Intendente, com os de sempre e os de agora

Durante os fins-de-semana de Julho, o Largo do Intendente tem vindo a ser palco de diversas iniciativas de comemoração do fim das obras promovidas pela Câmara Municipal de Lisboa e que têm envolvido grande parte da comunidade local, sob o mote “Intendente, renasce um largo para a cidade”.
Com uma história de desencontros e disputas, esta zona nobre da cidade de Lisboa, ao longo das últimas décadas, foi sendo deixada ao abandono pelos poderes públicos e privados com responsabilidades naquele território. Como é normal suceder em situações semelhantes, o largo foi-se constituindo como um espaço de conflito no qual não era fácil estar ou passar.
Ao transferir para lá o seu gabinete, António Costa fez da recuperação do Largo do Intendente uma das suas mais mediáticas bandeiras.
Mas é com o fim das obras e o levantar da festa que começa a reabilitação.
Doravante é que se irá decidir se esta operação urbana se constituirá como mais um processo de gentrificação – expulsando quem viveu e trabalhou no local e abrindo as portas do largo à ganância da especulação imobiliária, numa operação tantas vezes dourada por empresários ditos culturais que sempre se disponibilizam para embelezar a limpeza a troco de bons patacos – ou se fará renascer o largo para a cidade com os de ontem e de hoje acolhendo os de amanhã, numa operação que leva mais tempo e dá mais trabalho a ser implementada.
Este é o braço-de-ferro que se disputa no Intendente, tal como em tantos outros processos semelhantes pelo mundo fora. Entre uma cidade asséptica, muito trendy e de rápido consumo e outra multicultural e interclassista com os de sempre e os de agora.

Hoje no i

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Uma resposta a Intendente, com os de sempre e os de agora

  1. Augusto diz:

    Esta fotografia é de que Largo do Intendente ?

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