ideologia dominante (nacionalismo, divisão entre economia “real” e “produtiva” VS economia financeira e “parasitária”, crítica dos governos e não do Estado, ausência de crítica das relações de produção, etc.) e o porquê de outros, ainda por cima em clara maioria, aprofundarem ainda mais os equívocos e ambiguidades que sempre têm caracterizado a esquerda. Por isso vou-me focar única e exclusivamente no aspecto político do que me parece ser uma das linhas mais perigosas e que se tem aprofundado nalguns meios da esquerda portuguesa (e não só): a tese de que o capital financeiro seria antagónico do capital industrial. Focando-me única e exclusivamente nas teses políticas – e relegando os emissores dos discursos políticos para um plano meramente ilustrativo, circunstancial e secundário – espero que um possível plano de discussão destas questões se cinja ao espaço que realmente importa: a discussão política.

Por isso, proponho-me debater o tema deste texto em dois pontos fundamentais. Em primeiro lugar, chamar a atenção para que a transformação da oposição entre economia “real”/”produtiva” e economia financeira/”parasitária”/especulativa em tese política é um tópico que teve no fascismo o seu principal defensor e difusor. E, em segundo lugar, procurarei mostrar como a diferenciação entre os sectores financeiro e industrial é meramente operacional visto que, na verdade, ambos constituem duas partes integrantes de uma totalidade económica (capitalista) e não dois sectores concorrentes e antagónicos. De facto, é impossível pensar a economia capitalista moderna desligada da complementaridade entre finança e indústria. O seu antagonismo só existe no plano ideológico, nunca no plano material das relações económicas».

Continua aqui.

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