O que levou a esquerda parlamentar e a CGTP a ficar à margem do protesto pelo direito ao trabalho?

Via MSE.

O Movimento Sem Emprego volta hoje a reunir em Plenário e reafirma o convite a todos os que dizem lutar contra o desemprego e pelo direito ao trabalho. Em debate estará o balanço da primeira manifestação do MSE e perspectivas para o futuro desta luta, sendo que eu espero conseguir perceber, definitivamente, as agendas esdrúxulas dos suspeitos do costume.

A condição de precário, sub-empregado e desempregado, unificou militantes de praticamente todos os quadrantes da esquerda e pessoas sem qualquer tradição política e sindical, dando um exemplo cabal de que é possível pensar de forma diferente, decidir democraticamente e agir de forma centralizada.

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38 respostas a O que levou a esquerda parlamentar e a CGTP a ficar à margem do protesto pelo direito ao trabalho?

  1. MG diz:

    Se eu criar um movimento – tipo Blogueiros com Um Umbigo Maior que o Mediterrâneo (BUUMM) – e depois fizer um logo (e com uma sigla destas nem é difícil) e depois fizer uns cartazes, e depois marcar um manif, sei lá, para acabar com a fome no planeta, também posso escrever um post com o título «porque não esteve o MAS (o novo do Gil), o MSE (aquele do Renato), o PCP, o BE e a CGTP-IN na grande manif do BUUMM»?

    Um Abraço,

    • Renato Teixeira diz:

      MG, grande impressionismo esse relativamente quer ao MSE quer ao MAS.

      Naturalmente que um protesto de desempregados tinha a expectativa de contar com o apoio dos partidos da esquerda parlamentar e da CGTP. Note, a expectativa era sobretudo de grupo de desempregados que se organiza no MSE. Eu, como já por aqui terá lido, já não espero grande coisa desses mares há uma mão cheia de marés.

      • Baresi88 diz:

        Porque o MSE é que é e o resto já não tem o mesmo valor, nem são dignos de esquerda, e blá blá blá porque o MSE é que é!

        • Renato Teixeira diz:

          Não é. E por não se julgar convidou todos os outros a abraçar o protesto. Confunde quem acha que se basta.

  2. Miguel Miguéis diz:

    O que levou a esquerda parlamentar e a CGTP a ficar à margem do protesto pelo direito ao trabalho?

    1a hipótese – porque acharam que a Rubra e o MAS, aliança que realizou a manif, não os tratou suficientemente mal durante a organização e a chamada.

    2a hipótese – porque já sabiam que, organizada pelo MAS (ex-RupturaFER, ou seja, cisão do BE), e pela Rubra (ex-Ruptura/Fer), e tendo dos seus protagonistas (ex: Renato Teixeira) a habitual dedicação de ódio, prespectivaram que a manif ia ser um desfile o MAS salpicado por um ou outro Rubra e um ou outro activista.

    3a hipótese – porque num dia de sol, ao Sábado, passear com a Rubra e o MAS a gritarem slogans sobre a dívida numa manif sobre desemprego, era menos interessante do que ir para praia.

    4a hipótese – porque a praia de São João do Estoril, leva muito pouca gente, mas mesmo assim leva mais gente à rua do que a manif da Rubra+MAS.

    5a hipótese – porque as duas árvores que albergavam na sua sombra os 150 elementos do MAS mais os salpicos que andavam lá, já estavam cheias, por isso, quem fosse tinha de ficar ao sol.

    6a hipótese – porque acharam que o orçamento de 800€ para comprar megafones deve ter servidor para outra coisa qualquer que não foi divulgado ainda porque essa zona da transparência deve estar embaciada.

    7a hipótese – porque acham que o ataque, o insulto e a chantagem não são formas de fazer alianças políticas à esquerda.

    Deixa pensar?

  3. ricardosantos diz:

    Não entregam a organização das manifs aos profissionais do pc como eu já disse não se safam.

  4. Ana Menta diz:

    Se calhar porque existem pessoas dentro do movimento a escrever constantemente difamações dos mesmos e estes preferem respeitar e manter distância de onde não são realmente desejados, apesar do ‘convite’.

  5. Ana Menta diz:

    Quanto a quem acha que o MAS não é sectarista, soube na manifestação que o acampamento ‘jovens revolucionários’ (que raio de nome) resolveu acampar exactamente no mesmo fim-de-semana do acampamento pela paz. Nada sectarista, portanto.

    Continuo a achar que os desempregados membros do MSE não têm culpa de nada disto, portanto lá estarei hoje para dar o benefício da dúvida.

    • Renato Teixeira diz:

      Estarás hoje para tirar conclusões sobre o acampamento de “jovens revolucionários”? Não percebo a relação causa-efeito.

  6. Tiago diz:

    A questão é muito mais simples do que possa parecer. Falo por mim é claro.

    Em termos individuais porque é que não fui à manif que convocaram e porque é que vou a todas que posso que a CGTP-IN convoca.

    E conto a estória deste modo: Um conhecido meu ficou desempregado. É um tipo que se diz de esquerda, mas que em todas as oportunidades que tem… critica a CGTP-IN e o PCP, utilizando invariavelmente os mesmos argumentos que o capital inventa.

    E o meu conhecido diz-me epá vou fazer uma manifestação e quer que vocês venham. Mas atenção vocês não valem nada, vocês só emperram a luta.

    E o que é que eu lhe digo? Desculpa lá, fica para a próxima. É que eu sou “filho de boa gente” e gosto pouco de gente hipócrita.

    O mais interessante disto tudo é que da parte da CGTP-IN e do PCP não se ouviu uma única palavra de crítica à iniciativa. Uma única! Enquanto que sempre que a CGTP-IN ou o PCP fazem algo, são bombardeados.

    Em termos de querer unidade… estamos conversados.

    Faz lembrar o folheto “inaugural” que o MAS distribuiu numa manifestação e que eu recebi. Porque gosto de ler tudo.

    Então o MAS apelava à unidade de esquerda, mas no folheto brinda o PCP com “sectário”, “fechado”, “no poleiro”, entre outras. Chega a dizer que faz falta um partido de esquerda que fale da precariedade! Em termos de querer unidade… estamos conversados.

    Confesso que tinha algumas expectativas em termos da manifestação, porque acho que avançaram no trabalho. Deixaram o sofá e sairam à rua, com as forças que tinham. E isso é excelente para a Luta.

    O problema é o sectarismo atroz que está nas vossas cabeças. O problema é que em tudo o que fazem, em última analálise a batida final é na CGTP-IN, no PCP ou no Bloco.

    Esse é o problema. E se querem fazer parte da solução, deixem os sectarismos, e procurem mesmo a unidade. Vão sempre a tempo de o fazer.

    Agora obviamente não esperem marcar uma manifestação e depois que outros façam o trabalho. E pior : se a CGTP-IN ou o PCP se tivessem associado e mobilizado devidamente a vossa participação seria residual. Seria bom para o MSE? Obviamente que não. Teria a divulgação que teve? Claro que não. Seria a CGTP-IN acusava de instrumentalizar o MSE por parte do capital ou seria o MSE a dizer que a CGTP-IN se aproveitou da vossa iniciativa? Nunca saberemos.

    O facto de a comunicação social ter promovido durante dias e noticiado a manif como noticiou, também vos deveria preocupar. E porquê? Se o capital vos dá crédito, se o capital está interessado em publicitar o que vocês fazem… não há nada na vossa cabeçinha que suscite a pergunta… Que raio fazemos para que o capital não sinta o mínimo desconforto connosco?

    Uma ideia… será o vosso sectarismo? Será o facto de não perderem uma para criticar os outros movimentos de massas (sim a CGTP-IN é um movimento de massas, para quem não tenha pensado nisso) e o PCP? Será?

    Foram só alguns contributos e não pensem que não são dados com boa intenção.

  7. Augusto diz:

    Renato Teixeira, se a manifestação organizada pelo MSE foi um fiasco ( e falo pelo que vi no Camões), não se deve assacar responsabilidades aos outros.

    O MSE não se pode queixar da divulgação na Comunicação Social, quer antes quer depois da sua realização.

    Os desempregados não se mobilizaram, e estariam mobilizados só para fazer mais um desfile, e voltarem para casa todos contentinhos?

    Não começa a ser altura de pensar noutras formas de protesto mais mobilizadoras.

    • Renato Teixeira diz:

      Não considero que tenha sido um fiasco. Dezenas de desempregados organizaram-se no MSE e estão dispostos a continuar a luta. Poderia ter sido maior, é inegável, mas para isso não podem se só alguns a vencer o sectarismo.

  8. Vasco diz:

    Este blogue (teoricamente) de esquerda tá cheio de anticomunistas…

  9. Rascunho diz:

    nada de novo no que já é velho… salvo o erro, não me apetece agora pesquisar nos meus arquivos, em 2001 escrevi, para a extinta “A Capital”, a apelar a uma ordem dos desempregados e até “parodiava” com a criação de um sindicato dos desempregados. uma década depois (mais), observo o surgir do MSE.

    naquela altura, quando escrevi o artigo a fazer o apelo, publicaram-no. porém, quando o fizeram, não mencionaram a ordem nem o sindicato – optaram por “associação do desempregado”.

    tinha deixado um mail e um contacto telefónico. ninguém me escreveu, mas um “maluco” ligou-me, entusiasmado – e até me deu a ideia que teria formação em Direito, naquela de oficializar a coisa. claro que aquilo deu em nada. porquê claro? sectarismo?

  10. Nuno Rodrigues diz:

    Renato, eu ouvi as palavras de ordem que se gritaram na manif e aquilo não diz muito a quase nenhum desempregado. A “internacionalização” da luta, por exemplo, pouco diz á “esquerda parlamentar”, á “CGTP” e aos “portugueses”. Que o MSE nasceu condenado a morrer (rápido ou lento), é de fácil contestação. E que esses ataques aos partidos como se o MSE fosse um posso de razão, também não servem de nada. Eu como comunista sou sectário (eu preferia a palavra selectivo, mas pronto) sem que veja nisso um incoveniente: Sou do “sector” dos trabalhadores. E movimentos espontâneos do “lembrei.me que tou sem emprego” ou “lembrei.me que tou em crise”, pouco me dizem. Sou sincero.

  11. Tiago diz:

    O MSE convoca TODOS os partidos e sindicatos que se posicionam contra a TROIKA para participar na manifestação…o único partido que marca presença é o MAS…e é atacado 🙂 A posição não sectária deveria ter sido a não participação do MAS na manifestação, certo? 🙂 Ah, espera,o sectárismo está no facto do MAS ter um acampamento de jovens no mesmo fim de semana do acampamento da PAZ (que raio de nome). E para além disso, nesse fim de semana há o acampamento do BE e o festival de Sines…o MAS é tão sectário. O MAS é só feios porcos e maus 🙂

    • Tiago diz:

      Só dar a nota… que este comentário não foi escrito pelo mesmo “Tiago” que comentou anteriormente.

  12. Rocha diz:

    Renato, muita falta de humildade, muita ausência de autocrítica resulta em não se aprender nada e não se avançar na luta contra o capital.

    Esta seria em poucas palavras a resposta ao título deste post que faz um péssimo serviço à luta dos desempregados ao fugir à auto-crítica do MSE e lançar as culpas para os outros.

    Mas acho que vale a pena alongar-me um pouco mais.

    Muito francamente, o MSE, a Rubra e o MAS, os organizadores deste protesto, julgam ver muito bem as limitações do PCP, CGTP e BE. E daí que julgam ser fácil substituí-los. Ultrapassa-los como líderes de movimentos sociais. Mas não é fácil.

    Outros dentro deste movimento julgavam que a falta de uma organização dos desempregados era uma lacuna nos movimentos sociais do PCP, CGTP e BE fácil de preencher. Eu que nunca julguei tarefa fácil quer criar novos movimentos, quer fortalecer os movimentos sociais já existentes dei o benefício da dúvida ao MSE e participei no seu protesto no Porto.

    Quem esteve presente no Porto? Alguns comunistas e alguns anarquistas – uma ínfima minoria do tipo “vou a todas”. Bloquistas nem se viam. O consenso entre as conversas no fim da marcha era que toda a gente deu o benefício da dúvida ao participar numa coisa muito mal organizada. Posso dizer que se não fosse um comunista que lá estava (que não era eu) nem marcha teria havido.

    Será que ainda há quem seja tão ingénuo ao ponto de pensar que pode repetir o fenómeno da “manif da geração à rasca” no actual contexto?

    Por norma a luta social não caí do céu, custa muito trabalho, dinheiro, tempo e sacrifício. Qualquer erro de organização paga-se caro. E custa sobretudo responsabilizarmo-nos pelos nossos actos.

    • Renato Teixeira diz:

      Nem crítica, nem auto-crítica. Isso é para fazer no devido lugar. Aqui tratou-se apenas de colocar uma pergunta, cujas respostas dariam boas pistas quer para a crítica, quer para a auto-crítica.

  13. Pedro A. diz:

    caro Renato,

    permite-me que te diga que a resposta a esta tua pergunta e a todas as interrogações que lhe subjazem está, já, no título deste post: “O que levou a esquerda parlamentar e a CGTP a ficar à margem do protesto pelo direito ao trabalho?”

    O que levou a esquerda parlamentar e a CGTP, mega-conceito onde se contam organizações com largos milhares de militantes, sócios e apoiantes, representatividade colectiva à escala nacional e internacional, contando, várias destas organizações e instituições, com décadas (e décadas) de história de luta de massas, através de múltiplos quadros políticos e históricos, a ficar à margem do protesto pelo direito ao trabalho organizado pela recentemente criada plataforma “MAS”?

    A pergunta é auto-evidente 🙂 Só uma estrutura de princípios de pernas para o ar pode colocar as coisas nestes termos. E, para existir a tão necessária convergência, convenhamos, há que respeitar princípios elementares de organização. Não basta lançar a rede e acreditar que o resto vem por arrasto.

    • Renato Teixeira diz:

      É muito melhor mistificar, nomeadamente confundindo o MSE com o MAS.

      • Pedro A. diz:

        Peço desculpa, foi gralha. Obviamente queria escrever MSE.

        É muito melhor não responder, nomeadamente contornando o argumento…

        Noto, no entanto, que esta caixa de comentários é já bastante esclarecedora ao demonstrar quem foi, afinal, sectário.

        Uma noção cuja desmistificação talvez nunca tenha sido tão útil como agora, que movimentos recém-criados (nada contra: espero que venham a conseguir mobilizar o maior número de cidadãos e reforçar a luta de massas) a utilizam contra organizações com uma história que fala por si. Sectário, caro amigo, não é aquele que cá estava, que luta todos os dias, e que há-de continuar aqui a apoiar a luta daqui a muito tempo. Sectário é, sim, quem pensa que os outros têm sempre a obrigação de “ir atrás” da última palavra soprada ao vento.

        • Renato Teixeira diz:

          Está certo. Quem convida é sectário e se pergunta porque os convidados não foram, é duplamente sectário. Mais alguma conclusão brilhante?

          • Pedro A. diz:

            Não vos fica nada bem essa presunção de ingenuidade, quais virgens ofendidas.

            Sabem tão bem como qualquer pessoa que dirigir um convite não é panaceia para tudo, e, sobretudo, não iliba ninguém de coisa nenhuma. De resto, pelo modo como se concentram em atacar agora o PCP e a CGTP deixam bem claro, infelizmente, o nível de “boa vontade” implícito no “convite”.

          • Renato Teixeira diz:

            Se o que é feito é uma pergunta porque razão ela é entendida como um ataque?

  14. Dédé diz:

    Tens razão Renato, eu também estou lixado, convidei o Arménio Carlos para uma caracolada de convivio democrático-proletário e o gajo não apareceu.

  15. xatoo diz:

    Eu também veria com bons olhos o MSE legalizar-se num Sindicato – e fazer o mesmo tipo de luta que os sindicatos independentes (tanto da UGT como da CGTP) fazem. O único problema é que o MSE não tem um programa nem objectivos definidos. “Movimento sem Emprego” significa que, em primeira instância, lutam por conseguir empregos. Mas que empregos? sob as estruturas de poder do capitalismo? com um capitalismo recauchutado desde que libertário e anticomunista?; se seguirmos a tendência trotskista, então seguiremos também a sugestão de Passos Coelho: o mundo é grande, os proletários têm a sua nova oportunidade de fazer a revolução pelo emprego em qualquer parte – portanto emigrem.

  16. LAM diz:

    Vi as imagens da manifestação. Acho absolutamente lamentável que num país com as centenas de milhar de desempregados, tão poucos tivessem aderido. Não aceito justificações (ou melhor, não as entendo), de algum sectarismo por parte dos organizadores como justificação para a fraca adesão. A haver esse sectarismo, e admitindo que o há nomeadamente por parte das organizações que estão na génese do movimento, a divulgação dessas posições é tão restrita que não pode servir de justificação, para além de que o sectarismo é comum aos críticos e, de forma mais visível, diria ate palpável – puxando a cassete atrás, as reacções de responsáveis em plena manifs da CGTP… Não é por aí.
    Não há consciência de luta social como forma de inverter o ataque do capitalismo e o curso dos acontecimentos. . A mobilização no caso das manifs da CGTP, só maior em número, é ditada por compromissos partidários, não por consciência social, e isso é visível pelo marasmo de picar o ponto e desfiar umas cantigas do que, para a notícia, o que fica é o número de participantes, a “forma ordeira”, previsível, chata, com que decorreu e os resultados invariavelmente nikles que obteve.
    O MSE tem um trabalho imenso: tem de conseguir chamar MESMO os desempregados e os precários, não os “militantes” disponíveis à hora certa.

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