Continua aí, mano


imagem daqui

O rapper Valete publicou na sua página do facebook um texto violento sobre Miguel Relvas que foi muito partilhado naquela rede social e em que, entre outras coisas, acusava Relvas de se portar como um gangster. Uma das páginas que o partilharam, que posteriormente a apagou, foi a do “Ípsilon”, suplemento do “Público”. Vasco Câmara, editor do suplemento, alegou numa nota explicativa que o texto era uma “’explosão’ eminentemente pessoal” e excedia “a forma como nos devemos colocar no debate público”. Câmara acrescentou que, “tendo em conta o recente episódio entre o ‘Público’ e o ministro, esse cuidado deve ser redobrado”. Ou seja, o ministro não telefonou mas o editor procurou precaver-se, apagando.
Esta situação é cada vez mais recorrente e não se circunscreve a um jornal. Quando alguém assume uma posição política mais violenta e consequente contra o poder instituído é marginalizado. Normalmente pratica-se o silenciamento ao abrigo do decoro e, quando é demasiado estridente, surgem logo os autoproclamados guardiões da ética e dos bons costumes a zelar pela “independência” política da cultura. O “Ípsilon”, que não hesita em dar cobertura a diferentes expressões artísticas violentas – tantas vezes confrangedoramente gratuitas e inconsequentes, mas bem enquadradas numa galeria ou numa representação nacional –, não hesita em autocensurar-se perante as palavras violentas de um rapper.
O argumento em torno da “forma” é o primeiro passo para tornar censurável tudo o que for contundente para o poder. Num momento em que cada vez mais pessoas da cultura começam a radicalizar a sua forma de intervenção política, cumprindo aquilo que acredito ser o seu papel social, sobretudo neste momento histórico, importa denunciar todos os actos que tendam a silenciar as práticas mais politizadas.

Ontem no i

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

15 Responses to Continua aí, mano

  1. eu diz:

    Obrigado.Há muito que já não compro o jornal do supermercado,’portantos’,’a mim não me assiste’.Se fossem todos como eu,os jornaleiros teriam que ir levar no c*e,elas,na co*a!!
    Xicos espertos!

  2. imbondeiro diz:

    Afastando outros considerandos, a dúvida que agora se me coloca é só uma: onde está agora a tão histericamente propalada “longa mão angolana”? Aquilo que liga este caso de censura com aquele outro que teve como protagonista Pedro Rosa Mendes é uma só coisa: as farpas que, directa ( no caso de Valete) ou indirectamente ( no caso de Pedro Rosa Mendes), são lançadas a José Relvas. Dá que pensar… E não deixa de ser irónico que aqueles que gritam a altas vozes ser o regime angolano ditatorial vejam agora ( só agora?) comportamentos descaradamente censórios pegar de estaca no belo e frondoso jardim da democracia portuguesa. Ou a boa da Isabelinha dos Santos já comprou o “Público”?

  3. Luis Rainha diz:

    Ele não acusou “Relvas de se portar como um gangster”; chamou-o directamente “gangster”; o que não é de todo a mesma coisa. Isto nada tem de político ou lá o que é. É apenas colocar-se na mira, arrastando o jornal consigo, de processos perfeitamente escusados. E de forma gratuita e inconsequente.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Luis, não concordo nada contigo. Achas possível que o ministro processasse 2000 e tal pessoas que partilharam o texto? Não me parece.
      Acho que o episódio é menos inconsequente do que isso.

      • Luis Rainha diz:

        Não faz parte do papel de um jornal, seja em que suporte for, dar palco a bocas virulentas sem mais fundamento do que o das banais conversas de café.

  4. João diz:

    NOTA DO AUTOR DO POST:
    Hesitei em publicar o comentário que se segue. Dos poucos comentários que não publico 99% têm um teor racista ou homofóbico. Contudo, este comentário racista demonstra quão bem vive um fascista dentro do armário deste governo.

    Desculpem lá, mas são os gajos como o Valete que fazem de Portugal um país de m****. Vem um preto a viver dos rendimentos dos que se vêm na linha de Sintra a assaltar portugueses a sério, armado em ativista? Já para não falar das letras dele, onde está explícita uma auto-promoção. Vergonhoso, não é de gajos como tu que Portugal precisa. Para que isto ande para a frente é preciso respeito. O atual governo está a fazer um trabalho impecável, e não venham descarregar nos políticos que fazem pela vida, porque ladrões por ladrões, antes esses, ao menos não tornam os espaços públicos locais de criminalidade constante.

  5. Pingback: Miguel Relvas pelo rapper Valete |

  6. licas diz:

    Antes, muito antes, homofóbico do que
    ___________Vaginofóbico______*eles*
    ___________Penisfóbica_______*elas*

Os comentários estão fechados.