Algarve ao serviço de sua majestade

Ontem estive num debate, excelente, no Algarve. O custo da deslocação de carro de Lisboa, ir e vir, é de 130 euros, com gasolina e portagens.  Ou seja, é mais caro do que ir de Faro a Londres de avião. Para uma família algarvia de 4 pessoas vir de carro (ou de comboio, ou de autocarro) a Lisboa gasta mais de 1/4 do salário mínimo nacional. 

O que este valor nos diz é que as populações do Algarve estão – para garantir que os bancos saem da crise – enterradas na crise.

Portugal é um o país macrocéfalo. Este valor implica que estas populações estão afastadas de direitos sociais básicos – algumas especialidades hospitalares, mais universidades, serviços administrativos únicos, concertos de qualidade, cinema de qualidade, lojas especializadas, a maioria dos museus e um sem fim de coisas que só existem em Lisboa.

Um retrocesso semi medieval, que nem todos aceitam e há por lá um movimento contra o pagamento das portagens, neste caso, na via do Infante.

Ontem a A2, em pleno Julho, num Sábado, estava vazia. Os portugueses deixaram de andar nas autoestradas, o que para o governo é irrelevante, desde que a Mota Engil e os Mello continuem a receber o valor das portagens pelas PPPs; e que as autoestradas continuem a funcionar como rampa de exportações (os outros que consumam o que produzimos!). Os Algarvios são convidados a trabalhar sazonalmente a servir turistas e o resto do ano a vaguear à espera do próximo Verão.

Na Grécia 1/3 das pessoas usa a autoestrada e passa na portagem sem pagar. Ou seja, 1/3 das pessoas é vitima de tentativa de roubo e reage. 

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16 respostas a Algarve ao serviço de sua majestade

  1. Almeida diz:

    Não sabia que passar férias ao algarve ou consumismo em “lojas de qualidade” era agora defendido como um direito social básico. Para quando fica a proposta de aumentar os impostos para subsidiar viagens ao CCColombo?

    • Raquel Varela diz:

      As porcarias que se vendem no Colombo tb se vendem no Algarve, caro Almeida. Aos trabalhadores – os únicos que produzem valor – passar férias onde querem que queiram é um direito. E consumir em lojas de qualidade é-o também, porque estão a fazê-lo com o seu trabalho. Consumir com o trabalho dos outros – como fazem os bancos – é que me parece imoral.

      • licas diz:

        Esqueceu-se de HIERARQUIZAR essas *coisas*
        ____Aqui vai
        __1___Necessidades básicas: habitação, alimento, vestuário básico,
        __2___Livros, CDs (música), Museus, Cinema, Teatro, Futebol
        _2a___Ballet, Ópera, Concertos (música clássica)
        __3___Artigos de “luxo” : jóias, vestuário alta costura, viagens, férias no estrangeiro.

        ____a não ser o chavão Marxista : a cada um segundo as suas necessidades não sei se exigir-se tudo e não apenas __1 __não é
        mais do que parlapatice de esquerda-caviar . . .

        • licas diz:

          Algarvios são convidados a trabalhar sazonalmente a servir turistas e o resto do ano a vaguear à espera do próximo Verão.
          ____________
          Desde há cerca de 50 anos o Algarve bom o Turismo (no princípio só para estrangeiros) viveu da precariedade. Era (é) deprimente o espetáclo (espectáculo) das ruas de Lagos
          (por exemplo) fora da Estação : ruas quase desertas, comércio de portas fechadas e muita, muita, amargura.

        • Antónimo diz:

          aquilo a que chama chavão é da regra medieval de são bento.

          uma preciosidade imarcescível que já fazia sentido na altura.

      • Rafael Ortega diz:

        “Aos trabalhadores – os únicos que produzem valor – passar férias onde querem que queiram é um direito.”

        Calma lá. Direito a férias as pessoas, felizmente, têm; férias onde querem já é outra coisa. Se quiserem ir para o Brasil? Ou para o México? As pessoas têm direito a férias, mas para onde vão já está condicionado pelo salário que auferem.

        “E consumir em lojas de qualidade é-o também, porque estão a fazê-lo com o seu trabalho.”

        Desculpe lá, consumir produtos de lojas de qualidade não é direito nenhum (até acho estranho que uma comunista classifique consumo como direito). A pessoa consome aquilo que o seu salário pode pagar.
        Se a loja de qualidade abrir um estabelecimento no Algarve e meia dúzia de artigos forem os mesmos 130€ que referiu. Acha que a tal família de poucas posses vai lá comprar?

    • Bolota diz:

      Almeida,

      Sou um Algarvio residente na mui nobre cidade de Manuel Teixeira Gomes e a Raquel está carregada de razão.

      O custo da deslocação de carro de Lisboa, ao Algarve é mais caro do que ir de Faro a Londres .

      Quantos ás vias rapidas porque nem auto estradas são, o povo quando quer funciona, eu caso não me esqueça, não me mamam um tosto á Via do Infante se é do Infante e do Cavaco eles que a pague.

      Licas, e claro que os culpados são os marafados…

  2. José Monteiro diz:

    Tomara Portugal produzir para si próprio quanto mais para exportar. Poeira para os olhos.

  3. Mário Reis diz:

    Raquel, pagou a portagem, foi pela nacional ou passou a portagem sem pagar?

  4. licas diz:

    Desses estou farto de encontrar AQUI.

  5. Gentleman diz:

    Na Grécia 1/3 das pessoas usa a autoestrada e passa na portagem sem pagar. Ou seja, 1/3 das pessoas é vitima de tentativa de roubo e reage.

    É por essas e por outras que a Grécia está no buraco que está…

  6. FP diz:

    Também fui de Lisboa ao Algarve na passada semana. Paguei no total 19,5 euros na Rede de Expressos e a viagem demorou 2 horas e meia.

    • Raquel Varela diz:

      O que significa que se fosse com mais 3 pessoas, uma família, de 4, teria gasto, ir e vir, cerca de 160 euros.

  7. licas diz:

    Parabéns Raquel: a-pesar das *light, so called sciences* ainda
    não esqueceu a Tabuada (ou foi à calculadora?).

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