Vitória alemã nas eleições gregas

Ao longo do período eleitoral não escondi a minha simpatia pelo Partido Comunista da Grécia (KKE). Contudo, ao contrário do que diz o Carlos Vidal, nunca escolhi o Syriza como principal adversário. Falei muitas vezes do Syriza porque a chantagem a que foi submetido o KKE foi brutal. Ou ganha o Syriza ou ganha a direita, era o que se dizia, sem se compreender que cada partido grego tem um programa próprio e o direito de concorrer sozinho a eleições. Apesar de não ser porta-voz do PCP e das opiniões que publico serem da minha exclusiva responsabilidade, como também alguns aqui tentam pôr em dúvida, concordo com o comunicado deste partido que revela que foi um acto eleitoral “marcado pela descarada ingerência nos assuntos internos da Grécia e por enormes pressões bipolarizadoras”.

Os resultados não foram nada animadores. E quando publiquei a primeira opinião ainda não estavam escrutinados mais do que 15 por cento dos votos. Não tinha mais do que as sondagens à boca das urnas. No KKE, a perda de votos e deputados é ainda maior do que se pensava. Como referia a secretária-geral comunista, fica confirmado, como havia dito antes, que a batalha eleitoral foi a mais dura e complexa dos últimos 40 anos. A vitória da direita e a possibilidade de um governo maioritário apoiado na Nova Democracia, Partido Socialista e outros dois partidos dissidentes destes primeiros configura a continuação do caminho de desastre para o povo e os trabalhadores gregos. O KKE é o mais afectado pelo voto útil embora, na minha opinião, a grande derrota seja do PASOK que mantém a perda de quase 20 por cento do seu eleitorado. O Syriza sobe espectacularmente e, infelizmente, não tem a possibilidade de me mostrar que estou enganado e de que é possível derrotar, através da via eleitoral, o capitalismo e ao mesmo tempo defender a União Europeia e o euro.

Embora tentem esconder, a histeria do  Bloco de Esquerda a propósito do Syriza atingiu limites anedóticos. Hoje, aparecia no Diário de Notícias, numa legenda a uma foto de Francisco Louçã, que o BE é líder da oposição na Grécia. Alguém explique ao jornalista e ao líder do BE que Portugal não é a Grécia, o BE não é o Syriza e o PCP não é o KKE. E que apesar da estrondosa derrota do KKE ter comparação, apesar de razões distintas, com a derrota igualmente estrondosa do BE, os comunistas gregos têm grande expressão de massas e enorme influência no movimento sindical. É que a mais trágica das derrotas dá-se quando nada mais se tem que a presença institucional e se acha que esse é o caminho que determina tudo.

Adenda: Comunicado do KKE sobre as eleições parlamentares.

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52 respostas a Vitória alemã nas eleições gregas

  1. Carlos Vidal diz:

    Sabes muito bem que a Syriza foi aqui, no 5dias, mais escalpelizada que a abjecta Nova Democracia, que é como o velho Édipo: são os gregos a arrancarem os seus próprios olhos.
    E também sabes que a chantagem internacional vinda do Reich dos Mil Anos se destinava a proporcionar a vitória da ND para poder formar governo (com o raio que os parta, naturalmente o PASOK).
    Repito: a chantagem impunha o voto na Nova Democracia.
    Tenho dito.
    E ainda bem que falas, como eu, em vitória alemã. A untuosa obesa que dirige o Reich não queria a vitória da Syriza pois não???

    • Bruno Carvalho diz:

      Certo. Mas em Portugal tentou eleger-se o KKE como o partido traidor que está ao lado da direita e havia que desmistificar essa mentira.

      • Kirk diz:

        Chantagem brutal sobre o KKE? Eleger o KKE como partido traidor? Bruno isso era dar ao KKE uma importancia que ele não tem.
        Só nos vossos sonhos. Abram os olhos, camaradas. Acompanhem o tempo.
        K

        • Antónimo diz:

          Portanto, Daniel Oliveira, defensor da linha sá fernandes e manuel alegre, e Francisco Louçã, que lhes deu o amén, nunca abriram a boca contra o KKE, é isso?

        • José Vasco Salinas diz:

          Não tem? E quem esteve na primeira linha da luta social na Grécia estes anos todos? Quem forçou os sindicatos reformistas a «radicalizarem-se»? Deixe-me que lhe diga que o Syriza não foi.

  2. Pedro Penilo diz:

    De acordo, Bruno.

  3. Tima diz:

    E aí está ele de novo ao ataque.
    Frases como:
    “…a histeria do Bloco de Esquerda a propósito do Syriza atingiu limites anedóticos.”
    “Alguém explique ao jornalista e ao líder do BE que Portugal não é a Grécia, o BE não é o Syriza e o PCP não é o KKE.”
    “…com a derrota igualmente estrondosa do BE…”

    E aí está como com bravos guerreiros comunistas como o Bruno continuam apesar de tudo e no dia a seguir à vitória da direita neoliberal na Grécia a preferir destilar o seu ódio e a eleger o seu inimigo o Bloco de Esquerda.
    A pureza ideológica cega-o e até aqui neste blogue pessoas como o Vidal já há muito chegaram à conclusão que pior que um adversário de direita é um traidor de esquerda. Esta cruzada pela sublime e inatacável superioridade moral já enoja e tem um fim que continua óbvio. Continuar a luta para eliminar o Bloco de Esquerda da cena política e fazer do PCP o único dono da verdade da esquerda e dono da luta nas ruas.
    Começa a ser abjecto…

    • Bruno Carvalho diz:

      O PCP é o traidor de esquerda mas o BE foi o que se aliou ao PS para apoiar Manuel Alegre, foi o que ajudou a abrir o caminho à invasão da Líbia, foi o que aprovou o empréstimo às bancas europeias, incluindo a grega, foi o que aprovou a resolução europeia que elogia o orçamento comunitário, é o que se alia ao PS no movimento sindical. Mas, claro, o PCP é que é o traidor de esquerda e não tem razões para denunciar as derivas de direita do BE.

      • Tima diz:

        Derivas de direita do Bloco? Ou isso é já do foro psicológico ou você anda na fase de encontrar defeitos na noiva para arranjar motivos para não se casar.
        E apontar toda essa deriva sua de esquerda genuína e atacar o que deve ser atacado, gente sem emprego e com fome devido ao ataque à democracia feito pelos mercados e seus aliados ultraliberais?? E quando é que vou vir aqui ao 5 dias sem ser brindado quase diariamente com o seu fel pelo Bloco?
        Até aqui no blogue há já desconforto de colegas seus por essa sua cruzada anti-bloquista. Ou então vá jogar gamão com os seus colegas de luta anti-esquerdista do CDS…

        • Bruno Carvalho diz:

          Responda-me aos casos que lhe apontei e deixe-se de fugir a explicar.

          • Tima diz:

            Manuel Alegre ou Cavaco Silva?
            Invasão da Líbia ou ditadura?
            Empréstimo às bancas europeias ou nacionalizar dívidas e BPN´s às dúzias?
            Aliar ao PS no movimento sindical ou deixar a UGT cair de vez nas mãos do PSD?
            Responda-me você…

          • Carlos Vidal diz:

            Colocadas as coisas nos termos de “Tima”, não hesito: um traidor de esquerda é pior que um adversário de direita. Só uma coisa energúmena não vê isso, pois o traidor de “esquerda” senta-se à minha mesa e trai-me.
            Não sei se seria isto que “Tima” queria que eu confirmasse (ou então não a percebi “bem”…) – o traidor de esquerda em Portugal é, em primeiro lugar, uma coisa chamada “Partido Socialista”. Mas há mais. Há os epígonos. E são muitos.

          • De diz:

            Não.
            Não é possível tanto tempo passado vir alguém defender o que se passou na Líbia.
            Não é possível alguém minimamente com os olhos abertos vir defender a invasão,a destruição,o saque,a pilhagem da Líbia e o roubo puro e simples do petróleo entregue de mão beijada às multinacionais habituais.
            Os crimes que quotidianamente se repetem.A guerra de senhores da guerra numa investida medieva que tanto apraz para quem sabe que assim é que se saqueia melhor.
            Falar assim da Líbia já quase que nem apetece falar doutros crimes à solta que passaram pelos tais empréstimos à banca que mais não fizeram e fazem do que alimentar os lucros dos banqueiros.À custa do erário público.Ou a desonestidade de querer passar um atestado contra a nacionalização da banca com base no processo podre do BPN
            Ou desse asco que dá pelo nome de UGT que traiu mais uma vez os trabalhadores com uma agravante enorme.Colocou a sua assinatura por baixo da maior ofensiva e do maior roubo contra o mundo do trabalho.Desde os tempos do fascismo.
            Assim não.

          • Rocha diz:

            Se a criatura que dá pelo nome de Tima tivesse 6 pés, tinha dado um tiro em cada pé.

            Mas como provavelmente só tem dois, como toda a gente, então deve estar numa situação realmente dolorosa. Temos pena…

        • José Castro diz:

          Aprovar o «empréstimo à Grécia»; aliar-se ao PS em torno do Alegre; o flop Sá Fernandes (que ainda anteontem andou a substituir trabalhadores em greve); o apoio à matança na Líbia… Quer mais?

      • João Pedro diz:

        Chega-lhes, Bruno !

    • José Castro diz:

      Não é verdade que os «bravos guerreiros comunistas» (obrigado pelo elogio) façam isso que diz. Mas uma coisa é certa: que o Louçã andou às cavalitas do Siryza andou…

  4. Joao Passos Dias Aguiar Mota diz:

    Este blog dá uma bela tese de mestrado (de Bolonha melhor dizendo) sobre a tendência aguda para a auto-flagelação e auto-destruição da extrema esquerda. Como diriam os modernos, é de “case study”! Ao nível do conhecido esqueteche dos Monty Phyton!

    E depois é sempre muito engraçado: democracia, povo e tal, mas quando os resultados não agradam, revolta contra a chantagem, democracia de farsa, etc , etc, etc…

    E termina, claro, no insulto gratuito e baixo – à falta de argumentos -, nomeadamente num elegantíssimo “untuosa obesa” Sra. Merckel, pobre coitada sem culpa de a natureza não a ter elevado ao concerteza pinacular patamar estético do autor desta posta acima. Enfim, nem todos podem ser – no estético e no ético – “queridos líderes”…

    Mais uma vez se vê que, de facto, viver em democrata não é uma consequência, mas antes uma causa.

    Saudações cordiais,
    J. de Aguiar-Mota

  5. Joao Passos Dias Aguiar Mota diz:

    Oh Bruno, se fosse o KKE a ficar a frente das eleições e a ganhar esses 50 lugares bonus tb diria que era tudo uma farsa?

    Just for asking, desculpe…

  6. xatoo diz:

    “o fel pelo Bloco” deriva das omissões produzidas pelo próprio Bloco
    senão vejamos:
    os do chavão “esquerda democrática” (aqui o BE, ali o Syriza) nunca explicaram como iriam conciliar a intenção de permanecer no Euro declarada pelo Syriza com o cumprimento do Memorando do Troika
    O Syriza omitiu qualquer posição anti-imperialista, (e o BE escamoteia-a no seu programa) apesar de se saber que utilizando a base grega de Sula a NATO prepara uma intervenção militar na Síria
    Sendo os comunistas do KKE os únicos a argumentar sobre a incompatibilidade da per-manência no Euro com o regresso da soberania sobre a finança e a economia nacional, foram penalizados pela perda de mais de metade dos votos. Os comunistas podem argu-mentar com a reposição plena das funções do Estado social, mas o que é certo é que mantendo a natureza do Estado, sem uma revolução, não teriam condições de o fazer. E uma “revolução”, apesar da presença da teoria revolucionária, sem o apoio da maioria (ludibriada por tipos como os bloquistas ou syrizianistas) é metafisica pura, é movimento que não existe.
    A promessa do Syriza, neste contexto, da nacionalização da Banca foi uma mera acção demagógica de caça ao voto. A nacionalização dos Bancos, proposta pelo Syriza, por si só não chegaria para democratizar a economia. Tudo depende da natureza de classe que dirige o Estado (no caso, a burguesa proprietária dos meios de produção)
    assim…
    Se se trata de preservar o capitalismo, então que tal seja feito por quem tem reconhecido mérito na tarefa, os partidos de direita e neoconservadores. Quem é que precisa então de um “inimigo” como o Bloco de Esquerda ou o Syriza? – a Direita!, precisamente para justificar a incapacidade da “esquerda democrática” ser suficientemente radical para obter a confiança das grandes massas populares.

    • Justiniano diz:

      Caro Xatoo, não há mais proficiente custódio para preservar o capitalismo liberal que a social democracia!!! O Syriza representa o último suspiro amedrontado, a grande conferencia de medos que, acima de tudo, querem que tudo mude para que tudo fique igual!! Aquilo é, verdadeiramente, o evangelho social democrata, o lugar de todas as aspirações da história contemporanea, não há ali nada de estranho nem de extraordinário!! Apenas alguém a preencher o grande espaço vazio (vazio ou abandonado, desertado)!!

      • Justiniano diz:

        E digo isto bem sabendo, como bem sabem todos, que nada existe para além do Estado de direito liberal e social democrático! Para além, só a vertigem dos abismos!!

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      “Se se trata de preservar o capitalismo, então que tal seja feito por quem tem reconhecido mérito na tarefa, os partidos de direita e neoconservadores.”

      Talvez por isso o PCP e a CGTP têm o máximo cuidado em não fazer nada que possa pôr em causa o poder dessa direita. Manifestações ordeiras, com slogans inócuos, e algumas vergastadas nos desordeiros dos movimentos sociais. Depois reivindicações de mais emprego, melhores salários e mais regalias, mas nada que ponha em causa a posse privada dos meios de produção. Transformados em aspiradores de migalhas, o PCP e a CGTP são o adversário ideal de uma direita sempre esfomeada. E tudo isto com um disfarce radical, marxista-leninista até ao tutano, sem a menor noção do espectáculo triste que é esta manifestação permanente de impotência acompanhada de rancor por tudo o que não afina pelo mesmo e patético diapasão. Sem qualquer migalha de satisfação, não posso senão pensar que uma aliança com a múmia de Tutankhamon seria mais proveitosa do que com este PCP e esta CGTP…

      • A.Silva diz:

        E era este tipo que há dias dizia que tinha votado CDU, como é que se pode dialogar com gente desonesta?

        • Nuno Cardoso da Silva diz:

          Eu bem tentei… Dei o benefício da dúvida até ao limite do razoável… Mas começo a pensar que não há mesmo volta a dar…

      • José Vasco Salinas diz:

        Caro Nuno Silva,

        Radicalizar as massas à força não dá bom resultado, desvia-as do Partido e dos sindicatos. Outra coisa é apoiar a sua radicalização.
        Nos anos 90, em Almada, nos confrontos da ponte 25 de Abril, de que resultou um adolescente tetraplégico, os comunistas estiveram com os manifestantes que se confrontavam com a polícia. O mesmo sucedeu na Lisnave, nos anos 80. E sabe que mais? Só eles estiveram lá, no terreno (outros apenas mandaram bocas de cátedra).

        Agora marcar hoje uma manifestação e começar tudo à pedrada era ficarem lá só 10 ou 20 malucos armados em “revolucionários”.

        • Nuno Cardoso da Silva diz:

          Acções de rua que possam derrubar um governo não se improvisam. Só podem ser o resultado final de um longo processo de sensibilização e de radicalização. Mas há acções subversivas, que não envolvem a rua, que podem não só enfraquecer o capital como ajudar a radicalizar a população em geral. Já aqui referi o que se poderia fazer no seio da banca, por alguns trabalhadores empenhados. Seleccione-se um banco onde haja uma dúzia ou duas de militantes. Ponham-se esses trabalhadores a desenvolver uma acção de contestação e de sensibilização dos colegas. Apresente-se um caderno reivindicativo que inclua a eleição de administradores pelos trabalhadores e o controlo da actividade do banco pelos trabalhadores, para evitar actividades especulativas e enriquecimento indevido dos accionistas. Exija-se que a banca passe a ser uma actividade sem fins lucrativos. Acompanhe-se esta acção reivindicativa com paralisações selectivas. E ver-se-á o capital acossado, na defensiva, e uma radicalização dos trabalhadores portugueses em geral. Não me digam que o PCP e a CGTP não têm os meios necessários ao desenvolvimento de tais acções.

  7. Deixo aqui, para reflexão, uma citação do Manuel Gouveia que é um puro e duro «Manifesto de sectarismo»!
    E no entanto…
    «Só os comunistas resistem – e por isso são ferozmente atacados. Porque apontam o dedo ao sistema capitalista, à sua essência, às suas contradições insanáveis, às suas taras. Porque colocam como tarefa dos trabalhadores e dos povos a libertação nacional do imperialismo, a superação revolucionária do capitalismo e a construção do socialismo – o poder dos trabalhadores, a socialização dos meios de produção. Porque apesar de admitirem todas as etapas, todas as conquistas intermédias, todas as reformas que minorem o sofrimento popular, só as concebem como conquistas e se recusam a fazer concessões ao sistema, se recusam a semear ilusões sobre um utópico capitalismo civilizado.
    Domingo, os comunistas vencerão mais umas eleições. Resistindo!»

  8. Edgar diz:

    As eleições passaram, os problemas permanecem, a abstenção (cerca de 39%) é semelhante à anterior e mantém-se a condenação dos partidos (ND e PASOK) que conduziram a Grécia à situação actual.
    Apesar da chantagem e da bipolarização, parece claro que o povo grego já não quer ser governado pelos mesmos e pelas mesmas políticas, assim como parece evidente que, nestas condições, a maioria saída das eleições (com o antidemocrático prémio de 50 deputados) não vai conseguir governar.
    O anúncio da morte do KKE é exagerado e a luta vai continuar.

  9. Marco diz:

    A defesa da posição do KKE, na minha opinião, tem um único argumento plausivel: o alerta de que o “dia seguinte” estaria cheio de respostas de classe como lock-outs, fuga de capitais e sabotagem económica, tudo misturado com a tropa de choque da Aurora Dourada a fazer das suas. Em suma, que não bastava o povo votar, mas estar pronto para defender militantemente uma “nova ordem”.

    Tudo o resto é de uma indigência ideológica e estratégica absoluta…cartazes a apelar aos eleitores para não confiarem no SYRIZA??? É mau de mais…

    Depois, é no mínimo absurdo que aqueles que por cá assumiram e assumem as dores do KKE, face ao “reformismo social-democrata” ou à opção”união europeia” do SYRIZA, não levantem ondas no que diz respeito ao vizinho AKEL. Ou seja, na hora de decidir amizades internacionais o que continua a pesar são os posicionamentos de cada partido na Guerra Fria e no contexto da queda da URSS. O resto, aqueles pormenores chamado ideias e acção política, são coisas de somenos.

    Por último, ignorar uma das grandes novidades do século XXI, a radicalização pós-eleitoral de movimentos “anti-imperialistas” – porque socialistas ou anti-capitalistas são só os puros – e não dar o benefício da dúvida ao partido de esquerda com MAIOR peso eleitoral na actual cena política europeia é de facto ter perdido a boleia da História.

  10. Paulo Anjos diz:

    Autoflagelação é o termo que melhor descreve esta discussão estéril pós eleições gregas. Continuamos, PCP e BE, a discutir lana caprina e a ignorar que qualquer processo de convergência, absolutamente necessário no actula contexto político nacional, exige cedências mútuas e a definição do que deve ser uma plataforma política de actuação nas questões essenciais.
    Já agora, por muito que leia sobre a posição do KKE, muito me custa a entender que se tenha perdido uma oportunidade de convergência política na grécia para demostrar que as inevitabilidades que lá, como cá, nos apregoam não são uma fatalidade. O registo político e histórico da esquerda grega deve ser bem mais complexo do que esta simples ideias, ma que custa entender, custa.
    Assim não vamos lá.

  11. Nuno diz:

    Porque confunde Alemanha com Capital Financeiro? Na Alemanha não existem trabalhadores?

  12. Des diz:

    O povo grego, uma vez mais, pronunciou-se e afirmou bem alto o que pensa do KKE, goste-se ou não.
    É claro que este partido não acabou, sempre haverá crentes nessa fé, mesmo que se tenha perdido uma bela oportunidade para mudar a face da UE.

  13. Nuno Cardoso da Silva diz:

    “A revolução não se faz por via democrática”, pode ser verdade na medida que não é por um acto eleitoral dentro de um sistema que sistematicamente penaliza quem trabalha que as grandes reformas podem ser feitas. Mas a revolução só tem legitimidade se for desejada pela maioria de um povo, e a manifestação dessa vontade pode passar também por actos eleitorais. Mas a criação de maiorias passa por acções concretas. A desagregação do sistema capitalista exige acções concretas a nível do aparelho produtivo, que enfraqueçam o poder do capital e ajudem a mobilizar um povo. E isso faz-se no seio das empresas, e prioritariamente nas empresas do sector financeiro, com exigências de eleição de administradores pelos trabalhadores, pela exigência da socialização – a começar pela nacionalização – dessas empresas. O que passa por greves, paralizações e denúncias – documentadas – de actos lesivos do interesse geral. A paralisação da banca é a ameaça mais séria que se pode fazer ao domínio do capital, com uma mobilização de meios que está perfeitamente ao alcance das actuais forças de esquerda. Mas, curiosamente, nada é tentado nesse sentido. Clama-se por uma “revolução” mas fica-se pela retórica. Não há uma única acção concreta de mobilização dos trabalhadores nos sectores sensíveis para o capitalismo. Os trabalhadores da banca são todos fervorosos militantes do PSD e do CDS? Não há quem consiga começar com uma campanha de panfletos e comunicados, a nível interno, que comece a mentalizar os trabalhadores para a necessidade da socialização da banca? Não pode haver acções de paralização ou de sabotagem informática dirigida aos interesses do capital? Não se podem eleger comissões de trabalhadores mais radicalizadas? Não digo que isto seja fácil de fazer, mas o que justifica a total ausência de acções concretas dentro da banca? Não é que não se seja bem sucedido, é que nem sequer se tenta. Querem o PCP e a CGTP mostrar que estão ao serviço da revolução? Então mexam-se!

    • José Vasco Salinas diz:

      Mexa-se também o Nuno Silva – deve ser cá um agitador…

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Eu sou só um cidadão, com quase 70 anos de idade. Tenho algumas limitações, mas ainda faço alguma coisa no sentido de mentalizar e sensibilizar os meus alunos. Mas o PCP e a CGTP, com tanta gente, com tanta organização, com tanta militância, são incapazes de organizar os bancários na luta contra o capital?… São incapazes de ajudar os trabalhadores de uma empresa em vias de encerrar a ocupar a empresa e a mantê-la a funcionar em auto-gestão?… Isso é que me parece incompetência – ou falta de vontade – da grossa… Mas talvez estejam à espera que o Lenine desembarque em Santa Apolónia para finalmente atacar o capital…

  14. closer diz:

    Não é nada sério o último parágrafo do texto de Bruno Carvalho. Como o DN considera Louçã o líder da oposição grego, logo, Louçã considera-se o líder da oposição grega.

    Rogo o favor de que Bruno Carvalho leia o programa de Filosofia do 11º ano e consulte rapidamente o capítulo falácias.

  15. Tima diz:

    Ao “De”!
    A desonestidade e pressa com que atacou perguntas que fiz ao Bruno só demonstra puro prazer em dar paulada. Em que parte das questões é que eu lhe indiquei as minhas preferências? Vinculei-me acaso a alguma delas? E a falar dessa maneira despudorada até parece que não há gigantes telhados de vidro nos PC´s deste mundo tipo sei lá Coreia do Norte e por aí afora que eu não ando a contabilizar balas para abater os companheiros de esquerda ao contrário do que é uso e costume aqui pelo tasco. Preocupam-se mais com os 5.17% do BE do que com os 11,70% do CDS… Prioridades enfim…
    Ao Rocha!
    Criatura? Sem me conhecer de lado nenhum? Sério? Que elevação argumentativa!
    É assim a vossa honrosa luta.

    “cravo vermelho ao peito, a todos fica bem, sobretudo dá jeito, a certos filhos da mãe”

    • De diz:

      Tima:
      Se interpretei indevidamente o seu comentário como vinculação a determinada opção ou opções peço desde já desculpa.Mas o seu “pequeno questionário”a tal me induziu.

      Não vou comentar o pequeno pedaço de prosa sobre o cravo vermelho ao peito.Nem as suas derivas para a Coreia ou para onde quer que seja.

      Mas nunca,mesmo nunca me viu estar mais preocupado com a votação do BE do que com a votação do CDS. Mais.Não me regojizo com o resultado eleitoral do BE nas últimas eleições.
      E se me conhecesse por aqui saberia que volto geralmente as minhas críticas (por vezes ferozes) a quem está definitivamente do lado de lá da barricada.
      Calo muitas vezes comentários críticos para com pessoas que,com perspectivas diferentes das minhas, estão do mesmo lado da luta.É notório e patente.
      Não me abstenho todavia de ser crítico com determinados acontecimentos que tenho como fulcrais.E de o afirmar sem margem para dúvidas.Mas quando questões que não considero prioritárias no momento actual dividem o nosso campo de luta, não contribuo para propagar nem o fogo nem a animosidade.
      Os meus comentários estão aí para o atestar

  16. V Cabral diz:

    Bruno, o que afirmas é sério ! Eu gostava de ver o PC da Grécia subir e ganhar, mas logo a seguir, estava ao lado do BE da Grécia, porque lá como cá, é um refúgio da Malta de esquerda, haver alguns canhotos no BE, não retira valor ao BE !

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