Marginalizar

Às vezes oiço alguns manos que traficam umas substâncias ilegais que mal dá pa’ fazerem 1000 euros por mês a auto-intitularem-se de Gangsters.
Inspirados por filmes de bairros étnicos norte americanos, pavoneiam-se insuflados sem a mínima noção da sua pequenez e da sua condição de vítimas.
Se querem inspirar-se com reais figuras do Gangsterismo, inspirem-se em Miguel Relvas. Certamente não dos maiores G’s do nosso país, mas pelo menos o G mais “ que sa foda”. Relvas é sem dúvida o governante mais street que eu conheci em Portugal.
– Coordenou os Serviços Secretos para espiarem a vida de personagens importantes ( empresários, políticos, jornalistas etc) da vida pública nacional quando ainda nem sequer era Ministro. Nem fazia parte do Governo e já recebia informação sobre tudo o que se fazia nos Serviços Secretos. Nem fazia parte do Governo e já coordenava aquela merda toda.
Chantageou e ameaçou uma jornalista do público para que esta não publicasse uma notícia a seu respeito e ainda foi absolvido pela ERC ( suposto órgão de regulação da comunicação social) , o que deu a entender que foi a jornalista que fabricou aquela história toda.
Demitiu Pedro Rosa Mendes da Antena 1 porque este na sua crónica semanal, fez o relato mais real e fidedigno sobre o regime angolano.
Orquestrou a ascensão de Passos Coelho a líder do PSD, com vários esquemas e sub- esquemas de bastidores dentro do partido.
Tentou desviar verbas comunitárias para a empresa de Passos Coelho, querendo forçar os arquitectos municipais a fazerem lá formação como contou Helena Roseta.
Faz licenciaturas num ano. Já lhe chamam a turbo-licenciatura.
É amigo pessoal de alguns dos maiores Gangsters do Regime Angolano.
Tem quase toda a comunicação social na mão ( Graças a “Deus” que não é toda) , porque está a gerir o processo de privatização da RTP, quando se sabe que não há mercado publicitário em Portugal para sustentar 3 canais privados em regime aberto. O que está a fazer com que o grupo “Impresa” e o grupo “Media Capital” andem cheio de medo do que vai fazer o Sr relvas.
Conhecido durante anos por ser o chibo do PSD ( e não só) que fornecia aos jornais quase todas as notícias chocantes sobre o partido ( e não só), para foder alguns companheiros de partido ( e não só) e para catapultar outros.
A minha admiração por Relvas é porque ele ainda é um Gangster à antiga como os G’s sicilianos do século 19, cujo o controlo e o poder era tanto que não tinham problema nenhum em dar a cara. Hoje a maioria dos G’s mais pesados nunca os vimos, escondem-se. Relvas ‘tá-se a cagar – siciliano old school. Toda a gente sabe que é um G, toda a gente sabe que é sujo, mas ele ‘tá-se a cagar. Continua aí.
Que sa foda style.

‎Este texto do Valete foi publicado, e mais tarde apagado por decisão de Vasco Câmara*, no facebook do Ípsilon. É a opinião do Valete, expressa da forma que ele entende.
O mais impressionante é que, desta vez, não creio que o Publico tenha recebido pressões. A censura instala-se exactamente no momento em que consegue espalhar a sua rede de pequenos censores, sempre cheios de “bom senso” e “moderação”. Este é o prototipo da cultura em que a “radicalidade” fica reservada a tudo o que não é político e a “política” reservada às “causas” que não provoquem uma alteração da ordem. Aguardemos as próximas exposições de falos dançantes de artistas de renome – que tantas vezes alegram as páginas da cultura do Público – e isolemos os marginais.

Acabei de apagar a partilha do texto do rapper Valete sobre Miguel Relvas. O Ípsilon é um suplemento do PÚBLICO e segundo as nossas regras éticas e deontológicas não podemos partilhar acusações que carecem de confirmação por fontes fidedignas. O impulso inicial foi dar voz a uma “canção de protesto” – tal como temos partilhado neste facebook crónicas e opiniões de outros jornais que, por polémicas que sejam, servem um debate que é também cultural. O texto de Valete sobre Miguel Relvas é uma “explosão” iminentemente pessoal e excede a forma como nos devemos colocar no debate público. Tendo em conta o recente “episódio” entre o PÚBLICO e o ministro, esse cuidado deve ser redobrado. A todos as nossas desculpas pela precipitação. Obrigado, Vasco Câmara

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