O nepotismo incha com a crise


(fonte)

Reza a lenda que um famoso tio de um ex-governante, sempre que tinha um interesse imobiliário numa qualquer autarquia, começava por oferecer os seus bons préstimos familiares ao correspondente edil. Uma simpatia tida como normal.
Recordo esta história a propósito da venda do Pavilhão Atlântico ao consórcio Arena Atlântico.
Para perceber o que está em causa é bom que se comece por escrever que este é um negócio ruinoso para o Estado, ainda que aparentemente vendido à proposta com o valor mais elevado. Todo o processo de construção do pavilhão custou, há escassos 14 anos, quase três vezes o valor pelo qual será agora alienado e, há pouco mais de um ano, anunciava-se ter triplicado os resultados, garantindo lucros de 725 mil euros.
Curiosamente, este negócio resulta em proveito de um grupo em que pontifica o genro do Presidente da República, Luís Montez – indivíduo envolvido em inúmeras notícias de alegados favorecimentos do Estado e processos em tribunal por dívidas astronómicas, e com uma estranha história de renegociação da dívida com o BPN revelada pela revista “Sábado”. É óbvio que não se quer defender que os elementos do clã Cavaco Silva devam estar inibidos de exercer actividades comerciais, mas não me pareceria exagerado que o Presidente da República moderasse a sanha familiar quando se trata de abocanhar as últimas partes lucrativas de um Estado do qual o próprio patriarca é o principal responsável.
Estando cada vez mais enraizada a lógica de compadrio e nepotismo entre as elites financeiras – basta passar os olhos pela repetição de apelidos dos mais altos cargos das principais empresas públicas e privadas –, restam poucas dúvidas de que Cavaco Silva terá tido um papel central neste negócio. Quer dele tenha tido conhecimento prévio, quer não.

Hoje no i

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21 respostas a O nepotismo incha com a crise

  1. Em primeiro lugar, uma correcção: os 725 mil euros de que fala não são lucros, são EBITDA (resultado antes de impostos, juros e amortizações). O lucro reportado na altura foi cerca de metade desse valor (http://m.negocios.pt/noticia.aspx?id=544385).

    Em segundo lugar, bem sei que a economia é uma disciplina maldita por estes lados, mas pode experimentar utilizar o bom senso. Por exemplo, pense quanto é que estaria disposto a pagar por algo que lhe desse 380 mil euros de lucro por ano. Pagaria 50 milhões? Se eu lhe propusesse uma troca em que o Tiago me daria 50 mil euros e, em troca, eu lhe desse 380 euros por ano, o Tiago aceitaria?

    Como liberal até gosto muito quando o Tiago expões os abusos e conflitos de interesse no Estado porque só demonstra os perigos de ter um estado gordo, mas neste caso, toda a conversa não passa de pura demagogia. O pavilhão foi vendido à empresa do genro do Cavaco Silva porque ninguém deu mais. E ninguém deu mais porque o pavilhão simplesmente não vale mais. Até é provável que quem o comprou tenha feito um mau negócio.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Carlos, em primeiro lugar, utilizei o EBITDA por ser o valor que melhor reproduz a receita que o Estado obteve. Ou os impostos iam directamente para os bolsos dos poucos que o vampirizam?

      O problema de fundo é que o Pavilhão Atlântico não devia ser vendido, o activo que constitui o lote e o edifício é muito superior aos 21 milhões. O exercício é, aliás, pouco lógico para um investidor. Então comprar um edifício é a mesma coisa que fazer uma aplicação financeira?
      Mas se quiser, aceito o desafio às cegas. Dou-lhe 21 mil euros, fico proprietário da sua casa e o Carlos paga-me 725 euros/ano. Aceita?

      • Samuel B diz:

        Tiago, em primeiro lugar comece a utilizar os termos certos para não cair na tentação da demagogia. Se utilizar o termo lucros, é de lucros que fala e nada mais. Se quer ser levado a sério, tem que ser sério nas suas afirmações e tem que ser correto nos termos que utiliza.

        Em segundo lugar, o seu texto não está coincidente com a sua afirmação à resposta de um post onde afirma que o pavilhão não deveria ser vendido. Pelo contrário, o seu texto é tendencioso de forma a levantar suspeitas sobre a forma como foi e a quem foi vendido o Pavilhão.

        Bem pode vir com as suas falinhas mansas aquando das respostas que dá porque o sentido do seu post é claro como água. Bem ao jeito da FoxNews. Aliás, tudo o que é extremismo é muito semelhante na forma e na semantica mudando apenas os alvos.

        Não sabia que tinha 21 mil euros na mão… Está-me a aparecer um pouco capitalista demais para o que costuma apregoar. Vamos ter cuidado na lingua se não ainda descobrem um qualquer rabo despido. Olhe os Camaradas…

        • De diz:

          Samuel B insta outrém a não cair na tentação da demagogia.
          Mais.Diz naquele tom de voz de burocrata oficioso que “se quer ser levado a sério” patati-patata, qual alma gentil a procurar que o rebanho entre na rede.
          Quem assim fala tem o supremo topete de, no último parágrafo, inquirir sobre o dinheiro na mão do Tiago. Para em seguida falar em rabos despidos e outras coisas mais ao jeito de uma série B.
          Afinal quem apela ao fim da demagogia revela-se no virar da esquina apenas um fala barato demagogo de trazer por casa.Quem fala no “vamos ser sérios” é afinal quem no fim do seu pedaço de prosa, se revela apenas um personagem de algum mau gosto…e uma patética hipocrisia.
          Sorry Samuel B mas quanto a tendenciosidade vossemecê vai bem à frente do pelotão.O rei vai nú,a mostrar que as falinhas mansas, não passam disso mesmo e escondem bastas vezes o extremismo escondido com o rabo de fora.
          (Nas tintas se o dito rabo está despido ou não.Isso são coisas que só devem interessar mesmo a um filme da série correspondente).

          Voltaremos para falar na substância da coisa.Ou da forma como um liberal da treta começa logo a salivar quando ouve falar em lucro.
          (Até a mãe põem à venda se necessário for)

          • Samuel B diz:

            Não viesse o meu caro com insultos e outras barbaridades, a fazer juizos de valor e, pasme-se, a (tentar) dar lições de demagogia… AHHHHH! Como se atreve, seu vilão; “Roubar e chamar a policia”! Tenha tento na escrita que já lhe chamaram malcriado aqui mesmo. E possivelmente também eram camaradas seus. Outro, com o rabo despido. Tem sorte que está um tempo bom para a praia. Mas mesmo assim muito me admira a sua falta de analise escrita. O meu caro que é sempre tão filosofico (malcriado) e mordaz (de baixo nível) não consegue ler o que provavelmente todos conseguiram. Quer um conselho? Eu dou na mesma: Deixe os livros um bocadinho e vá passear a um jardim. Sente-se num banco, alimente um pombos e vai ver que no final do dia está muito menos amargurado com a vida. Ou se está…

          • De diz:

            Caro?
            Mas desde quando?
            Completamente equivocado.
            Nisso e no seu comentário.

            Compreende-se que tenha ficado um pouco mal disposto com o facto de ter assim sido tão “exposto”.Mas isso a culpa não é minha.É apenas do carácter demagogo e da hipocrisia que pontua o seu comentário anterior.
            Ponto final parágrafo.

            Quanto ao seu novo comentário ele demonstra como foge quando confrontado com os factos mais simples…
            Eis o Samuel a procurar refúgio noutros textos e noutros posts, assumindo um tom excessivamente piegas
            Agora até se faz ecos de queixinhas…
            Lol.
            Oh Samuel b. Vá lá fazer um exercício de memória e vá procurar o que já lhe disseram.

            Depois pode seguir os seus conselhos.Valeu?
            🙂

          • De diz:

            Mas suspeito que toda a sua má disposição e o seu “comentário” hipócrita e demagogo resulte apenas de uma coisa.Não gosta que a canalha seja desmascarada…
            Não é só ela que o é.É o modelo de sociedade que esta defende.
            Sorry Samuel B.

  2. JgMenos diz:

    ‘…aparentemente vendido à proposta com o valor mais elevado’.
    O ‘aparentemente’ significa o quê?
    ‘…Cavaco Silva terá tido um papel central neste negócio. Quer dele tenha tido conhecimento prévio, quer não.’
    Estamo perante a óbvia centralidade da ignorância?
    Tudo me parece um miserável exercício de má-língua!

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      “aparentemente” porque não se sabe todos os contornos do negócio.
      “Cavaco Silva terá tido um papel central neste negócio” é óbvio o que se quer dizer para quem ler o texto.

  3. tóbom diz:

    Fico siderado pelos coments destes gaijos acima.Algo que vale 3X mais,mais os lucros posteriores-NÃO há dúvida de que foi um caldinho à maneira pr
    á famiglia cavacal,tal e qual,como as ‘acções’ do BPN.Esta merdaprecis a de ser ‘erase’.A ‘actividade’ empresarial está a ser subsidiada pelos partidos responsáveis,competentes e tolerantes e,do arco-do-governo(nao esquecer!!!!).Há de chegar o dia em que pGARÃO as ignominias de uma vez por todas.Barbárie,que vossas excªs não cessam de espalhar em nome da ‘democracia’ das corporações que nada teem de democráticas,para que vossas excelencias porcas,criminosas,e TERRORISR«TAS SAIBAM-HAVERÁ UM PAREDÃO PARA VOCÊS,seus filho da puta!

  4. tóbom diz:

    Tolerantes,quer dizer ‘RIGOROSOS’.Vê-se o ‘rigor’……..corruptos,pedófilos,traficantes e assassinos!!!!!!

  5. tóbom diz:

    Jogamenos com a cabeça e ao gajo das 3 ‘sande'(qq coisa criminosa,de guimarães) quero-vos dar os ‘sentimentos’ por esse portento da reserva pedófila,perdão, moral do PSD…..não me esqueço e,hão de levar nas ‘trombas’ sem dó nem piedade.Com que então,o caldinho estava feito para os vossos concorrentes do PSucialista,qdo Vª Excº,são muito mais tenebrosos….duarte lima,estão a ver?Batem, o PS aos pontos…..

  6. Edgar diz:

    Que não fica bem na fotografia, parece consensual. Sendo assim, pergunta-se: por que tirou a fotografia sabendo que todos iriam olhar para ela? Que se lixe a opinião dos outros!?

  7. شات diz:

    Subject of an interesting

  8. Samuel B diz:

    Pena que já não possa responder ao meu Caro De (o link de resposta já lá não se encontra). Estou de facto muito Espantado por o meu caro já não insultar tanto. Esses passeios já estão a dar efeito. Eu não lhe disse…

    De qualquer modo, e voltanto ao que era porque isto não pode ser tudo de uma vez só (se o patrão descobre que eu trabalho depressa dá-me mais trabalho), o meu caro não acrescenta nada. Diz umas meias frases, querendo puxar outros assuntos. De interessante nada! Nada de novo.

    Mas tenho que ser justo, pelo menos acertou numa: Na exposição. Falhou foi no alvo, porque a única coisa a que estive exposto foi ao sol, numa belas férias lá fora cá dentro. Então o meu caro quer expor-me? Também não deve abusar dos passeios, deve ir aumentando a intensidade devagarinho, para não abusar que o corpo já não tem 15 anos. Podemos ser muito jovens de cabeça (às vezes até demais) mas o corpo não perdoa.

    Deixe-me só colocar-lhe esta questão: Então o meu caro diz-me que eu salivo com o lucro? Não viu bem o post do seu camarada pois não? Sabe que isto da demagogia ás vezes é preciso outra pessoa, de fora, vir chamar a atenção porque nós estamos tão habituados a ela que nem damos por isso. Repare bem quantas vezes é mencionado essa palavra a cada discurso dos seus camaradas? 3? 30? 300? 3000? Bem vistas as coisas, anda muito camarada por aí a criar poças de saliva…

    • De diz:

      Samuel B.
      Por favor não se faça passar por parvo nem confunda os seus desejos com a realidade.
      O foguetório com que criva as suas intervenções agora passa pelas “confirmações” dos pretensos conselhos que dá?
      Lol.
      Que pobreza franciscana.

      Quanto ao resto nem vale a pena acrescentar mais nada para além de o aconselhar a uma nova leitura do já escrito, com o tempo adequado de modo a fazê-lo sem ser pressionado pelo tempo laboral que se lastimava há tempos que os funcionários públicos perdiam (mais “hipocrisias”).
      Mostrei que o “rei ia nu”.
      E que quem começava grandiloquente, não passava daquilo que eu já escrevi e que me abstenho de repetir.

      Quanto ao resto, sorry Samuel B. mas já passou. Fica para uma próxima,esperando que nessa altura abandone essa conversa mole e viscosa com que tenta atirar para o lado.

      • Samuel B diz:

        Não fica não,

        O meu caro pensa que é mas não o é: A si despacho-lhe em 5 minutos. É demasiado fácil desmacara-lo. Perde-se muito pouco tempo consigo, aliás de outra maneira recusaria-me. Fique descansado que o erário público não é afetado.

        O meu caro também recusa-se a tudo o que é confronto, quer de ideias quer de exemplos que tem para dar. Insulta, Adjetiva, insinua, acusa, etc etc. Assim qualquer pessoa é camarada, meu caro De.

        Fique bem e aproveite o bom tempo.

        • De diz:

          Não fica não.Pois então,sejam 5 minutos ou não.
          (enquanto rebola no tempo livre do funcionário público “especial”, recém-nomeado, que louva as medidas social-terroristas do governo,enquanto adjectiva os que não compreendem o alcance neoliberal do discurso do poder
          🙂
          Eu compreendo que Samuel”recusaria-se”. 6 de Agosto de 2012 at 10:16,7 de Agosto de 2012 at 9:33,9 de Agosto de 2012 at 11:01,10 de Agosto de 2012 at 9:47
          Eu simplesmente recuso-me a pactuar com .

          Agora andor contar os euros de que fala e os rabos despidos dos seus camaradas,enquanto conclama contra a tentação da demagogia e apela à seriedade.Via confronto de ideias ou de exemplos(!!!) que se tem para dar
          Notável
          🙂

          • Samuel B diz:

            Especial e recem nomeado é que não!!! Drogado, vá que não vá! Agora especial e recem nomeado!!!!

            Livra, que o meu caro é caso crónico! Parece aquele personagem do filme “Há petroleo no Beato” que passa tempo todo a fal mal da burguesia e o camandro… hilariante meu caro hilariante. Tal e qual como as suas crónicas… quer dizer manifestos… ou melhor textos! Vai uma bola de Berlim para desenjoar?

          • De diz:

            Pois é.
            O comentário inicial de Samuel B. foi apontado como incongruente,demagógico e hipócrita.
            Samuel Bê tenta fugir do facto.Mas por mais que dê…
            Sobra apenas palavreado oco, repetitivo… e inquieto.O que torna tudo isto num espectáculo assim para o patético

            Resta-lhe uma desculpa para o tom “tontinho”, etc e tal, do seu primeiro comentário.
            Ter sido escrito à pressa,depois de uma leitura também meteórica do comentário do Tiago.
            Afinal ele tem apenas 5 minutos disponíveis do seu horário em prol da nação e ao serviço do servidor governamental
            Citando-o: “A si despacho-lhe em 5 minutos. É demasiado fácil desmacara-lo. Perde-se muito pouco tempo consigo, aliás de outra maneira recusaria-me.”
            “Recusaria-se”.Pois então.
            Relevando os erros ortográficos…olhe que não,olhe que não!!!
            Sai uma bola de Berlim embora o rapaz goste muito mais de Berlim por outros motivos que os culinários.
            🙂

  9. Samuel B diz:

    AHHHH com que então também as come… ai não camarada e como deve gostar delas! Adiante. Sabe que o despacho em 5 minustos porque a bem da verdade nem preciso de escrever nada. Basta lê-lo para perceber o quanto a sua cabeça anda preocupada com guerras e revoluções e manifs etc, para se perder nesse rol de frases feitas que o meu caro anto gosta de berrar. Essa dos erros ortográficos é tipica: Sem nada para dizer, sobra o óbvio… todos diferentes todos iguais!
    Tontinho para estar ao mesmo nível do meu caro. Ou ainda não percebeu que o trato como a criança que é? Ai se isto desse para desenhar era tão mais fácil de os fazer perceber…

    Vai brincar com a roca, vai…

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