«José Hermano Saraiva era um homem em regra bastante mal visto entre a larga maioria dos profissionais da História. E não apenas por possuir uma linguagem antiga e ostentar uma conceção muito ultrapassada do conhecimento histórico. Era-o, em boa parte, por razões compreensíveis para quem faz da História profissão ou a ela se dedica com rigor: uma dose importante da informação que foi fornecendo ao público em séries de televisão, em conferências públicas e em publicações esparsas, era quase completamente inventada, ou deduzida, sem grande cuidado, a partir de informações objetivas que depois desenvolvia ad libitum sob a forma de improviso»





Hermano Saraiva não será recordado pelo rigor histórico.
Será recordado por ter sido um comunicador ímpar. Um magnífico contador de histórias. E nisso, é insubstituível.
Os mortos enterram-se, ou são cremados. Ponto final. O José Hermano Saraiva é mais uma distração numa época em que não nos podemos distrair. O homem foi procurador à Câmara Corporativa? Pois foi. Mas a Maria de Lurdes Pintassilgo e o Francisco Pereira de Moura e o Adérito Sedas Nunes, entre outros, também foram. Por favor, não percamos tempo com irrelevâncias.
No entanto, foi um bom comunicador e ajudou alguns ao interesse pelos temas da História de Portugal. Não sejam tão radicais nas vossas críticas.
«Mas também era mal visto no meio por razões menos edificantes para quem o criticava…»
Não foi embora sem dizer que em Portugal não havia fascismo.
Queria dizer que não é fascista quem quer, mas quem pode.
Não me apetece falar deste Sr…..mas era bom que se falasse de um GRANDE SENHORA qe ontem morreu; Helena Cidade Moura!!!!
Já se percebeu que cada capelinha de historiadores, consoante a sua ideologia, tem a sua interpretação dos acontecimentos e “cozinha-os” de acordo com os interesses que defende. Põe ênfase, omite ou manipula segundo os interesses dos patrões que lhe encomendam a versão pretendida. Pelo meio da confusão espalhada entre o sleitores no futuro, os factos acabam por ser irrelevantes… e os actores que não são de primeiro plano que viveram de facto os acontecimentos quase nunca têm direito à palavra nas diversas versões das Histórias oficiais
Caro Rui Bebano
Perdoe-me discordar em absoluto. JH Saraiva não quis, nunca o disse, ser um historiador, mas um divulgador. Nisso, foi exímio e só posso encontrar razão para tão grande número de inimigos e difamadores pelo facto de ter contrariado a ideia feita – presunçosa, altaneira, socialmente racista – que os nossos pequenos académicos continuam a alimentar da cultura. A nossa universidade, tudo o demonstra, não serve nem a ciência, nem a sociedade; é pequena, provinciana, dada às mais desvairadas manias e disso não passa. Se lhe juntarmos a tara hierárquica,os formalismos barrocos e uma obediência quase ridícula a potestades tirânicas que infernizam a vida a quantos se atrevem abrir novas perspectivas, fica pouco mais que nada. O Professor Saraiva tinha um dom – raro entre nós, acabrunhados, cinzentos, envergonhados – de engalanar a comunicação; a inveja que isso causava entre os leitores de papeis era tremenda. Depois, foi um educador. Ensinou gente que não lia, que nunca se tinha sentado num banco de escola e sempre fora repelida pela dita cultura superior. A actividade editorial que animou, as palestras e programas televisivos que assinou, fizeram mais pela democratização da cultura que as pedanterias monocórdicas dos chamados “intelectuais”. Não veja em Saraiva um direitista ou um salazarista. Veja-o como um homem que fez aquilo que podia, num país atrasado, cheio de barreiras. Só assim o poderá avaliar sem preconceito.
A forma como os “profissionais” tratam a história, faz dela uma seca. Os historiadores são, por isso, uns chatos. E à história, também por isso, ainda antes de ser leccionada, não é dado qualquer relevo.
Isto devia ser suficiente para homenagear um homem que, com mais ou menos rigor, fez… História.
correção: carreira
Redacção da Guidinha
“E vai a gente julgou que tinha aparecido um filmito novo de propaganda porque vimos escrito no quadradinho O TEMPO E A ALMA e julgámos que era propaganda de relógios ou de detergentes porque o tempo lava mais branco principalmente em matéria de almas mas não senhor era propaganda do Camões mas não era para vender nada era só para a gente ficar a saber que ele não tinha um olho mas que isso não lhe fez falta nenhuma porque tinha outras coisas bestiais o meu pai que nestas coisas é bestialmente culto chamou-me e disse anda cá Guidinha vem aprender estas coisas para não ficares burra (…) tudo isto enfim tudo correu bestialmente bem até o doutor Saraiva começar a falar no Infante D. Henrique porque a partir daí foi um sarilho bestial primeiro porque ele disse que o que eu aprendi na escola quando ele era ministro não é verdade e eu aproveitei para dizer ao meu Pai uma coisa que eu até acho bestialmente certa sim o que eu disse foi o pai vê que não vale a pena estudar na escola? aprendi aquilo tudo e afinal é mito e agora querem por força que aprenda equações mas eu não vou nisso porque aposto que daqui a dois anos o senhor ministro da Educação vem dizer que as equações eram mitos e não vale a pena a gente cansar a cabeça com mitos.”
Luís Sttau Monteiro