A moção de censura

O Presidente da República, Cavaco Silva, promulgou o retrocesso civilizacional que representam as alterações ao Código do Trabalho. O anúncio da decisão surge no meio de uma declaração em que Cavaco Silva menospreza os milhares de trabalhadores que estiveram envolvidos nas inúmeras formas de contestação ao referido diploma, o que o afasta, por vontade própria, da imagem do presidente de todos os portugueses.
Mas esta declaração política do Presidente valoriza a moção de censura do PCP, apresentada três dias antes. Não duvidemos que fora do parlamento a censura à trilogia que Sá Carneiro definiu como “uma maioria, um governo, um Presidente”, é bem mais expressiva do que a que será expressa nos votos dos deputados eleitos para a actual legislatura.
O mais curioso é que o combate a esta moção de censura tem sido encabeçado, não pelos partidos do governo mas pelo PS, através de varias intervenções organizadamente sequenciais e com maior actividade mediática que o próprio partido promotor da iniciativa. O PS de Seguro faz cada vez mais jus ao título de partido socialista mais à direita da Europa, que galhardamente disputa com o Pasok.
A moção de censura será mais uma oportunidade para a esquerda traçar uma demarcação política clara. Falta construir a esperança de disputar a governação com a direita.

Hoje no i

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