Uma espécie de viúva de Sócrates

Importante tem sido o facto de o BE se recusar a reflectir, em público, sobre o que aconteceu antes das legislativas – por exemplo a moção de censura ao Governo – e sobre os resultados eleitorais.

A entrevista de Rui Tavares ao Sol é conclusiva.
Tavares já assume estar numa estratosfera intelectual que lhe permite olhar com desdém quem milita em partidos. Para Tavares tudo se resolve com namoros entre deputados e com um sistema que desse sempre a vitória do PS mas no qual ele pudesse ser chamado a decidir quem se candidata à CMPorto. Provavelmente, Tavares já se sente a liderar uma tendência de colunistas e bem falantes, que negociará quotas de eleitos dentro do grande partido Democrático – sim porque o PS terá de americanizar o nome como fazem os mais “modernos” partidos europeus.
No discurso de Rui Tavares os desempregados e os pobres são um número do qual nem sempre se recorda, a esquerda um adjectivo para florear todas as frases, BE (à excepção da ala que entende ser social-democrata) e PCP são partidos de bestas e idiotas, o PS um partido que fez umas coisas menos bem mas que com o seu contributo encontrará o caminho. O aumento das desigualdades, os mais pobres, a precariedade, a corrupção, a emigração qualificada são temas que não se devem aprofundar muito para não aborrecer os deputados papoilas, que são tão giros e pensam tão bem mas, por responsabilidade, têm de votar sempre mal.

Sócrates sorri. Entre Bruxelas e Paris há um TGV político. Rui Tavares anda contente. Entre entrevistas e apresentações do seu manifesto ainda ninguém lhe perguntou o que fez pelo povo que o elegeu para o Parlamento Europeu. 

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