Derrubar o Dr. Relvas é, também, derrubar a austeridade.

Alerta Vermelho – A partir de agora só manifestações pela revolução socialista. Qualquer coisa abaixo disso trata-se de uma capitulação sem palavra, uma violação a gosto e sem preservativo. Pena é que o Lenine não tenha vivido o suficiente para escrever o livro “Sectarismo – a doença senil do comunismo”. Elaborar a realidade para que ela não choque com as nossas teorias tem efeitos perversos, um dos quais, está visto, é não ver as vantagens políticas que tem o derrube do Dr. Relvas. Para lá de se mostrar onde está, de facto, o poder, há ainda a fragilidade que isso gera no governo e na austeridade. A sua continuidade, para lá de garantir uma boa fonte de inspiração para os humoristas, não acrescenta nada. Os de baixo continuarão com a terrível sensação de impotência e os de cima reforçarão a sua ilusão de impunidade. O Impeachment a um é meio caminho andado para a saída de cena de todos os outros e o Bruno Carvalho devia meter os olhos no PCP que além de estar farto de exigir que rolem cabeças (e outra, e outra) também já veio pedir a demissão do Dr. Relvas.

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15 Responses to Derrubar o Dr. Relvas é, também, derrubar a austeridade.

  1. Há aqui duas questões. Primeiro, eu sou contra a luta contra a “corrupção”. Acho que a ideia de corrupção se colocou como um véu entre os cidadãos e os políticos que permite que mude o governo e nada mude porque ninguém sabe nada sobre os políticos – só se sabe, genericamente, que todos são corruptos. Isto, em primeiro lugar, me leva a ter os dois pés atrás contra esta manifestação.

    Mas Relvas não é um ministro qualquer. É o homem que reparte os boys pelos jobs e os jobs pelos boys. Portanto é o elo de ligação entre o governo e o partido. Outros ministros, como o Alvarinho e o Gasparzinho não sabem fazer isto. Portas fará para o seu partido. Assim, estou disposto a condescender no meu combate ao combate à corrupção. Porque, apesar de continuar a achar que é um discurso que tenta fazer dos homens bodes expiatórios do sistema e que portanto serve à direita, também acho que Relvas é a viga mestra do governo. Cai Relvas agora; cai o governo dentro de 6 meses.

    • Renato Teixeira diz:

      Se a manifestação ajudar o Dr. Relvas a cair agora passamos a estar mais perto de fazer cair o governo dentro de seis meses. Não guarde mais pés atrás, portanto.

      • Não vou porque vivo fora de Portugal. Estarei aqui torcendo para que seja uma manifestação bem sucedida. Não obstante, lembro que a esquerda não pode abusar do argumento da corrupção. Serve para deitar políticos abaixo. Mas também serve para cortar na escola pública e no SNS.

        Mas neste caso, como é o Relvas (pelo que disse acima), faz-se como a minha avó: “perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe”.

        Abraço e muita força.

  2. Hugo diz:

    ‘bora lá derrubar mais algum – se alguém pudesse investigar isto:

    O Passos Coelho fez a licenciatura em Economia em 2 anos… que terá terminado em 2001, com 37 anos, segundo vem em todas as biografias.
    Contudo, há coisa de uma semana saiu um artigo no CM a branquear a coisa, dizendo que foi em 4 anos, terminando em 2003 aos 39 anos.
    Mas todas as anteriores informações que encontrei dizem o contrário. Onde está a verdade?

    Passos Coelho: “Podem ver o meu curso à vontade”
    CM foi conhecer onde se licenciaram os nossos políticos e em quê. Para ler no CM
    http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/passos-coelho-podem-ver-o-meu-curso-a-vontade

    “Em 1999, Passos Coelho resolveu prosseguir os seus cursos, iniciando a licenciatura de Economia, na Universidade Lusíada. Terminou a sua licenciatura em 2001, já com 37 anos de idade.” tirado daqui: http://www.fotosantesedepois.com/2012/04/13/pedro-passos-coelho/

    A wikipédia diz “É licenciado em Economia pela Universidade Lusíada de Lisboa, desde 2001. ”
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Passos_Coelho

    After dropping out the University of Lisbon he would enroll in 1999 for the Lusíada University from where he would be awarded a degree in economics in 2001, when he was 37 years old – http://en.wikipedia.org/wiki/Pedro_Passos_Coelho

    aqui tb aparece 2001: Aos 37 anos licenciou-se em Economia, na Universidade Lusíada de Lisboa -http://cidadelusa.blogspot.pt/2011/05/biografia-de-pedro-passos-coelho.html

    • Renato Teixeira diz:

      Upa, upa. Nada como começar a cutucar as tocas. Cairão por isso ou outra coisa qualquer. Um por um. Abriu a época do vale tudo para varrer da política esta gente, esta moral, estas ideias.

  3. Edgar diz:

    Estou convencido que o Alberto João pregou hoje o último prego no caixão porque já conhece a data do enterro.
    Como é habitual, há quem queira aparecer na fotografia.
    O “Arrastão” fica-se pelo “Relvas na rua, já”. Mas esta do “derrubar o Relvas é derrubar a austeridade” parece-me um bocado forçada.
    Então o Marcelo, o tal vice de Gaia, o Alberto João, o Balsemão e muitos outros que continuam no tiro ao boneco e estão mortinhos por ver o Relvas pelas costas também querem fragilizar o governo e acabar com a austeridade?
    Por este andar ainda aparece por aí o Seguro a chorar para que “não se acrescente instabilidade política à crise”.

    • Renato Teixeira diz:

      A austeridade e muito mais. A derrota do Relvas é também a derrota do Passos, do desemprego, da troika, da impunidade. É a derrota da chico espertiçe, do lamber de botas, dos negócios abjectos. Não garante vitória nenhuma, é certo, mas abre mais um caminho para que se comece a varrer esta pandilha para o museu de antiguidades.

      O cantar do Marcelo, do Bagão Félix, do Alberto João Jardim ou do poodle do Menezes mais não são do que o girar do turno ou do alarme que faz ressoar um ultimo assomo da vingança dos que já provaram, seguramente, o veneno do Dr. Relvas.
      http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=2667755

      • Rafael Ortega diz:

        Tenha juízo, alguma vez caindo o Governo a troika vai embora?
        Ou ganham estes outra vez, ou continuam a governar coligados com o PS.

        • Edgar diz:

          Claro, há sempre uma personagem nova ou reciclada pronta para assumir o papel.
          Esta luta é contra as políticas actuais e antigas que nos conduziram a este estado e das quais o sujeito em causa é tão responsável como os anteriores.
          Não queremos substituir o pacto de agressão por os PECs que o pariram.

  4. Luís Coelho diz:

    Por favor, façam um último apelo, pelo facebook, pelo twitter, por onde puderem, para que a manifestação desta tarde seja grande, contra a permanência de Miguel Relvas no governo.

    Temos de correr com este tipo, antes que seja tarde.

  5. João Pedro diz:

    Estou de acordo com o Bruno. É preciso dar consistência (ou mais consistência) à iniciativa, una vez que é tudo menos federadora de vontades consistentes. Ora isso não pode ser desvalorizado, como parece.

  6. ricardosantos diz:

    Mas nessa altura chamava-mos a santa aliança psd,cds,pcp, e
    be.

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  8. Vítor Vieira diz:

    Há umas ferramentas que me tem sido muito úteis: http://www.arquivo.pt ou http://www.archive.org

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