Pela enésima vez, uma iniciativa da “alternativa” a que falta um braço da esquerda e abundam muitas pernas da política de direita

Esclarecimento sobre um anunciado congresso

Quarta 27 de Junho de 2012

Face a várias solicitações de diferentes órgãos de comunicação social o PCP julga necessário esclarecer:

A propósito do anúncio de um referido “Congresso democrático das alternativas” têm sido atribuídas ao PCP alegadas posições de “bom acolhimento” ou “demarcação”.

Importa assim sublinhar que: não são possíveis “demarcações” de algo a que se é totalmente alheio e sobre o qual ainda não se tinha pronunciado; como é igualmente absurda qualquer confusão entre uma mera informação para dar a conhecer algo inteiramente já decidido e formatado por terceiros, com um qualquer alegado “bom acolhimento” que só abusivamente pode ser invocado.

Num quadro em que, movidos por uma sincera inquietação com o rumo de desastre do país, alguns se possam sentir atraídos pela iniciativa, o PCP considera necessário desde já registar a sua clara reserva quanto à sua natureza e origem.

O PCP sublinha que qualquer alternativa real – inseparável do desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do povo e incompatível com actos sectários e de objectiva marginalização – exige uma clara ruptura com a política de direita e os seus promotores nos últimos 36 anos (e não só com o actual governo) e a rejeição do Pacto de Agressão (e não com um pretendido reajustamento quanto à sua aplicação).

Digo eu: pela a enésima vez, uma iniciativa que se sustenta na mentira, anunciando a “participação do PCP”, quando está à vista, que se fez tudo para isolar o PCP.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

37 respostas a Pela enésima vez, uma iniciativa da “alternativa” a que falta um braço da esquerda e abundam muitas pernas da política de direita

  1. i.tavares diz:

    Mais uma vez, alguém anda a procurar protagonismo.

    • Kirk diz:

      Curioso. Nao vi em nenhum local da convocatoria que o PCP ou qq outro partido apoiam o congresso das alternativas. Vi um escrito que fala da participação de gente diversa entre a qual pessoas do PCP e também doutros partidos.
      Por outro lado o texto da convocatoria é tão inóquo que o PC o podia subscrever nas calmas.
      A não ser que o PC seja a favor do não pagamento puro e simples da dívida e não da respectiva auditoria. Porque quanto á denuncia do “acordo” com a troika parece que está toda a gente que assina convocatoria de acordo com o PC, ou seja, a sua denuncia. Mas admito que (eu) possa estar enganado.
      K

  2. Pascoal diz:

    Fiquei a saber que o 5dias.net é o orgão oficioso do PC na blogosfera.
    De qualquer forma obrigado pela informação.

    • Pedro Penilo diz:

      Não costuma ler o 5 Dias, parece-me. E se a informação não lhe agrada, não deixa de ser isso mesmo: informação. Para compensar a muita mentira e desinformação que para aí anda, com o contributo de muito boa gente.

      • André Silva diz:

        Proibição de referir posições do PCP no 5dias, JÁ – diz o amigo e democrata Pascoal. O que vale é que a gente ri-se na cara dele.

    • Samuel diz:

      Ó Pascoal… vê-se que não pesca lá muito de blogues… e muito menos deste em particular. 🙂
      Em compensação, parabéns pelo bacalhau! Sou grande “fan”! 🙂

  3. Augusto diz:

    “Algo inteiramente decidido e formatado por terceiros”

    Por outras palavras não somos nós que organizamos, nem controlamos.

    Mas o futuro dirá, senão serão só meras palavras de circunstância, e até Outubro o PCP não revê a sua posição.

    • Rocha diz:

      O Bloco de Esquerda de mão dada com o PS, tal como aconteceu em campanhas do Alegre já por duas vezes e chateados porque o PCP não se junta à festa.

      Sabe que até nos fazem um favor? Estou a falar de vocês bloquistas. É que desde que o Bloco decidiu ser o partido-moleta do PS, os arrivistas infiltrados no PCP nunca mais piaram (os ex-famosos agora totalmente desconhecidos “renovadores”).

      Da minha parte um sincero obrigado.

      Quanto aos companheiros de luta – à gente de esquerda que é gente séria – que não se misturam com oportunistas. Vemo nos na rua, o único lugar onde os congressos de esquerda realmente acontecem, sem truques, sem marketing e sem demagogia.

      • Kirk diz:

        Nao me diga que Vc esta a falar das manifs que a Inter tem levado a cabo (incluindo o 1º de maio) quando se refere a congressos de esquerda. É que se está bem fodidos estamos com esses congressos.
        Meu caro, Vc ainda nao se apercebeu duma coisa básica: a Inter existe para controlar os movimentos populares, não existe para encabeçar a sua revolta nem a indignação dos trabalhadores.
        Olho para a primeira manif da Inter sob a batuta de Armenio Carlos e olho para o ultimo 1º de Maio e não vejo uma unica diferença qualitativa entre uma e outra. Pior, acho que a manif que lançou o Arménio foi bem mais combativa e significativa que o 1º de Maio. É isso mesmo, em matéria de direcção da luta dos trabalhadores estamos a andar para trás ou, quando muito, estamos parados.
        K

        • Rocha diz:

          Só mesmo um provocador para me perguntar que acções de rua estou a falar.

          Você é polícia à paisana ou anda só a treinar?

      • Edgar diz:

        Mais uma iniciativa!? Congresso de cidadãos e cidadãs? Convocado, entre outros, por dirigentes do BE e dissidentes do PCP? É o sonho de um Syriza eleitoral caseiro?
        Estou admirado pelo Manuel Alegre ainda não ter aparecido.
        Por que não falaram antes de “decidir e formatar”? Quem realmente pretende romper com esta política e “construir em conjunto uma alternativa à política de desastre nacional” pode ignorar o PCP?
        Aceito que possa haver alguma boa intenção e ilusão (e confusão) pelo meio dos apoiantes mas boas intenções e ilusões não chegam e, às vezes, como diz o povo está delas o inferno cheio.

  4. Samuel diz:

    Mais do mesmo!
    …mas já enjoa um ‘cadito. 🙂 🙂

    • Kirk diz:

      É, mais do mesmo.
      Ficamos á espera de iniciativas dos NAC’s(*) do PC tendentes a criar pontes com outras estruturas organizadas da Esquerda portuguesa. A não ser, claro, a não ser que o PC seja a unica estrutura da Esquerda aqui do burgo. Ah, CDU e Verdes não contam , ok? Isso é para inglês ver, camaradas. Eu falo mesmo de OUTRAS estruturas organizadas da Esquerda lusa.
      K
      (*) Nossos Alegres Compnaheiros

  5. LAM diz:

    O caminho faz-se caminhando. Não é a 1ª vez nem será a última que perante determinadas circunstâncias se juntam forças e personalidades que não comungam os mesmos ideais nem perseguem os mesmos fins. Este é mais um desses casos e só a amplitude e o congregar de forças contrárias ao actual poder (é do actual poder que se trata agora, não dum passado tão responsável como este agora, nem dum futuro se calhar pior ainda), será capaz de o pôr em causa e criar a raiz popular que o destitua. A auto-marginalização de partidos políticos ou correntes de opinião de oposição em relação a estes movimentos, a pretextos de formalidades que sabem ser incomportáveis para que esses movimentos ou acções ganhem corpo significativo (a ver vamos, se não sairmos da concha é que não conseguimos nada), sendo legítima, representa também uma demissão de tomar parte activa numa frente de luta pela exigência de alternativa mais dignas.
    Mas o congresso é só em outubro, daqui até lá muitas posições e circunstâncias podem alterar muita coisa.

    • Pedro Penilo diz:

      O PCP não é um bando de caciques. É um partido político responsável, com uma base militante considerável e com uma democracia interna que é para exercer de facto. Assim, se se deseja a efectiva participação dos partidos – e não a seu afastamento antecipado – há procedimentos normais de respeito, que são comuns A QUALQUER ORGANIZAÇÃO, e que não se compadecem com “convites à última da hora”, envenenados, portanto.

      • LAM diz:

        Pedro Penilo, eu não conheço quais foram os procedimentos que foram usados no caso. O mais certo é o Pedro não os conhecer também. Ou seja, se vamos por aí, vamos andar às vozes reféns de sectarismos que (admitamos) são comuns e das respectivas versões; tudo o que se dispensa, concordemos. A questão que coloquei não é essa: foi elaborado um documento, uma plataforma mínima de convergência cujo principal objectivo (o rompimento com o programa da troika) é, tanto quanto se sabe, comum a esse grupo de pessoas (tanto quanto me apercebo, as assinaturas são individuais, não de partidos), e a pessoas que militam ou simpatizam com o PCP. Evidentemente, mesmo não sendo uma organização de partidos enquanto tal, ela deverá ser discutida dentro dos partidos e estes incentivarem ou não os seus membros a lhe darem o apoio. Ou seja, se não houve(?), também creio que não deveria ter havido “um convite” formal ao PCP enquanto tal. Há uma subscrição pública de apoio, individual, quem quer apoia quem não quer não apoia.
        (muito francamente, sempre pensei que o partido a ficar mais entalado com isto fosse o PS, mas enfim…)

        • Pedro Penilo diz:

          Estamos portanto a falar de procedimentos. Pergunto: individual porquê? Desde quando uma “alternativa” passa pelo “esquecimento” dos partidos? Porque é que é mais credível se for discutida ao nível individual? Não será porque, nesse tabuleiro, nem todos os indivíduos têm acesso aos mesmos protagonismos? Não será porque aí se anula a força real das forças em jogo?

          Não será individual para escamotear a responsabilidade do PS nas políticas que nos conduziram até aqui?

          Não será individual para precisamente impedir o PCP de fazer exigências quanto aos conteúdos da iniciativa? Não será individual precisamente porque se sabe que um militante do PCP, um verdadeiro militante do PCP – como é o meu caso – nunca assinaria a título individual qualquer iniciativa deste teor sem ter sido discutida e aprovada no Partido, pois é isso que nos distingue dos restantes partidos?

          • LAM diz:

            Pedro Penilo, não vamos tão longe, ressalvemos que o que está em causa não é “uma alternativa”. Quanto muito é uma coisa que poderá contribuir para a construção de uma alternativa. Para já é um amontoado de nomes, com uma proposta positiva, mas tão só, a ver vamos…

            A sua preocupação quanto aos protagonismos é legítima. A minha leitura sobre esses protagonismos vem no entanto pelo lado oposto: até que ponto estruturas organizadas não inquinarão e possam obstaculizar a participação e contributo de mais pessoas, o surgimento de novas propostas que ampliem e democratizem o movimento, libertando-o de caminhos que, como vimos assistindo até aqui, o têm definhando de dia para dia.
            É só.

    • Edgar diz:

      O “actual poder” não caiu do céu, não é filho da crise. Foi parido, criado e alimentado pelas políticas dos “poderes” dos últimos 36 anos.
      Querer começar um novo caminho ignorando esta realidade, pode ser ingenuidade (se é que há muitos ingénuos entre os promotores e os que vão “juntando à primeira vaga “) mas, na minha opinião, parece mais um processo de lavagem e reciclagem com fins eleitorais.
      Aliás, é sintomático que alguns entusiásticos aderentes insistam na “responsabilidade partilhada de toda esquerda”, nos “erros da esquerda”, na estafada mentida da queda do governo Sócrates por culpa do PCP.

      • LAM diz:

        Ingenuidade, Edgar, é achar que um grupo de moicanos, por muita razão e vontade que tenham, conseguem mudar alguma coisa. Muito menos, com a força que por ora dispõem, “começar um caminho novo”.
        Quanto ao resto do que diz é bem provável que tenha razão. Mais uma razão para não ficar de fora a ver o jogo da bancada.

  6. Augusto diz:

    Eu sei caros amigos do PCP, que este Congresso não vai tão longe, como a vossa CELEBRE proposta de , UNIDADE DE TODOS OS PORTUGUESES HONRADOS……

    Eu sei que este tipo de Congressos aberto a TODAS as sensibilidades da Esquerda não vai conduzir a nenhuma Revolução Democrática e Nacional, nem a nenhum governo PATRIÓTICO e de esquerda….. nem é esse seu objectivo.

    Trata-se e tão só de unir todos os que possam ser unidos contra o Governo da Troika .

    E de um debate amplo livre e aberto, poderem sair algumas propostas mobilizadoras, para o combate á crise e aos ditames da Sra. Merkel.

    A situação actual, exige muito mais de cada militante da esquerda, do que arrufos de Prima-Dona, ou tiradas de virgens ofendidas .

    Quem se quiser isolar no seu casulo, que o faça, mas deveria meditar sobre o que se passou na Grécia, com o KKE.

    • Edgar diz:

      “Propostas mobilizadoras para o combate à crise e aos ditames da Sra. Merkel”, “contra o Governo da Troika”? São esses os objectivos?
      E qual é o”Governo da Troika”, Augusto, é este ou o que chamou a troika e assinou o pacto de agressão? Ou são os dois, que os partidos dos dois (PS, PSD e CDS) estão unidos na insistência de se cumprir o pacto?

  7. Vasco diz:

    Lembra-me o comício do Trindade ou a candidatura do Alegre… só gente de «esquerda» mais preocupada em ganhar protagonismo do que em construir reais alternativas e em procurar por cima colmatar as insuficiências que tem na base. E, claro, em isolar o PCP, que cada vez mais parece ser o seu objectivo. Obrigado, Pedro, pelo contributo.

  8. Joaquim diz:

    O muito apoio que a comunicação social do sistema, lhe (ao manifesto) está a dar, tem claro significado politico.

  9. Rafael diz:

    Longe de mim aqui defender essa manobra de branqueamento do PS que é esse dito congresso de alternativa democrática, mas o PCP a condenar sectarismos é o proverbial roto a falar do nu.

  10. closer diz:

    Não sei se é o PCP que é marginalizado, ou se é o PCP que se auto-marginaliza.

    Mas há duas coisas que me parecem claras: Nenhuma alternativa de esquerda faz sentido sem o PCP. O PCP por si só não tem condições para protagonizar uma alternativa credível.

    O que fazer neste caso?

    • Pedro Penilo diz:

      De acordo. A resposta é simples: apresentar uma vontade credível de discutir com o PCP, enquanto partido essencial para a alternativa, em termos correctos e transparentes, discutindo com ele antes da iniciativa, os moldes e os objectivos da iniciativa, e não arquitectando-a precisamente para impedir que nela participe.

      • closer diz:

        Pedro

        Antes das eleições houve um encontro de alto nível entre o PCP e o BE no Parlamento. Porque é que não houve mais? Porque é que os dois principais partidos da esquerda portuguesa nem sequer dialogam? Porque é que se tratam com grande desconfiança e como adversários, quando em 95% das situações estão de acordo no Parlamento?

        O caminho que na Europa se tem seguido é para a unidade da esquerda, com excepção de Portugal e da Grécia. Assim tem sucedido em Espanha, França, Alemanha, Itália e Irlanda, por exemplo. Se os dois partidos pertencem ao mesmo grupo parlamentar no PE, porque é que as coisas continuam assim? Não acha que chegou a altura de ultrapassar as más vontades, as intrigas de capelinha, os sectarismos estéreis de um e de outro lado?

    • Rui F diz:

      O PC sem meter a mão na coisa nunca está pelos ajustes.

  11. João diz:

    Outra vez? Primeiro foi o Soares, depois as papoilas do Rui Tavares, agora é isto? Começa a perder originalidade, esta convulsão esquizofrénica da pequena burguesia reformista para impedir a sua própria proletarização e obstar, simultaneamente, à mobilização da classe trabalhadora. Não por acaso, o partido de classe desta última foi deixado de fora. Mas isto a gente já sabe que nas sociedades só há «indivíduos» e que são esses «indivíduos» que tomam posições. Essa das classes é uma boa tralha.

  12. Orlando diz:

    É mais do mesmo, querem fazer coisas “bonitas”, para inglês ver, e querem que o PCP assine por baixo. Faz bem o PCP em não alilhar nestas fantochadas. Querem discutir ideias e alternativas, então em conjunto discutam, e depois façam então o tal decumento preparatório em conjunto e com contribuições de todos. Esta história de impor aos outros, coisas já previamente debatidas e discutidas, Chama-se o quê ??????
    Será que têm medo que os comunistas, contribuam mais do que os “protagonistas”, lol lol lol (uma boquinha).
    A sério, querem alternativas, falem de peito aberto com TODOS, incluindo claro está o PCP.

  13. Luis Nobre diz:

    Estive a ver os subscritores e fico feliz por ter deixado de votar BE quando eles se tornaram o braço radical da social-democracia, e no PS quando eles enfiaram o socialismo na gaveta.
    Pedro Nunes Santos, Sérgio Sousa Pinto (o deputado embriagado) e João Galamba – deputados socretino – que alternativa apresentam quem aceitou o FMI de braços abertos?
    Que alternativa o “Sindicalista” (entre aspas porque de sindicalismo ele entende pouco) como o Chora que ao lado do patrão lutam contra os trabalhadores e aprovam o banco de horas?
    Ou o Rui tavares…

  14. O congresso é para levar a sério face à gravidade da situação – falência total do governo, ameaça de mais austeridade – ou a coisa se agrava tanto que os congressistas vão acabar a falar uns para os outros?

  15. ricardosantos diz:

    ó senhor penilo toda a gente sabe que o pc quando não controla tenta destruir há inumeros casos em que isso aconteceu só não acoteceu no caso da santa aliança com o psd e cds contra o pec iv e por isso estamos a pagar com lingua de palmo.

    • De diz:

      Mais um revisor histórico a tentar disfarçar os crepes da viuvez.
      Sem língua de palmo?Ou com língua de palmo?

      Resumamos: Uma viuvez violenta.Tão somente

Os comentários estão fechados.