Fiesta

O Bloco de Esquerda propôs que um tipo de programação da televisão pública, RTP, fosse votado pelo Parlamento. Como uma parte dos seus eleitores são os fanáticos dos hábitos, que querem impor totalitariamente a toda a sociedade, o esforço, pensam, valeu a pena. No caso é contra as touradas, que a mim, como diz o outro, não me aquecem nem  arrefecem.

Mas pergunto-me, na minha ingenuidade, o que pensa a comissão de trabalhadores da RTP, o sindicato de jornalistas e todos os profissionais com esta medida? Votará em breve o Parlamento aquilo que eu estudo na Universidade?

Estou entre os que acham que o poder político não deve ter mais mas menos poderes, que este não é o nosso Estado e por isso tudo o que lhe dá poder é…poder a nós retirado. Só por isso não vou aqui propor que essa proibição seja estendida à transmissão dos debates parlamentares, espectáculo considerado consensualmente degradante, seja pelo tipo da tasca de Barrancos seja pelo senhor feudal do solar minhoto. Um espectáculo que sobrevive para que os deputados exorcizem o narcisismo e não sofram com a inutilidade da sua labuta diária. E do qual da direita só sai sangue – em matéria de legislação da nossa vida, ou seja, do trabalho -, ou, quando vem da esquerda e foi aprovado, podemos ter a garantir de que é algo inútil ou ficámos pior, como foi manifestamente o caso. As touradas continuam mas agora o Parlamento, pela mão do BE, tem um bocadinho mais legitimidade para votar a programação da RTP e o que mais vier…

A nossa sorte é, como escreveu Hemimngway, que O Sol Nasce Sempre

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