Hiroxima, o sacrifício do Japão contra a URSS

Hiroxima nunca foi «necessária para ganhar a guerra». Em Ialta, em Fevereiro de 1945, acordou-se que a URSS entraria em guerra contra o Japão três meses depois da rendição alemã. Esta deu-se a 8 de Maio de 1945, pelo que os Russos iriam entrar, e de facto entraram em guerra contra o Japão a 8 de Agosto de 1945. Mas os EUA, ao lançarem a bomba sobre Hiroxima a 6 de Agosto e sobre Nagasaqui a 9 de Agosto obrigaram à rendição incondicional do Japão. No dia 15 de Agosto, o imperador japonês anuncia aos súbditos a rendição, que é assinada, na baía de Tóquio, a 2 de Setembro de 1945, a bordo do navio norte-americano Missouri. Assim, e ao contrário do que aconteceu na Alemanha, os EUA não tiveram que dividir o território japonês com os russos.

Artigo aqui, na Revista Rubra.

Uma versão longa deste artigo foi publicado em «Hiroxima Transformada numa Montanha de Fumo», In PAÇO, António Simões, Os Anos de Salazar, 1943-1945, Lisboa, Planeta, 2008, pp. 112-120.

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18 Responses to Hiroxima, o sacrifício do Japão contra a URSS

  1. xico diz:

    Mas que mal pergunte. E porque raio é que a URSS tinha de entrar em guerra com o Japão? Ao contrário da Alemanha…
    Queria então a URSS a atacar um país que tinha atacado os EUA, e que lhe disputava o domínio do Pacífico?!
    Portanto o mal não foi a bomba de Hiroshima.
    O mal foi os EUA não terem repartido o bolo com a URSS.
    Isto soa-me a conversa entre bandidos.

    • Raquel Varela diz:

      O Japão invadiu diversas regiões da Ásia e da China. A URSS estava, aliás com sucesso, a começar a conseguir aumentar a defesa desses territórios depois da derrota do eixo na frente ocidental.
      Mas, claro, a divisão do bolo entre URSS e USA não trouxe nada de bom a ninguém. Mas o que aqui se trata não é do “bom” e do “mau” imperialismos mas de desmistificar a ideia da necessidade de usar a bomba atómica.

      • Carlos Carapeto diz:

        « E porque raio é que a URSS tinha de entrar em guerra com o Japão?»

        Se tivesse o cuidado de estudar um pouco de história não exibia agora a sua santa ignorância,.

        Sabia que o Japão ocupou indevidamente a parte sul da ilha Sacalina até Agosto de 1945.

        Sabia ainda o que foi a derrota dos Japoneses em Kalkin Gol frente ao exercito Soviético em 1939.

        Não tinham que repartir nada, deviam ter honrado o que ficou acordado em Yalta.

        Como não cumpriram neste caso, também não cumpriram na questão Coreana.
        Portanto o mal resume-se à falta de conhecimentos da história.

    • Vasco diz:

      Porque é que a URSS tinha que entrar em guerra com o Japão? Para cumprir os compromissos estabelecidos em torno da aliança anti-eixo, com EUA e Inglaterra (que tardaram em fazer semelhante coisa quando a URSS combatia quase só a Alemanha, a custo de 20 milhões de vidas). A bomba foi um crime temível, o pior crime da história, e não teve interesse militar. E se tivesse… Mas não teve. Foi prova de força, foi chantagem, foi mensagem para o mundo. E por isso pagaram – e pagam ainda hoje – milhões de japoneses. Em nome de quê? Do domínio mundial, actualmente agonizante, dos monopólios dos EUA…

    • A.Silva diz:

      “E porque raio é que a URSS tinha de entrar em guerra com o Japão?”
      Que pergunta estupida, ou insidiosa…, mas se é honesta e o xico é ignorante eu explico-lhe!

      É talvez, porque o Japão fazia parte da aliança fascista/Imperialista que estava em guerra com o mundo. Porque o que restando dessa macabra aliança fosse o Japão é normal que num espirito de solidariedade (e isto é um conceito que qualquer bronco de direita não percebe) a URSS continuasse a apoiar os seus aliados até a víbora (vulgo eixo) estar arrumada.

      É claro que a Raquel como boa historiadora de “gabinete” prefere a tese dos imperialismos e a estupida afirmação de que a vitória da URSS e do campo socialista não trouxe nada de bom a ninguém… Mas quando é que ela pensa que a maioria das coisas que estão a querer roubar aos trabalhadores da Europa e do mundo actualmente, se conquistou?

      Ai, ai… a dialéctica é uma coisa que faz muita falta a quem se dedica a qualquer ciência, é, é!

  2. Vasco diz:

    As bombas foram a primeira acção militar da guerra fria e não última acção militar da guerra contra o nazifascismo. O monopólio nuclear deu, nesses primeiros anos do pós-guerra, uma superioridade militar aos EUA, que estes não deixaram de aproveitar: divisão e intervenção na Coreia, instalação na Europa Ocidental, esmagamento da revolução grega… É de lembrar aqui o Apelo de Estocolmo, pela proibição da arma nuclear, que recolheu em todo o mundo mais de 500 milhões de assinaturas; é de salientar também a tentativa dos EUA, hoje, de voltarem aos tempos do monopólio atómico de facto, com o escudo antimíssil.

    • tóbom diz:

      Escudo antimíssil,o tanas!É como os bombardeiros Stealth q foi abaixo nos Balcãs,só para os imperialistas verem quão era furtivo….

    • Carlos Carapeto diz:

      A primeira ação da guerra fria aconteceu ainda o conflito não tinha terminado, foi a preparação da operação ” O Impensável” , estava a ser organizada por Churchill.
      As unidades do exército Nazi conforme se iam rendendo eram acontonadas de modo a ficarem prontas para uma futura agressão à URSS.

      O Alto Comando Soviético teve conhecimento da situação, deu ordens aos comandantes da três frentes (Jukov, Koniev e Rossokovski) para se dirigem a Berlim e tomar a cidade antes que o que restava da Wehmarcht se render às tropas aliadas.

      A II G G foi recheada de traições e oportunismo por parte dos governos Ocidentais.

      Os bombardeamentos das cidades Japonesas fez parte do mesmo jogo sujo.

    • LGF Lizard diz:

      Ao evitar uma Coreia unida em torno do genocida Kim-Il-Sung, os americanos e a ONU fizeram um gigantesco favor ao povo coreano. Ao ajudarem os democratas gregos contra os comunistas, acabaram por evitar que o povo grego ficasse debaixo da ditadura comunista.
      Ou seja, salvaram vidas humanas. Vidas essas que seriam mais uma estatística a acrescentar à longa lista de mortos, alegremente patrocinada pelos governos comunistas e docilmente apoiados pelos seus seguidores em todo o mundo.
      Felizmente, o comunismo já é apenas um capítulo negro na História da Humanidade, ao lado do nazismo e da escravatura.

      • Carlos Carapeto diz:

        Quem foi foi que fez essa previsão dos 5 milhões de mortos? Isso é propaganda para justificar o morticinio de milhares de civis inocentes.

        Desde os bombardeamentos de Maio que destruiram quase por completo Tóquio que o Conselho Supremo do Imperio ordenou que se efetuassem contatos para obtenção de uma paz honrosa.

        O Japão encontrava-se completamente destruido. Já não dispunha de forças navais nem de aviação.

        É verdade que o Almirante Koiso (primeiro ministro) propos transferir os cerca de 6 milhões de efetivos mobilizados ( a maior parte encontravam-se na China e na Coreia) e concentrá-los no arquipelago. Foi imediatamente demitido (2 de Abril 1945).

        Mais; Hirohito numa reunião de 21 de Maio notificou Kantaro Suzuki (primeiro ministro) que devia orientar-se por o relatório que o barão Koichi Kido tinha redigido, para pôr fim à guerra o mais cedo possível (memórias de Kido). De seguida o ministro dos negocios estrangeiros Japonês (Shigenori Togo) reuniu-se com o embaixador Soviético (Iákov Málik) a informá-lo das intenções dos Japoneses. Entretanto o Principe Konoye foi enviado a Moscovo par negociar diretamente com Molotov.
        Exatamente na mesma data Truman reuniu-se com os seus principais conselheiros ( memórias de Josef Grew) . A partir daí ficou tudo adiado com o argumento de esperar por as decisões que se iriam tomar em Potsdam (finais de Julho a 2 de Agosto).
        Depois assistiu-se a uma corrida estranha de todas as partes. Eram os japoneses a esforçarem-se por a mediação Sovietica. Eram os Soviéticos a transeferir freneticamente mais de 1,5 milhões de homens e material para o Extremo Oriente (135 000 comboios no espaço de 80 dias).

        E eram os Americanos a trabalhar sem descanso no projeto Manhattan para conseguirem a bomba antes que os Soviéticos entrassem na guerra.

        É isto que está escrito no relatório da Sociedade Japonesa de Investigação sobre a Guerra no Pacifico. Com o titulo em Castelhano “El dia más largo de Japón”. Em Francês “Le Plus long jour du Japon”.

        Só que esta gente não se quer dar ao trabalho de ler a história depois vêem para aqui escrever aldrabices saídas lá do imaginário deles tentado justificar a barbárie.

        Se fizerem o esforço de consultar as várias partes envolvidas no conflito, melhoram os vossos conhecimentos , poupam tempo e paciência a quem há muito se tem interessado por estas questões.

        • Carlos Carapeto diz:

          Ratifico; 35 000 comboios e não 135 000 como está escrito. Alguns tiveram que percorrer distâncias de 12 000 km (Gueorgui Zhukov).

      • Carlos Carapeto diz:

        Nem mais! Hoje também estão livrando o povo do Afeganistão dos terriveis comunistas, no Iraque igual, na Libia mais do mesmo, e na Síria também?

        Entretanto as mulheres na Arabia Saudita usufruiem de toda a liberdade?

        Não pretendo entrar em disputas macabras quem matou mais que quem, mas já que abordou esse tema era util que se esclarece-se melhor.
        Talvez deseje que lhe lembre quem foi amigo de Suharto e Pol Pot dois distintos democratas, respeitadores dos direitos humanos?

        Parece que está mesmo interessado em meter a cabeça no laço?

  3. Vasco diz:

    Eu que até estava a mais ou menos a concordar (inédito!) com a Raquel Varela, eis que ela estragou tudo, ao ceder a um comentário anti-soviético… É a sua natureza, como o escorpião da fábula…

  4. Vicente de Lisboa diz:

    Easy there. Ninguém disputa que as bombas foram uma demonstração de poder, e creio que também ninguém duvida que a guerra estivesse na mão das Nações Unidas em 1945, mas isso não significa que a Guerra estava terminada.

    A Alemanha estava ocupada, mas a “mainland” do Japão não tinha um par de botas Aliadas. E se nem a liderança Japonesa se ia render, nem os Aliados iam aceitar qualquer outro fim que não a rendição incondicional, seria preciso invadir o Império, e isso não ia ser bonito.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Invasion_of_Japan

    Como podem ver, é tudo guess-work, mas as estimativas de baixas, entre invasores e invadidos, andava nos Milhões. E os invasores seriam necessariamente os Americanos, porque os Russos não tinham barcos para o fazer.

    Mesmo entre os que argumentam pela não-necessidade do uso das bombas para levar à rendição é aceite que a alternativa às bombas e à invasão era o bombardeamento “estratégico”, que soa menos mau a comparar com “nukes” mas na prática era a estratégia usada em Dresden:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Firestorm

    Isto aplicado a várias cidades não seria menos mortífero que a Little Boy e a Fat Man.

    Portanto é fácil bater nos Yankees retroactivamente, mas em Agosto de 1945 eles ainda tinham uma série de questões pesadas com que lidar, e pouco conhecimento sobre bombas nucleares e os seus efeitos. Tomarem a iniciativa de as usar criava a oportunidade da rendição acelerada, poupava vidas e dinheiro americano, e avançava a ciência. Podem mesmo dizer que não fariam o mesmo no lugar do Truman?

  5. hobshawm_legacy diz:

    Ou de como o revisionismo histórico não é um mal exclusivo da direita. A seguir o quê: que Trotsky não esmagou Kronstad?

  6. altc diz:

    “Assim, e ao contrário do que aconteceu na Alemanha, os EUA não tiveram que dividir o território japonês com os russos.”

    Pensava eu que essa divisão nunca esteve em cima da mesa. Pensava que a contrapartida negociada pela URSS, pela entrada na guerra contra o Japão, tinha sido o reconhecimento, por parte dos EUA, da independência da Mongólia da China. Mas estava enganado… Eu e mais uns quantos… Atrever-me-ia até a dizer eu e muitos outros…
    Mas, pronto, a historiadora é a Raquel e, como tal, não omitiria, se fosse verdadeiro, este pequeno pormenor, pois não?

  7. LGF Lizard diz:

    Mais uma tentativa de falsificação da História para vilipendiar os americanos. Esquecem-se da determinação japonesa em resistir até ao último japonês. A estimativa americana para uma invasão do Japão apontava para 1 milhão de americanos e vários milhões de japoneses mortos. É sabido que, à medida que se aproximavam do Japão, a resistência japonesa aumentava e consequentemente, as baixas americanas.
    Paradoxalmente, ao obrigar os japoneses a renderem-se incondicionalmente e ao evitar uma invasão, as bombas atómicas acabaram por salvar vidas. Custaram meio milhão de vidas humanas, mas salvaram 5 milhões.

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