MAURITÂNIA – Zeinabou. Excisada, forçada a casar, violada e escravizada

Salão de Beleza em Nouakchoot, capital da Mauritânia. Foto RT

Tem 25 anos, Zeinabou Mint Mohamed, nasceu numa vila remota do Sul da Mauritânia. O seu percurso é o retrato vivo de muitas mulheres condenadas a casamentos forçados.

Zeinabou foi excisada poucos meses depois de nascer, prometida aos cinco, noiva aos onze e forçada a um casamento combinado aos 13 anos. O seu inferno ainda não acabou.

Apesar disso Zeinabou ganhou coragem para usar a curta margem que dispõem do seu livre arbítrio: “Vivia bem, tinha um casamento rico, mas não era feliz. Eu não gosto de falar mal do meu país, algo que é sempre usado com segundas intenções, e devo mesmo dizer que a única coisa que mudaria eram os casamentos forçados” (…) “O meu casamento foi combinado pelos meus pais, no sentido de me garantirem uma vida confortável, com um marido bem colocado, mas eu só sonhava em acabar com aquele pesadelo”.

Continue a ler, no i. A reportagem completa só está disponível na edição impressa.

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7 respostas a MAURITÂNIA – Zeinabou. Excisada, forçada a casar, violada e escravizada

  1. ould bilal diz:

    Caro Renato,

    gostava que me explicasse porque não publicou o meu comentário a esta sua reportagem… Já passaram alguns dias. prefere continuar a conversa em privado, ou desinteressou-o pura e simplesmente?

  2. ould bilal diz:

    caro Renato,
    escrevo este comentário porque já tive a oportunidade de falar consigo em várias ocasiões e sou um grande apaixonado da Mauritânia, pelo que me incomodou um pouco ler as suas reportagens sobre esse país. Poderemos retomar esta conversa mais atempadamente à mesa de um café, se assim o desejar algum dia, mas não quis deixar de fazer este reparo, no seu blogue, de que sou leitor assíduo.

    Por onde começar?
    Primeiro, sabendo eu que o renato é um homem atento às lutas de libertação e se vê (eventualmente) como um revolucionário, achei de uma desatenção e de um sensacionalismo gritante ter dedicado duas páginas da sua reportagem ao islamismo integrista e ao salafismo. E nem de passagem se refere à luta dos negros da Mauritânia, não explicando sequer as tensões que se vivem neste país, referindo-se apenas de passagem aos Haratine.

    É certo que o islamismo é uma questão preocupante e que nos últimos 3 ou 4 anos tem vindo a ganhar visibilidade. Sobretudo desde os raptos dos franceses na estrada de Aleg e, há 2 anos, de uma coluna de espanhóis na estrada de Nouadhibou. Não irei descorrer sobre a implantação ou não da Al’Qaeda na Mauritânia, só sei aquilo que muitos mauritanos sempre me contaram e o que parece ser lógico. Nas zonas de fronteira entre a Mauritânia e o Mali sempre houve banditagem e contrabando, gente armada que negociava desde tabaco a migrantes e provavelmente drogas (não sei.). Desde que surgiram essas histórias da Al’Qaeda, com o efeito de medo e o poder mediático e negocial que esse nome sugere, os raptos tornaram-se de longe o negócio mais lucrativo da região. Toda a gente fala em milhões de Euros (3) dados pelo governo espanhol para libertar os seus cidadãos. Actualmente estes grupos estão fortemente armados e cheios de dinheiro, devido à implosão e guerra civil no estado Lìbio e à debandada do exército Maliano, que deixou para trás o seu maior depósito de armas, que estava enterrado no deserto. Obviamente este tipo de poder e de desafio numa zona em que as fronteiras têm 40 e tal anos e nunca foram reconhecidas ou consideradas por uma larga maioria da população, tem um forte poder de atracção.

    Acho estranho não ter dado conta das tensões sociais e raciais que aumentam e do combate surdo que está em curso pela libertação da maioria negra da população, que está subjugada ao poder institucional dos mouros brancos.

    Acho estranho não ter falado da campanha de limpeza em curso que os Mouros brancos estão a tentar impôr na sequência da resolução da crise de 89.

    Acho incrível que não fale do movimento dos antigos escravos, os Haratine, e das restantes etnias negras, pelo direito à sua nacionalidade e à permanência no estado mauritano. E do movimento “Touche pas à ma nationalité”.

    Acho estranho que poucos meses depois de terem prendido o líder do IRA (o movimento pela abolição do esclavagismo e pelos direitos dos negros) por este ter queimado publicamente textos islâmicos malikitas. E de segundo creio, ele e a sua mulher, bem como parte dos seus próximos estarem actualmente presos.

    Acho estranho que não haja referência a que o actual chefe de estado mauritano (Azizz) foi o chefe da segurança do ditador (Taya) que esteve ligado aos massacres de 89. E que chegou ao poder num golpe de estado feito na sequência de um processo de investigação e reconciliação sobre os acontecimentos de 89, ordenados pelo primeiro governo supostamente democrático da Mauritânia…

    A esse propósito deixo-lhe apenas alguns links onde poderá informar-se melhor.
    w w w (ponto) youtube(ponto) com/watch?v=t-rquj5Rac8
    w w w (ponto)cridem(ponto)org/C_Info.php?article=631782
    w w w (ponto)youtube(ponto)com/watch?v=YqYoVYVgSq8&feature=related
    w w w(ponto)youtube(ponto)com/watch?v=8FS8xfw2gCk
    w w w(ponto)ira-mauritanie.asso-web(ponto)com/
    w w w(ponto)members.multimania(ponto)co.uk/flamnet/
    w w w(ponto) flamnet(ponto)info/
    w w w (ponto)flamnet(ponto)net/
    w w w (ponto) youtube(ponto)com/watch?v=Zta4KhVAkYc&feature=related
    w w w (ponto) youtube(ponto) com/watch?v=80QlMFfoUQI
    numa pesquisa por “eméutes” (motins) na Mauritânia ou “Touche pas a ma nationalité” poderá encontrar mais informação.

    De resto quanto ao artigo sobre a mulher excisada, forçada a casar, violada e escravizada. Não nego absolutamente que existem esses casos, e muitos, provavelmente!
    Mas tenho a dizer o seguinte: pelo pouco que sei, a mauritânia é um dos países islâmicos onde existe maior liberdade de costumes ao nível sexual. Exceptuando naturalmente os países como o Líbano (com maior influência ocidental). Qualquer pessoa que tenha passado de Marrocos para a Mauritânia se pode dar conta disso. A reforçar isso está a facilidade existente na Mauritânia (e anormal num país islâmico) que há em pedir o divórcio para um homem ou uma mulher. O divórcio é aliás um factor de prestígio. Uma pessoa abastada deve divorciar e casar-se várias vezes.
    Uma história como essa você poderia, infelizmente, encontrar em qualquer país africano (islâmico ou não). Provavelmente em muitas culuras asiáticas de hoje em dia também. Se recuar algumas décadas (não tantas assim), em portugal e na europa era coisa que não faltava, casamentos obrigatórios com violação nupcial, mulheres a viverem como escravas, etc., etc.

    Por isso tudo lamento profundamente a visão europocêntrica e sensacionalista que passa na sua reportagem, dando uma visão negra e aterradora da Mauritânia e não um território onde decorrem processos de luta muito fortes e difíceis, assentes em realidades de opressão violentíssimas.

    Um abraço

    p

    • Renato Teixeira diz:

      p,
      A reportagem versou dois temas, eventualmente longe de serem os mais importantes, mas são os temas que procurei e tive oportunidade de aflorar. Não se tratou, como é evidente, de uma reportagem de fundo sobre a Mauritânia.
      Obrigado pela leitura atenta e pelos comentários.

  3. Pingback: “ould bilal” – Mauritânia |

  4. ould bilal diz:

    Compreendo perfeitamente que assim seja.
    Mas devemos não esquecer que é isso mesmo que caracteriza o mau jornalismo (e na minha opinião, o jornalismo tout court, considerado na sua generalidade, com as honradas excepções que nos surpreendem espassadamente).

    Isto é, produzir conhecimento a partir de uma visão parcial e exterior (por isso, pouco informada) de uma realidade. Dando eco às ideias pré-existentes, que por não serem forjadas na prática são produto da ideologia dominante. É preciso tempo e muito cuidado para não sermos nós a caixa de ressonância dos preconceitos e da ideologia. Claro que para a maioria esmagadora dos portugueses a Mauritânia está associada a islamismo fundamentalista e a repressão sexual. Cabe a quem tem a oportunidade de conhecer qualquer terrirório mostrar a sua complexidade e desconstuir a mentira.

    Não me alongo mais. a conversa já vai longe.

    Outro abraço.

    p

    • Renato Teixeira diz:

      Partilhando uma parte importante das suas críticas, não vejo que a reportagem tenha caído nos estereótipos estabelecidos. Num e no outro caso procurei falar com pessoas que estão no território e dão uma opinião válida quer sobre o islão político quer sobre a repressão sobre as mulheres. É verdade que terei deixado muitos assuntos de fora, como é verdade a crítica geral de que se trata de uma reportagem superficial – o que eu gostaria que houvesse jornalismo suficiente para investigações de outra monta – mas não partilho dessa dimensão da sua crítica ainda que, como anteriormente, a agradeça pela forma fraterna como foi feita. Abraço.

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