MANIFESTO DA “SLOW SCIENCE”

Nós somos cientistas. Nós não blogamos. Nós não twittamos. Fazemos as coisas a nosso ritmo.

Mas não nos levem a mal – dizemos sim para a ciência acelerada do início do século 21. Dizemos sim ao constante fluxo de periódicos avaliados por pares e a seu impacto; dizemos sim para blogs de ciência e para a necessidade de mídia e de relações públicas; dizemos sim à crescente especialização e diversificação em todas as disciplinas. Nós também dizemos sim para que a pesquisa dê retorno na saúde e na prosperidade futura. Todos nós estamos neste jogo também.

No entanto, sustentamos que isto não pode ser tudo. A ciência precisa de tempo para pensar. Ciência precisa de tempo para ler,e tempo para falhar. A ciência nem sempre sabe o que pode ser crucial agora. A ciência se desenvolve de modo inconstante,com movimentos bruscos e saltos imprevisíveis para a frente – ao mesmo tempo, no entanto, arrasta-se progredindo em umaescala de tempo muito lenta, para a qual deve haver espaço e para a qual a justiça deve ser feita.

A ciência lenta foi praticamente a única ciência concebível por centenas de anos; hoje, argumentamos, ela merece ser revivida e necessita proteção. A sociedade deve dar aos cientistas o tempo necessário, mas mais importante, os cientistas devem fazer aseu ritmo.

Precisamos de tempo para pensar. Precisamos de tempo para digerir. Precisamos de tempo para nos desentendermos, especialmente quanto à promoção do diálogo perdido entre as humanidades e as ciências naturais. Nós não podemos continuamente dizer o que nossa ciência significa, para que ela servirá, porque nós simplesmente ainda não sabemos. A ciência precisa de tempo.

– Fique connosco, enquanto pensamos.

Via José Carlos

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Uma resposta a MANIFESTO DA “SLOW SCIENCE”

  1. alias diz:

    Duas críticas:
    A leitura deste português do Brasil fez-me estoirar no mínimo 3 fusíveis. Fica aqui uma proposta para português de Portugal: (tendo por base o original em inglês)


    Manifesto pela “Ciência Lenta”

    Somos cientistas. Não usamos “blogs”. Não usamos o Twitter. Temos o nosso ritmo.

    Não nos interprete mal – até que apoiamos a “ciência acelerada” do século 21.
    Até que apoiamos o fluxo constante de publicações submetidas a revisão de pares bem como o seu impacto; até que apoiamos “blogs” científicos e as exigências jornalísticas e de relações públicas; até que apoiamos a crescente especialização e diversificação de todas as disciplinas; até que apoiamos a investigação científica potenciar os cuidados de saúde e a prosperidade futura. Todos fazemos parte deste ciclo.

    Contudo, reclamamos que ficarmo-nos por aqui é insuficiente. A Ciência exige tempo para pensar. A Ciência exige tempo para ler, e para errar. Nem sempre a Ciência reconhece o que tem por objecto a dado momento. O seu desenvolvimento é instável, errático, sujeito a avanços imprevisíveis – mas apenas lentamente, já que estes avanços exigem espaço para se consagrarem.

    Durante centenas de anos a “Ciência Lenta” foi o único tipo de Ciência que se praticou; hoje defendemos que esta deve ser revivida e protegida. A sociedade deverá permitir aos cientistas o tempo que a tarefa lhes exige, mas até mais importante que isso, que os cientistas levem o seu ritmo na sua execução.

    Precisamos de tempo para pensar. Precisamos de tempo para absorver a informação. Mesmo que nos desentendimentos, precisamos de tempo ao forjarmos os diálogos perdidos entre as humanidades e as ciências naturais. Não nos é possível descrever continuamente o que toda a nossa ciência significa; para o que a mesma servirá; simplesmente porque ainda não sabemos. A Ciência exige tempo.

    – Mantenha a atenção, enquanto pensamos.

    Entendo e concordo com a precupação geral patente no manifesto, mas espanta-me (mesmo num prossuposto em que se tratasse de uma mensagem de cientistas para leigos) uma certa ingenuidade não meramente formal que atravessa todo o texto (no original inglês).

    Mas então o melhor que se arranja por oposição a “Fast Science” (recebendo emprestada a designação na linha de “Fast Food”) é “Slow Science”? Que tal “Tradicional Science”/ “Ciência Tradicional”? Quando saímos para almoçar dizemos: vou ali fazer uma “refeição lenta” porque a rápida (fast food) faz-me mal? Ou dizemos talvez: hoje trouxe comida tradicional porque já enjoo do cheiro da fast food… sei lá…

    Em ciência pouco ou nada se define pela negativa. Por esta razão este “manifesto” não o é, pouco indo além da crítica oportuna que persegue.

    E por esta razão não me permito subscrevê-lo. Mas pelo menos deixem os principais destinatários do suposto manifesto entender a sua mensagem usando uma tradução decente, não se ficando por uma “Fast Translation” do google!

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