A voz do dono pode ser o barulho de uma bomba

O que o Partido Comunista Grego – que acusa a Syriza de social fascista – tem não é um desvio esquerdista nem um delírio dionisíaco mas uma repetição, em feição trágica, da política do terceiro período levada a cabo pela Internacional Comunista depois de 1928 e que contribuiu, com outros factores, para a ascensão de Hitler ao poder.

Em 1928 quando, sob as ordens de Estaline e o «socialismo num só país», o Partido Comunista Alemão, o maior de então, dirigiu-se ao partido reformista social-democrata acusando-o de social fascismoLeon Trotsky escreveu:

Que era urgente uma política de frente única com os partidos reformistas para evitar a ascensão de Hitler. Que era criminoso chamar fascista ao SPD – no fascismo não há guetização dos dirigentes comunistas, há milícias fascistas que matam quer comunistas quer social-democratas, quer dirigentes quer militantes, famílias, crianças, tudo é varrido. O fascismo é a guerra civil.

Juntos, Partido Comunista e Partido Social Democrata, tinham mais votos do que o Partido nazi.

Estaline reagiu em 1935 com a política de frente popular – 180 graus. Afinal a aliança não era frente única – entre organizações reformistas e revolucionárias do movimento operário – mas a frente popular, o que incluiria os burgueses ditos progressistas, honrados, porque o fascismo seria a reação feudal. Trostky escreveu que isso iria levar à derrota das revoluções (em Espanha e França em 1936) e que o fascismo não era uma reação feudal, atrasada, mas justamente o sector mais avançado da burguesia, a burguesia financeira, imperialista, a lançar a última e indesejada cartada, ou seja, apoiar-se na pequena burguesia acossada pela própria lógica de acumulação e dizimar fisicamente as organizações do mov operário.

 

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