A voz do dono pode ser o barulho de uma bomba

O que o Partido Comunista Grego – que acusa a Syriza de social fascista – tem não é um desvio esquerdista nem um delírio dionisíaco mas uma repetição, em feição trágica, da política do terceiro período levada a cabo pela Internacional Comunista depois de 1928 e que contribuiu, com outros factores, para a ascensão de Hitler ao poder.

Em 1928 quando, sob as ordens de Estaline e o «socialismo num só país», o Partido Comunista Alemão, o maior de então, dirigiu-se ao partido reformista social-democrata acusando-o de social fascismoLeon Trotsky escreveu:

Que era urgente uma política de frente única com os partidos reformistas para evitar a ascensão de Hitler. Que era criminoso chamar fascista ao SPD – no fascismo não há guetização dos dirigentes comunistas, há milícias fascistas que matam quer comunistas quer social-democratas, quer dirigentes quer militantes, famílias, crianças, tudo é varrido. O fascismo é a guerra civil.

Juntos, Partido Comunista e Partido Social Democrata, tinham mais votos do que o Partido nazi.

Estaline reagiu em 1935 com a política de frente popular – 180 graus. Afinal a aliança não era frente única – entre organizações reformistas e revolucionárias do movimento operário – mas a frente popular, o que incluiria os burgueses ditos progressistas, honrados, porque o fascismo seria a reação feudal. Trostky escreveu que isso iria levar à derrota das revoluções (em Espanha e França em 1936) e que o fascismo não era uma reação feudal, atrasada, mas justamente o sector mais avançado da burguesia, a burguesia financeira, imperialista, a lançar a última e indesejada cartada, ou seja, apoiar-se na pequena burguesia acossada pela própria lógica de acumulação e dizimar fisicamente as organizações do mov operário.

 

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63 respostas a A voz do dono pode ser o barulho de uma bomba

  1. Rocha diz:

    Desculpa lá Raquel, mas delírio é este post!

    E já sei que não me publicas o comentário…

    Mas mesmo assim vale a pena lembrar-te, que não há um único comunicado, discurso ou entrevista a dirigentes do KKE que use a expressão “social-fascista” em relação ao Syriza. Não, não se trata de um sinónimo de social-democrata…

    Quanto às histórias do SPD, Trotsky, Estaline e a Internacional Comunista… já cá faltavam…

    • Antónimo diz:

      Isso de se dizer que não se publica ajuda sempre a ser-se publicado.

      Dá sempre um ar de não se fazer aquilo de que se é acusado e ainda se acha que se faz passar o outro por parvo.

      Liso é anunciar que não se publica.

      • antónimo diz:

        De qualquer forma a bem da veracidade do post convinha que se metesse aqui o tal sítio onde o kke chama sociais-fascistas ao syriza.

  2. bigodes diz:

    “Que era urgente uma política de frente única com os partidos reformistas para evitar a ascensão de Hitler. Que era criminoso chamar fascista ao SPD – no fascismo não há guetização dos dirigentes comunistas, há milícias fascistas que matam quer comunistas quer social-democratas, quer dirigentes quer militantes, famílias, crianças, tudo é varrido. O fascismo é a guerra civil.” – Resume a RV (não comecem com invenções que “RV” não quer dizer revisionista…) no seu texto…

    Tem uma clara confusão de conceitos e subverte ou minimiza antes demais a história do seu país! E claro que só se podia basear em Trostsky!

    RV, reveja lá a definição ou atributos do fascismo e veja lá o que chama ao que descereve… na minha modesta opinião parece-me algo mais que fascismo!

    • Raquel Varela diz:

      Não consegui encontrar um único argumento no seu comentário.

      • Carlos Vidal diz:

        Raquel Varela, independente de divergências políticas, históricas (ou de questiúnculas pessoais), deixa-me que te diga uma coisa: pode não haver argumentos no comentário anterior, mas há pedidos muito concretos nos comentários de Rocha e “antónimo” que não respondeste ainda. É que empregar gratuitamente o termo social-fascista sem que ele exista é complicado.
        Além do mais, convém aqui deixar claro que na Grécia o único bloco pela anulação da dívida é o KKE.

  3. Um gajo qualquer diz:

    oh bigodes! vai ao barbeiro, sim?

    Há pseudo-comunistas, mas com cartãozinho do partidão, que manifestamente preferem um governo da Nova Democracia a um governo Syriza. É triste! É como preferir, em Portugal, um governo do CDS a um governo do Bloco de Esquerda… E o pior… é que vocês preferem mesmo!

    • Gormit diz:

      não seja louco. prove as suas acusações e depois vá apanhar perdizes.

    • Rocha diz:

      Quem é este gajo qualquer? Será que é mesmo um? Ou serão umas dúzias deles?

      Um comentário a propósito de coisa nenhuma. Também há bloquistas que gostavam de ver o KKE até excluído do parlamento. Há porcos e galinhas a voar em aviões e tigres da Malásia no Algarve.

      Que dia é hoje ah?

  4. José Manuel diz:

    A Raquel não está a ver bem a coisa. Na realidade quem se pôs ao lado dos Freikorps em 1919 foi o SPD, quando procurou asfixiar a revolução spartakista em Berlim. E foi o social democrata Ebert quem pediu às milícias protofascistas do Freikorps que batessem a revolução e assassinanem Rosa Luxemburgo e Karl Liebeknecht.

    • Raquel Varela diz:

      Não tenho dúvida alguma. Mas o fascismo em 1919 não era uma ameaça – havia organizações fascistas – mas não corriam o risco de chegar ao poder até porque os junkers prussianos estavam a sair de uma derrota na I Guerra. A política do III período é já com Estaline no poder e é uma política catastrófica. Tão catastrófica quanto a de frente popular.

      • José Manuel diz:

        “havia organizações fascistas – mas não corriam o risco de chegar ”
        Pois. Por isso é que os sociais democratas pensavam que podiam instrumentalizá-las a seu favor para combater os comunistas. Por isso é que as armaram. Aliás os membros do FREIKORPS distinguiram-se mais tarde como oficiais ao serviço das SS.
        Neste contexto não era possível qualquer “política de frente única” apesar dos esforços do KPD, até porque o SPD sempre desvalorizou Hitler como um fenómeno passageiro.

        • Raquel Varela diz:

          E a política errada, erradíssima do SPD, torna correcta a politica do KDP de em 1928 dizer à população alemã que SPD e Hitler eram duas almas gémeas?

          • Nuno Rodrigues diz:

            Eram duas almas gémeas, tás a dizer tu Raquel. Eles acusavam o SPD de colaboracionismo, que é verdade.

            O teu caminho é o seguinte: Tens um partido que trai aquilo que defendes e que colabora com aquele que é o teu oposto. Mas em processos seguintes vais apoiar o partido que te trai, para o que é o teu oposto não chegar ao poder. Isto se tem senso algum, é na tua cabeça. Além disso e por sua vez, nem o Syriza é o SPD, nem o Nova Democracia tem o Hitler á cabeça. Muito pouco saudável para alguém que estuda história…

        • um gajo qualquer diz:

          é muito giro ir escavar na “estória” aquilo que a gente quer.
          quem viu Hilter como um fenómeno passageiro foram Estaline e o PC alemão que, logo após a vitória nazi de 1933 proclamaram “depois de Hitler, nós”… Viu-se! Como também já se vira antes, alianças entre o PC alemão e os nazis para destronar o SPD da governação de alguns estados…

      • Atchung diz:

        Alguem que, teoricamente, é de esquerda escrever que “Mas o fascismo em 1919 não era uma ameaça” é demaisado cinico para ser levado a sério. Em qualquer país, mentalidade ou periodo de tempo um laivo, por mais pequeno que seja, de fascismo é sempre será uma ameaça!

  5. Joaquim diz:

    Este post está cheio de fantasmas e de tretas.Liberta-te, meu ! os reaccionários que levaram o povo Grego à ruína ganharam as eleições, vão formar governo…e tu vens aqui levantar fantasmas, onde não existem.O Povo grego, agora em novas condições, só tem que continuar a luta, contra a tróika de submissão, imposta aos gregos.

  6. xatoo diz:

    disse:
    “o Partido Comunista Grego – que acusa a Syriza de social… etc”
    mas já vai sendo tempo de actualizar a nomenclatura. Não é “a Syriza”, uma coligação, mas sim “o Syriza” um partido politico registado recentemente como tal no Tribunal Constitucional na mira de caçarem os 50 deputados extra oferecidos pela burguesia a quem melhor lhe servir os interesses.
    Anda por aí um livrito cujo titulo diz tudo: “Repensar o Estado, Para uma Social Democracia da Inovação” (leia-se, uma espécie de social-democracia global à laia de trotskismo) – esta é de facto a base teórica da “esquerda dita democrática”, por onde se alinham os BE`s, Syriza`s e tutti quanti se estão a borrifar para entender o mundo segundo sa mundivisão dos produtores espoliados e dos que nada produzem mas são proprietários inquestionáveis do que parasitam.

  7. A.Silva diz:

    “Juntos, Partido Comunista e Partido Social Democrata, tinham mais votos do que o Partido nazi.”, isto mais coisa menos coisa é o mesmo argumento do PS a acusar o PCP e BE de serem responsáveis por esta espécie de fachos que temos que aturar, porque não aprovaram o bendito PEC IV do Sócrates, que como se sabe hoje, ia dar um resultado diferente…

    Raquel Varela, um pouco mais de honestidade nas afirmações, o KKE afirma que o Syriza é social-democrata, o que é um pouco diferente.

  8. Tima diz:

    Este blogue é o espelho da esquerda comunista. Uns seguem cegamente o marxismo. Outros são renovadores e querem alterar o rumo da estagnação e outros acham que a convergência com o Bloco de Esquerda é essencial. Pelo que se lê nas caixas de comentários há mais gente realmente aqui interessada (e muitos dos colaboradores do blogue) em realmente destruir o há muito aqui declarado inimigo de esquerda do que os reais inimigos de direita.
    Raros são os dias que vejo aqui ataques exacerbados à direita ultraliberal que destrói a democracia, a sociedade e a economia. Raros são os dias onde não veja o Bloco, a Syriza (e o que mais se mexer naquela linha ideológica) a levar porrada de todos os lados.

    • antónimo diz:

      E se não vê o PCP levar na mesma medida por outros escribas anda algo bissexta nas leituras.

      • antónimo diz:

        porque é que o meu comentário afirmando que se Tima “não vê o PCP levar na mesma medida por outros escribas anda algo bissexta nas leituras” ainda está por aprovar quando outros posteriores já o foram?

    • Mário Machaqueiro diz:

      Descrição perfeita do estado deste blogue (ou, pelo menos, da parte mais patológica dele) e da esquerda em geral. Ao ler muito do que aqui se escreve – em particular nas caixas de comentários -, percebe-se por motivo que a esquerda é incapaz de se constituir como alternativa de poder em Portugal: está demasiado ocupada em entredevorar-se. Um espectáculo que seria patético se não fosse, ao mesmo tempo, trágico.
      Já agora, a Raquel Varela é absolutamente certeira na analogia que faz neste seu “post”. Os tais “ortodoxos” que a atacam pertencem àquela triste categoria dos que nada esquecem e nada aprendem.

  9. Edgar diz:

    A imaginação não tem limites e dá sempre jeito meter Estaline (a quem a imaginação já acusou de tudo) para compor o ramalhete.
    Como não quer que a acusem de mentir, enganar ou ludribiar, consulte o sítio do PCG , em português (http://pt.kke.gr/) para maior facilidade, e rectifique a sua acusação.
    Poderá também ler o comentário feito sobre o encontro do presidente do SYRIZA com embaixadores e diplomatas do G20 para confirmar melhor que a sua acusação é uma flagrante “inverdade”.
    O castelo construído sobre “inverdades” não passa de “inverdade” maior.

  10. Bruno Carvalho diz:

    Portanto, os comunistas eram maus porque não se juntavam aos que antes colaboraram com a ascensão do nazi-fascismo e depois quando mudaram de estratégia eram maus porque se juntavam aos burgueses progressistas. Como se os reformistas de que tu falas, os partidos socialistas europeus, não representassem a burguesia liberal ante a burguesia conservadora. Isto é, já na altura cumprem o mesmo papel que hoje e representam os interesses da burguesia. Portanto, queres tentar fazer passar a ideia de que os partidos social-democratas, reformistas, não representavam o interesse da burguesia? É tal a salganha deste post que só me ocorre que ele tem o objectivo de sempre: atacar os comunistas. É-se preso por se ser sectário e é-se preso por se ser frentista. E, claro, isto agarrando num conceito – social-fascismo – do PCA que agora se atribui ao KKE. Onde e quando, Raquel? Factos. Mostra-me um documento, um cartaz, um discurso, algo que demonstre que os comunistas gregos catalogam o Syriza como social-fascistas. E mais, eu considero que a questão da União Europeia e do euro é uma questão fracturante na esquerda europeia. Não é de agora mas a grande questão que se coloca nos dias de hoje é se é possível construir-se o socialismo sem se romper com a UE e com o euro. Portanto, nada tem a ver com a comparação que fazes com a Alemanha dos anos 30. Tem a ver com esta questão concreta. Nesse tema, o KKE e o Syriza já definiram as suas posições.

    • antónimo diz:

      Mas, Bruno Carvalho, é possível construir o socialismo sem a Europa?

      Não vale mais agarrar num edifício que já tem nem que sejam as paredes e trocar-lhe tratados e moedas?

    • Raquel Varela diz:

      Vejamos defendes a política do KKE mas ao mesmo tempo dizes que ela não existe.

      Já agora quando Cunhal cá apoiava a burguesia honrada era a liberal ou a conservadora???? Bruno, és tão mecânico quanto o estalinismo que apoias, o do passado e do presente. Então o KDP fez bem em chamar fascista ao SPD porque estes eram a burguesia liberal e 10 anos depois está numa frente com estes e com a burguesia (qual??) na frente popular? O que eram os republicanos espanhóis, o Partido Radical em França, Roosevelt nos EUA. É que se o SPD era a burguesia liberal o que eram estas organizações que Estaline apoiou na frente popular?

      Sectarismo e oportunismo são dois eixos de uma política que na tua resposta consideras correcta. Pois bem, não creio que nenhum delas seja correcta.

      Os partidos são essencialmente 3 coisas: a sua base, a sua direcção e o seu programa. O SPD era um partido de base operária com uma direcção e um programa reformista – uma frente única com esse partido serviria para dialogar com as suas bases. Não tenho nenhuma ilusão no Syriza, no BE ou no PCP. Mas discute-se aqui uma posição eleitoral, táctica diria eu. Não sei como se pode dialogar com as suas bases dizendo-lhes que o partido deles era a alma gémea do fascismo, que era a política do terceiro período e é, repito, a política do KKE na Grécia face ao Syriza de acordo com todas as fontes que li.

      E já agora, uma frente única não implica abdicar dos programas de cada organização mas encontrar pontos mínimos de acordo.

      A vitimização do anticomunismo já teve melhores momentos e terás que a guardar para a reunião de célula. Vejo que ainda não percebeste que o mundo tem milhares de comunistas – como os trotskistas e muitos outros – que não apoiam o estalinismo nem os seus partidos. São os comunistas internacionalistas, revolucionários, leninistas, anti frentistas e, surpresa, anti estalinistas.

      • Bruno Carvalho diz:

        Raquel, eu não estou aqui em representação do PCP mas, claro, não poderias deixar de dar a facadinha. Esse parece ser, aliás, um dos teus hobbies preferidos porque até num comentário em que em momento algum refiro o PCP consegues traze-lo à baila e ataca-lo.

        E digo-te que uma das coisas que aprendi, enquanto comunista, é que todo o adversário, contra o PCP, quando se sente encostado às cordas tende a usar uma arma mortífera: o estalinismo. Quando já nada serve de argumento, pimba, lá está, puxa-se a carta do estalinismo. E, pronto, engaveta-se toda uma discussão política num conceito inventado pela direita e pela esquerda que ataca o leninismo.

        É tão ridículo que me fazes esta pergunta: “Então o KDP fez bem em chamar fascista ao SPD porque estes eram a burguesia liberal e 10 anos depois está numa frente com estes e com a burguesia (qual??) na frente popular?” Mesmo depois de eu ter criticado a tua contradição/incoerência: “Portanto, os comunistas eram maus porque não se juntavam aos que antes colaboraram com a ascensão do nazi-fascismo e depois quando mudaram de estratégia eram maus porque se juntavam aos burgueses progressistas.” És tu quem tem de explicar porque criticas a táctica do KDP e depois vens criticar a táctica que achavas que o KDP devia ter seguido só porque é o teu arqui-inimigo Staline (na verdade, a Internacional Comunista) a traça-la. Por uma vez, não tentes dar a volta ao jogo para e responde directamente. Porque é querias o frentismo para o KDP e de repente, só porque achas que foi decidido pelo Staline, te parece errado o frentismo noutros países?

        • Rui Ribeiro diz:

          Desculpe a intromissão, mas o estalinismo é “um conceito inventado pela direita e pela esquerda que ataca o leninismo”?

        • De diz:

          Subscrevo Bruno.
          E arriscando-me à não publicação do comentário, que me levara a abandonar comentar os posts da autora, começa a tornar-se nítido que esta “guerra” esconde outras coisas.
          Uma aversão a tudo o que lhe ensombre as teses, ou a escolha das teses nos recônditos que a ensombram.A que se junta presto o riso de gentleman e o nacional-socialismo de MD.
          O que é sumamente triste.

          • antónimo diz:

            Sim, Há tempos um imbecil aproveitou um comentário meu num post dela para me insultar por causa de uma nossa conversa anterior e quando eu devolvi o insulto ela não aprovou. Critériozitos, é o que é.

        • José Manuel diz:

          Deve ter sido por isso que em 1932 o SPD apoiou o general Hindenburg contra o candidato do KPD Thalmann. O mesmo general que nomeou Hitler como Chanceler e promulgou os decretos ditatoriais pós-Reichstag.

        • Baresi88 diz:

          E Bruno o blogue a verdade trás verdades sobre Staline arruma todas as mentiras inventadas sobre ele mesmo. Que ele não foi assassino nenhum, nem ditador… (Raquel vá lá ler e aprender qualquer coisa!) E parabéns pelo teu comentário.

      • Paulo Pavel diz:

        Milhares de trotsquistas? Os trotsquistas são comunistas? Não brinque…

      • Paulo Pavel diz:

        A única ilusão da Raquel é com a redacção da Rubra, embrião do (sempre adiado) verdadeiro partido revolucionário…

      • Baresi88 diz:

        Você tem alguma coisa contra o Staline??????????????

    • Niet diz:

      Raquel Varela bem nos reaviva subliminarmente uma das grandes teses da ” Revolução Traída ” de Léon Trotski: ” A burocracia- que Estaline manipulou e estende como suprema no PC e na Internacional Comunista, a partir de 1928-não só venceu a Oposição de Esquerda como destruiu o partido bolchevique. Foi o Termidor soviético! A burocracia venceu o programa de Lénine que via o perigo principal na transformação dos orgãos de Estado- de servidores da sociedade a mestres da sociedade. (…) A burocracia é socialmente requisitada todas sa vezes que violentos antagonismos estão em jogo e que é preciso atenua-los, os ” acomodar “, os ” esclarecer “( sempre no interesse dos privilegiados e dos proprietários e sempre pela vantagem da própria burocracia). O aparelho burocrático concentra-se e aperfeiçoa-se através de todas as revoluções burguesas, tão burocráticas que o sejam “. Niet

  11. Samuel diz:

    Uau! Nunca pensei que o meu “reparo” à bagunçada do post fosse tão ofensivo… 🙂 Viva a ultra-sensibilidade! 🙂

  12. xatoo diz:

    sem dúvida,
    o grande inimigo da pequena burguesia urbana é o camarada Estaline
    mas a grande essência da história do Comunismo não vai poder ser apagada só com bocas

  13. Edgar diz:

    Afirma o Bruno Carvalho: – “Não é de agora mas a grande questão que se coloca nos dias de hoje é se é possível construir-se o socialismo sem se romper com a UE e com o euro.”
    Face à situação que estamos a viver, apetece-me acrescentar: agora, a questão que começa a colocar-se é saber se é possível manter a democracia sem se romper com esta UE e este euro!

  14. M.D. diz:

    Porque não trata o partido nazista de Hitler, pelo seu verdadeiro nome: Nacional Socialismo…?

    Já experimentou comparar o programa do Nacional Socialismo, como o Comunismo? Experimente lá, e depois no fim veja o que encontra

    • João. diz:

      O que você encontra é o grande capital alemão a apoiar os nazis. Porque será? E porque será que Henry Ford recebeu a mais alta condecoração nazi para estrangeiros?

      • M.D. diz:

        O encontro é um denominador comum em quase tudo. Nacionalismo à parte está lá tudo, o controlo do capital pelo Estado, não através da detenção dos meios de produção, mas através da apropiação da criação de riqueza. O resto é igual, basta substituir os campos de concentração pelo Gulag, e tem-se uma pequena amostra.

  15. miguel serras pereira diz:

    Sobre a política estalinista durante todo o período que vai do esmagamento da revolução alemã e de Spartacus até à tomada do poder pelos nazis, ver o texto de João Bernardo no Passa Palavra, “O Partido Comunista Alemão e a Extrema-Direita Nacionalista” (http://passapalavra.info/?p=5364).
    Desse estudo, fica aqui a parte final, relativa ao período de 1929 à nomeação de Hitler como chanceler do Reich:

    “Também o relatório inicial da 10ª reunião plenária do comité executivo da Internacional Comunista, realizada em Julho de 1929, assinalou o «social-fascismo» como a modalidade de fascismo que devia ser combatida com maior urgência e, passados dois anos, a 11ª reunião plenária deu a primazia à luta contra as teses que supunham a existência «de uma contradição entre o fascismo e a democracia burguesa, bem como entre as formas parlamentares e as formas abertamente fascistas de ditadura da burguesia […]». Como declarou no final de 1931 o representante da Internacional junto ao Partido Comunista alemão, «só se pode lutar contra o fascismo conduzindo uma luta mortal contra a social-democracia». Nesta perspectiva, em Agosto e Setembro de 1932, precisamente quando o Partido Nacional-Socialista obtivera um número de votos superior à soma dos votos comunistas e sociais-democratas, a 12ª reunião plenária do comité executivo da Internacional Comunista persistiu na denúncia do Partido Social-Democrata como inimigo principal. À medida que os nazis se aproximavam do poder, os dirigentes comunistas descobriram que eles representavam uma forma de capitalismo mais avançada do que a social-democracia, e por conseguinte, em nome da dialéctica marxista e das leis do progresso social, que o radicalismo nazi devia ser apoiado contra o reformismo social-democrata. Este colossal erro de estratégia decorria de um erro, não menos impressionante, na avaliação da dinâmica do capitalismo.
    Num discurso pronunciado em Fevereiro de 1932 perante o comité central do seu partido, Ernst Thälmann declarou: «A nossa estratégia consiste em dirigir o principal ataque contra a social-democracia, sem com isto enfraquecer a luta contra o fascismo de Hitler; é precisamente ao dirigir o principal ataque contra a social-democracia que a nossa estratégia cria as condições prévias de uma efectiva oposição ao fascismo de Hitler. […] A aplicação prática desta estratégia na Alemanha exige que o principal ataque seja desferido contra a social-democracia. Com as suas sucursais esquerdistas, ela fornece os instrumentos mais perigosos aos inimigos da revolução. Ela constitui a principal base social da burguesia, é o factor mais activo da transformação fascista […] e, ao mesmo tempo, enquanto “ala moderada do fascismo”, ela sabe empregar as manobras mais enganadoras e mais perigosas de maneira a atrair as massas para a ditadura da burguesia e para os seus métodos fascistas».
    É certo que tanto as memórias escritas por algumas pessoas que viveram por dentro estes acontecimentos como as análises de certos historiadores confirmam a existência de uma forte oposição de muitos militantes à orientação decretada pela III Internacional e seguida pela direcção do Partido, e houve organizações comunistas de base que se comprometeram com os sociais-democratas em acções comuns contra os nazis. Mas quando isto sucedeu elas foram severamente repreendidas pela direcção do Partido. Seis meses antes da chegada de Hitler ao poder o secretariado do comité central do Partido Comunista alemão declarou numa circular que o Partido Social-Democrata continuava a ser o «principal apoio da burguesia» e que qualquer acordo entre as direcções dos dois partidos a respeito de manifestações e de acções comuns era «inadmissível».
    Em 1931 e 1932 as milícias comunistas juntaram-se muitas vezes às milícias nazis para destroçar à paulada ou a tiro os comícios sociais-democratas, o que aliás não as impedia de se combaterem umas às outras quando o inimigo comum não servia de pretexto de união. Compreende-se que nestas circunstâncias a organização operária do Partido Nacional-Socialista tivesse apoiado a greve dos metalúrgicos de Berlim, desencadeada pelos comunistas em Outubro de 1930, e que ao longo dos dois anos seguintes os comunistas se tivessem esforçado por atrair um movimento camponês conotado com a extrema-direita. Em troca, o Partido Comunista juntou em Agosto de 1931 os seus votos aos do Partido Nacional-Socialista e de outra organização de extrema-direita num referendo contra a social-democracia na Prússia, consoante as directivas emanadas do comité executivo da Internacional. Thälmann justificou esta atitude em Fevereiro de 1932 − exactamente um ano antes de Hitler ser nomeado chanceler − declarando que o governo social-democrata da Prússia, juntamente com a central sindical socialista, «confirmam de maneira plena e completa que a social-democracia é o factor mais activo na transformação fascista da Alemanha». Assim, os comunistas unir-se-iam aos nacionais-socialistas para combater o fascismo! Esta aproximação culminou na votação conjunta dos deputados comunistas e dos deputados nazis destinada a derrubar o governo de von Papen, na sessão parlamentar de 12 de Setembro de 1932. Durante o pouco tempo que lhe restaria o Partido Comunista alemão recorreu a um nacionalismo exacerbado para tentar cativar a extrema-direita. A greve dos transportes públicos de Berlim, que os comunistas iniciaram a 3 de Novembro de 1932 em oposição aos sindicatos sociais-democratas, contou com a colaboração activa dos nazis e os dois partidos organizaram piquetes comuns. Não faltaram então, na esquerda internacionalista, vozes a prevenir que o Partido Comunista estava apenas a ajudar o nacional-socialismo, mas se os avisos de Rosa Luxemburg, de Paul Levi, de Pfemfert, de Clara Zetkin e de tantos outros haviam sido inúteis, estes foram-no também. Em 1934, com os nazis no poder há mais de um ano e com as prisões alemãs cheias tanto de comunistas como de sociais-democratas, a 13ª reunião plenária do comité executivo da Internacional Comunista decretou, numa das suas resoluções, que «a social-democracia continua a desempenhar a função de principal apoio social da burguesia mesmo nos países em que vigora declaradamente uma ditadura fascista».
    Só o 7º Congresso da Internacional Comunista, em meados de 1935, inverteria esta orientação e iniciaria a fase das frentes comuns com a social-democracia. Mas para a Alemanha era tarde demais. O nacionalismo, neste caso ultranacionalismo, da III Internacional e especialmente do Partido Comunista alemão havia já liquidado a segunda maior organização comunista e destroçado completamente aquela que fora a vanguarda mais aguerrida do operariado mundial”.

    • Paulo Pavel diz:

      Oh pá, que disparate. O partido comunista «juntou os seus votos» aos nazis… Também o bloco «juntou os seus votos» ao PS, PSD e CDS para aprovarem a «ajuda» à Grécia e não faz do Bloco, até ver, um partido de direita troikista (apenas um partido social-democrata oportunista)…

    • Edgar diz:

      Com “estudos” (que há aos montes) ou sem estudos o que é que se pretende provar: que o KKE é o responsável pela “vitória” da direita?
      A mentira é velha, assenta em vários “estudos” que comprovam a responsabilidade dos comunistas e da URSS no aparecimento de nazis e fascistas, e demonstram, por exemplo, a actual responsabilidade dos comunistas por obrigar o PS a encostar-se à direita, ilibando-o de todas as responsabilidades pelas políticas anteriores e pelas consequências de tal encosto.
      Não tivessem sido principalmente os comunistas a morrer e a sofrer com o nazi-fascismo e, agora, ser evidente que não são os comunistas a beneficiar se bons “tachos” por cá e por essa Europa fora e talvez a mentira tivesse mais credibilidade. Mas ainda rende dividendos.

    • José Manuel diz:

      Ora aqui está um artigo que só diz asneiras e invoca em seu auxílio nomes como Rosa Luxemburgo e Clara Zetkin. Convém confrontar com as verdadeiras palavras de Clara Zetkin em 1923
      “The bourgeoisie wants to reconstruct capitalist economy. Under the present circumstances reconstruction of bourgeois class domination can be brought about only at the cost of increased exploitation of the proletariat by the bourgeoisie. The bourgeoisie is quite aware that the soft-speaking reformist socialists are fast losing their hold on the proletariat, and that there will be nothing for the bourgeoisie but to resort to violence against the proletariat. But the means of violence of the bourgeois States are beginning to fail. They therefore need a new organisation of violence, and this is offered to them by the hodge-podge conglomeration of Fascism” e mais tarde, em 1932 disse:
      “Esta decadência deve-se, inteiramente, à social-democracia reformista que se coloca, em teoria e na prática, no terreno podre da ordem social burguesa. A política do governo Papen-Schleicher não é mais que a continuação aberta da política do governo Brüning tolerada pelos sociais-democratas, precedida pela política de coligação da social-democracia que lhe tinha aberto a via. A política do «mal menor» confirmou às forças reaccionárias a consciência que têm do seu poder e não tem conseguido, e ainda não consegue, deixar de engendrar o mal de todos os males: habituar as massas à passividade. Pede-se-lhes que renunciem a utilizar a força que dispõem no exterior do parlamento.”
      fonte:http://www.urap.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=83&Itemid=37

  16. Rocha diz:

    Gosto da obsessão da Raquel com o KKE, que serve perfeitamente para atacar o PCP também.
    Gosto desta moda do anti-sectarismo, sempre com o fascismo como arma de arremesso como convém (culpas para ali culpas para acolá).
    Gosto de como tira do armário o Estaline, a URSS, o SPD, o Comitern e o diabo-a-sete .

    Mas o que eu acho mesmo uma delícia é o anti-sectarismo destes 3 exemplos que passo a citar que ocorrem precisamente agora, agora mesmo que é a hora certa de atacar o KKE como rescaldo das “eleições”… perdão golpe de estado na Grécia:

    1 – A Esquerda Democrática (cisão do Syriza) presta-se a governar com o PASOK e Nova Democracia num governo da Troika. Ora aí está um anti-sectarismo de louvar!
    http://www.athensnews.gr/portal/1/56364

    2 – A Esquerda Unida da Andaluzia – com o apoio da direcção federal de Cayo Lara e alguns tachos para familiares de dirigentes do PCE – está no governo autonómico andaluz coligada com o PSOE a executar um programa de austeridade que inclui cortes de 10% dos salários dos funcionários públicos. Com um anti-sectarismo destes o fascismo não passará…! Podemos estar descansados…
    http://www.kaosenlared.net/territorios/t/andalucia/item/22105-la-junta-de-andaluc%C3%ADa-aprueba-el-plan-de-ajuste-con-el-apoyo-traidor-de-iulv-ca-y-la-oposici%C3%B3n-de-s%C3%A1nchez-gordillo.html

    3 – O líder da Refundação Comunista de Itália, Paolo Ferrero, afirma: “Precisamos construir um Syriza na Itália”. Muito bem! Toca a mandar o maltratado marxismo (já tratado abaixo de cão por estes “comunistas italianos”) e as foices e martelo para o caixote do lixo! Toca a diluir tudo numa grande coligação social-democrata! Aliás os ideais e as ideias pouco importam o que interessa é o marketing político e fazer render o peixe!
    http://web.rifondazione.it/home/index.php/prima-pagina/9271-bisogna-costruire-syriza-anche-in-italia

    • Gentleman diz:

      Podia também ter referido o Partido Comunista de Cuba cujas medidas de austeridade ditaram o despedimento de 500 mil funcionários públicos.
      No mundo real, qualquer que seja o regime, há por vezes necessidade de aplicar medidas de austeridade. Só no mundo de fantasia do Rocha e de mais alguns líricos da esquerda radical é que há dinheiro para tudo..

    • miguel serras pereira diz:

      Genial ideia, crítica irrefutável: responsabilizar a Syriza pelo que fazem os que cindem com ela é mais ou menos como responsabilizar Jerónimo de Sousa pelas posições de um militante ou grupo de militantes que abandonou o PCP.

  17. José Manuel diz:

    O fracasso foi que em 1932 o SPD apoiou o velho General Hindenburg contra o candidato do KPD Thalmann. Esse general iria ser mais tarde o fantoche de Hitler. Foi ele quem nomeou Hitler como Chanceler e promulgou os decretos pós incêndio do Reichstag.

    Mas, ao contrário do que diz a Raquel, a experiência das Frentes Populares na França, Espanha e Itália foi importante e largamente positiva, embora não isenta de problemas e contradições.

  18. José Manuel diz:

    “Os partidos são essencialmente 3 coisas: a sua base, a sua direcção e o seu programa”. Sim, mas falta o mais importante que é a sua prática concreta e quotidiana, que os programas metem-se com facilidade na gaveta e as bases entrtêm-se com retóricas emocionais apelando ao sentimento “clubista”.

  19. Vasco diz:

    Não percebo como pode a Raquel Varela acusar os comunistas (gregos e alemães, mas sempre com um olhinho nos portugueses) de sectarismo ao não fazerem as alianças que entende necessárias e ao mesmo tempo criticar a linha definida no VII Congresso da IC sobre a Frente Única e a Frente Popular, onde essas alianças, em nome do combate ao fascismo, são estipuladas de forma bastante clara e, diga-se, abrangente.

    É a crítica pela crítica a tudo o que lhe cheire a marxismo-leninismo (que apelida, como a direita mais trauliteira, de «estalinismo»)…

    Em segundo lugar, não é um pormenor que acuse infundadamente os comunistas gregos de apelidarem de social-fascistas o Syriza, quando na verdade os consideram tão somente social-democratas. Não é uma diferença assim tão pequena, digo eu…

    Tal como Dimitrov nunca considerou o fascismo como a reacção feudal (como também afirma no seu texto), mas, cito da tradução inglesa do relatório de Dimitrov, «as the open terrorist dictatorship of the most reactionary, most chauvinistic and most imperialist elements of finance capital».

    Cada cavadela, cada minhoca, cara Raquel…

    Já agora, para que todos possam usufruir, aqui fica o relatório de Dimitrov ao VII Congresso da IC: http://www.marxists.org/reference/archive/dimitrov/works/1935/08_02.htm

  20. berto diz:

    Enquanto vocês andam por aqui a discutir merdas que tiveram a sua história há quase 80 anos, o Coelho ri-se, o Relvas fica, o Cavaco insulta, o Macedo agride, o Seguro finge.
    Estou mais interessado em saber como se expulsa esta escória que está no poder e quais as soluções para um futuro digno do que a cor das cuecas do Estaline e a caspa do Trotski.
    Enquanto atiram cuspidelas uns aos outros a direita no poder vai-se rebolando de riso.
    Acordem de vez!

  21. Edgar diz:

    Ainda sobre o tal “estudo” de João Bernardo, no “Passa Palavra”, chamo a atenção para esta “pérola”: “Seria também constituída uma companhia mista germano-soviética com o objectivo de produzir gases venenosos, outro tipo de arma proibido em Versailles, mas não parece que haja acordo entre os historiadores para saber se esta fábrica chegou a funcionar.”
    Será que este “estudo” pretende insinuar que a União Soviética pode ter sido corresponsável pela preparação dos gases utilizados no Holocausto?
    Até onde vai o ódio ou o preconceito anticomunista?

  22. Pedro Quinta diz:

    Esta fixação com o Trotsky lembra-me aquela do Gato Fedorento, «eu é que inventei o “bom dia”»…
    Tudo o que existe na teoria revolucionária, para a RV, foi o Trotsky que inventou, mesmo que outros tenham dito o mesmo muitos anos antes ou muito melhor do que ele…
    Já do que de “mau” encontra no bolchevismo e na revolução de Outubro, nada teve o dedo do Trotsky…

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