“Se queremos ganhar, lutemos sem descansar” – Relato da Raquel Varela, em Madrid.

“A maioria dos cartazes são em defesa dos serviços públicos. Grita-se muito – ‘Uma só solução, banqueiros na prisão!’ e ‘Esta dívida não a pagamos!’. A CGT, de influência anarquista, pede a greve-geral, ao contrário da UGT, das Comisiones Obreras, da Esquerda Unida ou do PCE, que apesar de presentes não oferecem como saída a convocação de uma greve-geral, apostando tudo na realização de um referendo às medidas de austeridade, desinvestindo em mobilizações futuras. O processo lembra o da Geração à Rasca, no qual o Bloco de Esquerda apostou tudo na Lei Contra a Precariedade como única saída para o 12 de Março de 2011.

A Espanha está a responder às medidas anti-cíclicas económicas com uma crise política. É cedo para fazer projecções daqui para a frente mas o que se vê é uma crise dentro de sectores do Estado que não são comuns. Há uma clara incapacidade dos sindicatos tradicionais controlarem todas as manifestações. Decorrem várias por dia organizadas por sectores sociais muito diferentes. Muitas destas manifestações são decididas na base, dentro das empresas, das administrações públicas, dos hospitais e não só nas sedes dos sindicatos.

Apesar dos 40 graus o povo esteve na rua às centenas de milhares – talvez até sejam um milhão – é impossível de contar , com a polícia a derrubar o acesso ao congresso e a furar os pneus dos seus próprios carros anti-motim.”

Imagem retirada do artigo “El pueblo dice “no”, do Publico.es

Nota 1 – Há uma barreira de informação como não há memória. Desta feita não é só na comunicação social nacional, que poucas vezes nos habituou a mais, mas o que se está a passar no Estado Espanhol está desaparecido um pouco por toda a imprensa internacional.

Nota 2 – Espero que, no meio da azáfama que se vive por cá, sobre tempo ao Bruno Carvalho para meter os olhos no que se está a passar no Estado Espanhol, além das fronteiras do País Basco.

Nota 3 – A Raquel entretanto escreveu um relato mais preciso.

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