Jogo de espelhos

É sintomático que  a imagem que a imprensa escolheu para correr mundo deste magnífico dia de solidariedade da classe trabalhadora espanhola e mundial , e que mostra a força dos trabalhadores para derrotar as medidas anti cíclicas , seja a de uma mulher a levar porrada da polícia, uma imagem de derrota, que provoca medo. Quando é óbvio que para chegarem até ali os mineiros tiveram que vencer: a polícia, o Estado, a contrapropaganda, a consciência atrasada dos outros trabalhadores. 400 km a vencer e uma única foto, a da derrota.

Fonte BBC

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17 Responses to Jogo de espelhos

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    O facto da imagem que propões como símbolo ser a de um mineiro com o punho esquerdo erguido e ostentando um emblema da UGT também não é irrelevante, não é Raquel?

    • Raquel Varela diz:

      Tiago,
      Eu nem tinha visto o símbolo, embora não creia que acredites. Podemos escolher então outra. Mas não me parece que o comum dos mortais olhe para esta imagem e veja o símbolo do reformismo traidor – vê um mineiro que vence uma luta. A outra vê o Estado armado, que é aquilo que mantém, em parte, os trabalhadores amedrontados.
      Abç

    • JgMenos diz:

      Que tristeza!
      É só ideologia, és verdadeiro proletário se usares os meus símbolos.

  2. Nuno V. diz:

    Curiosa interpretação… vi essa imagem como uma quase vitória: são precisos 6 policias de anti-motim para controlar uma só mulher em protesto.

    • Raquel Varela diz:

      Optimismo seu. Não são precisos 6. Porque a polícia tem o monopólio das armas.Basta um para dar-lhe um tiro. 6 para a levarem.

    • notrivia diz:

      Pois é, eu cada vez acho mais que a bofia anda com moral porque a malta ainda está naquele registo de ir falando com eles apelando ao lado a humano das bestas. No dia em que as massas se erguerem sem atitudes apelativas e for pra cima deles a dar pau logo de entrada, das duas uma, ou usam balas a sério ou então chamam o exército.
      Tenho reparado que os fodidos são poucos, a maior parte deles passam o tempo todo borrados, até porque nem sabem bem porque razão são destacados para acções de protesto, etc.
      Só consigo pensar nas revoltas populares da Argentina em 2001 e Equador em 2005.
      A questão é saber se alguma vez a indignação atingirá tais níveis na europa.

  3. um gajo qualquer diz:

    Tiago: caso não saibas, a UGT espanhola não é bem a UGT portuguesa… E, com efeito, na indústria mineira asturiana é o sindicato historicamente mais representativo e combativo – malgrado a direcção nacional da UGT espanhola. Por isso, a imagem da Raquel não é nada irrelevante.

    • Tiago Mota Saraiva diz:
      • António Paço diz:

        Ò Tiago, olha que muita gente é capaz de não ver a notícia do link e levar à letra aquilo que dizes, com ironia, na frase acima.
        De qualquer modo, creio que o que a Raquel quer dizer é que nós devemos combater um tipo de representação dos trabalhadores e das suas lutas que nos apresenta como vítimas. Pode ser correcto, numa ou noutra situação, denunciar a repressão policial. Mas se a imagem que passa sistematicamente é de malta a levar porrada da polícia, gera-se uma cultura de vítima. E aumenta o medo (e a reverência) ao Estado. É como aqueles filmes que “denunciam” o recurso dos Estados a corpos de assassinos (estilo Nikita). De facto, o que eles tratam de infundir é o temor do Estado todo-poderoso, que sabe sempre o que estás a fazer e se quiser dar-te um tiro, é só chamar a Nikita. Ou o Nikita da Silva.

  4. jo, o índio diz:

    não percebes nada de sindicalismo em espanha, puto… o teu problema é não raras vezes falares e comentares daquilo que não sabes.

  5. PT diz:

    E em que mina é que a mocinha trabalha?

  6. Kropotkine diz:

    O comentário do Tiago define bem aquilo que tem sido talvez o grande problema das esquerdas e das lutas sociais quase desde o seu inicio: o sectarismo e as lutas por protagonismo. O que raios interessa se o gajo tem um toculante da UGT espanhola? Não é um mineiro? Não está em luta pelos seus direitos? Só temos de apoiar, se concordamos com a sua luta!

    Em todo, e percebendo de antemão o que é hoje o sindicalismo “light” dos sindicatos actuais demasiado agarrados a agendas partidárias, temos de entender que a UGT espanhola tem pouco a ver com a UGT portuguesa, até porque uma (juntamente com a CNT) foi das maiores forças mobilizadoras na guerra civil espanhola contra o fascismo, e a outra nem existia sequer nessa altura! Se há coisa que não se pode negar é o historial de luta da UGT espanhola.

    Por fim convém também entender que os sindicatos, apesar de controlados por dentro pelos partidos, são na realidade o que os trabalhadores querem que eles sejam. E os sindicatos só são controlados por dentro porque os trabalhadores querem, ou pelo menos, só actuam segundo directrizes e agendas de partidos, porque os trabalhadores o permitem.

    • Bruno Carvalho diz:

      E pronto, já vêm todos descarregar a simpatia pela UGT espanhola porque é diferente da portuguesa. Não. A UGT espanhola é uma ferramenta do PS como o é a UGT portuguesa com a diferença de que esta primeira existe desde o princípio do século XX e teve um importante papel na luta da classe trabalhadora. O PS e a UGT portuguesa são criações da burguesia para frenar o avanço do PCP e da CGTP. O PSOE e a UGT espanhola chegaram a esse ponto de forma diferente. Mas cumprem o mesmo papel. Contudo, a CGTP nada tem a ver com as Comisiones Obreras. Também elas influenciadas pelo PSOE e pela Esquerda Unida e que lentamente se foram transformando num instrumento dócil do capital.

      Mas isto não quer dizer – e creio que o Tiago não o queria dizer – que os mineiros sejam instrumentos do capital por estarem organizados na UGT. Aliás, bem que gostaria a UGT de ter mão em determinadas secções que a direcção não controla. Da mesma forma que acusam o Tiago de ser sectário, vocês são bem piores. Vêm destilar a vossa simpatia com a UGT lavando-a de todas as traições que cometeu só porque viram um mineiro com um autocolante. Portanto, antes de acusarem o Tiago pensem no que raio estão a dizer.

  7. rfl diz:

    Ainda bem que li “isto”.
    Nem tinha reparado que o mineiro tinha o emblema da UGT.
    Quer dizer:agora já pode apanhar porrada?é um traidor?
    Também não vi o emblema da mineira.
    Mas,certamente,estava a traír a classe operária.
    E,aos traidores,tiros e porrada.
    Na minha inocência,de pouca luta e pouca idade,tinha visto apenas um sinal de unidade entre o povo.
    Lá se foi o meu romantismo.

  8. Kirk diz:

    Off Topic
    Os serviços de saude deste país estão parados dois dias devido a greve dos médicos como forma de protesto contra a politica de destruição do SNS deste governo e nem uma palavra sobre isso neste blogue?!!!
    K

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