País Basco: 500 anos de conquista | 500 anos de luta


Há mais de um mês, juntaram-se milhares de independentistas bascos em Iruñea para lembrar a conquista espanhola sobre o Reino de Navarra. O resultado foi este. [Com legendas]

Foi há 500 anos que as tropas bascas foram derrotadas na Batalha de Amaiur. A parte Norte do Reino de Navarra sob ocupação francesa, a parte Sul nas mãos do Reino de Espanha. É ainda esta a realidade 500 anos depois. Pelo caminho, a destruição dos foros, os bombardeamentos nazis sobre Durango e Guernica, a barbárie franquista até 1975 e a guerra suja do terrorismo de um Estado que se diz democrático. É esta a história de um povo que nunca aceitou o destino que lhe quiseram impor.

Nos últimos 50 anos, mais de 10 mil bascos foram torturados às mãos da polícia espanhola. Mais de 1200 foram feridos em acções policiais ou parapoliciais. Desde 1960, 474 foram assassinados por motivos políticos. Estes números que não cabem nas páginas dos nossos jornais destapam a violência a que está submetido um povo a quem lhe proibiram jornais, partidos, organizações juvenis e associações de apoio aos seus 700 presos políticos.

Aurrera bolie.
Borroka da bide bakarra!

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20 Responses to País Basco: 500 anos de conquista | 500 anos de luta

  1. Gentleman diz:

    Esse tipo de nacionalismos são anacrónicos no mundo moderno. O País Basco, pelo menos a parte espanhola, já goza de um grau de autonomia bastante elevado — um dos maiores de todos os países europeus. Querem independência para quê? O que é, na prática, o povo basco lucraria com isso?

    Espantosa é a flagrante dualidade de critérios. Sobre a repressão do regime sírio — que em apenas 1 ano excedeu, de longe, 50 anos de repressão sobre independentistas bascos — sobressai a complacência. Por sua vez, em relação ao País Basco, o Bruno até recorre a uma intelectualmente desonesta amálgama entre a Espanha franquista e a Espanha democrática: «Nos últimos 50 anos, mais de 10 mil bascos foram torturados às mãos da polícia espanhola».

    • Bruno Carvalho diz:

      Eu sei que gostaria que escondesse como escondem os meios de comunicação o que se passa no País Basco. Mas não se preocupe que daqui não leva para esse peditório. Nem em relação ao País Basco nem em relação à Síria.

    • De diz:

      Repare-se como a língua portuguesa é traiçoeira por revelar o que vai na mente de:
      “O País Basco…já goza de um grau de autonomia bastante elevado — um dos maiores de todos os países europeus”
      É falso que o país basco a goze.Mas ficamos a saber que a maioria dos países europeus goza de menos autonomia
      🙂

    • eu diz:

      O Kosovo,o quê?Dualidade de critérios?Pois,que vá à merda, o sr. não tem cabimento nesta casa da esquerda.vá lamber os c***** ao mira amaral,ao assassino do duarte lima,aos ladrões do dias loureiro,oliveira costa,….

      P.S:Ontem soube-se q um cidadão espanhol foi morto na Síria e’ trabalhava’ como mercenário democrático por 1000 euro por dia.Pode-se ser pior que as piores das ditaduras,desde que seja democrático,já é bom,muito bom-aliás os Nazis tb ganharam as eleições democratica/,o melhor é gente como você deixar cair a m´
      ascara….Mas,não tem coragem,pois não?

  2. De diz:

    Sobre o País Basco…
    eis que surge, como se estivesse logo à mão,o caso da Síria.
    Poder-se-á dizer que o cotejo é desonesto.No mínimo.Quer-se distrair o pagode.Quando se fala no país basco poder-se-ia falar com mais propriedade sobre os novos países que foram abençoados pela Nato e pelos interesses alemães e americanos.As tais independências anacrónicas, que culminaram no reconhecimento do Kosovo por uns tantos estados.
    Mas não.Passa-se para a Síria que, como se sabe é um país independente e soberano e que não tem questões como as do país basco.A propósito do numero de vítimas?Mas vítimas de quem?Só do regime sírio?E quando se fala especificamente sobre a Síria porque fogem a tal debate?
    Sabe-se o que se pretende.Esconder o que se passa aqui ao lado.E aproveitar para…
    Mas não passa

  3. Rocha diz:

    Alegria e tenacidade, o Povo Basco é fantástico!

  4. Luis Almeida diz:

    Excelente artigo e maravilhoso vídeo, Bruno! Os espanhóis estão lixados. Os bascos acabarão por ter a sua independência, tão determinados estão !

  5. Joao Passos Dias Aguiar Mota diz:

    Caro Carvalho,

    Concorda tambem com a luta “armada” da ETA? Com ataques a bomba e pagamentos/extursoes de impostos “revolucionarios”?

    E ja que numa de historia, investigue um pouco mais e constate a relação/”origem” do país basco com as guerras Carlistas do sec. XIX em Espanha. Podera ver que esses 500 anos de historia e o “povo” basco sao em grande parte uma mitificação.

    PS: interessante sera depois tb analisar a deriva de uma ideologia/mitologia original de extrema-direita nesse ido sec. XIX para uma apropriação nas ultimas decadas pela extrema-esquerda.

    Saudações,

    • Bruno Carvalho diz:

      É giro que não condene nada do que o fascismo espanhol fez e ainda quer que eu vá na conversa espanholista de supostas mitificações quando o povo e a língua basca são pré-indo-europeus. O Reino de Navarra existia bem antes sequer de existir Espanha.

      • rr diz:

        bruno e as barbaridades do estado espanhoL justificam as barbaridades da eta?A eta ao cometer todos esses asinatos rebaixou-se ao nivel do estado espanhol Um justiceiro é bom, mas um vingador é mau.

        • Bruno Carvalho diz:

          Mas alguém aqui falou na ETA? Mas não sabem falar de outra coisa? Não tem outros argumentos? Agora que a ETA abandonou a luta armada que vos falta para que admitam que o povo basco tem direito à autodeterminação e que não faz sentido que continue a haver partidos ilegalizados, jornais proibidos e centenas de presos políticos que nunca tocaram numa arma?

          • rr diz:

            ó bruno e acha que o passado é alguma folha de papel que se jogue para o lixo? é claro que não.Os crimes foram feitos,os politicos do batasuna ainda que não pegaram nas armas, nunca se desmarcaram de forma convincente dos actos da ets , os familiares dos mortos sofreram.Como é que voce explicava aos familiares do miguel angel blanco, ou do gregorio ordoñez que se perdoava quem lhes matou o seu ente querido,? eu na pele deles , não sei se ia querer viver mais! Escute uma coisa: há coisas que se esqueçam e que se perdoa, mas assinatos á bomba e ao tiro não são qualquer coisa.
            Não obstante isso, a eta já deu o seu 1ºpasso sim.Mas quem cometeu os assinatos tem que ser julgado e cumprir a pena.A eta tem que entregar as armas, e dizer muito claramente: Deixamos a luta armada e vamos optar pela luta pacifica.O estado espanhol tem que por outro lado ser punido pelos abusos que cometeu(se bem que o outro também era criminoso),e também tem que mostrar arrependimento pelo que fez
            Na fase seguinte, os politicos do batasuna condenariam os crimes cometidos pela,e a eta seria integrada neste grupo a exemplo do sinn fein.Ou seja,transformar a luta armada na luta pacifica, como aliás devia ter sido sempre.
            Numa fase mais longa, far-se-ia o referendo de autodeterminação, em que a opção vencedora seria legitimada

          • Bruno Carvalho diz:

            Claro, os independentistas têm sempre de dar o primeiro passo. Ao Estado nada é pedido. E a cada passo que os independentistas dão, o Estado mantem-se imóvel. Mas, claro, a culpa é sempre dos independentistas. Como foi sempre em todas tréguas que se deram apesar de o Estado espanhol nunca ter cumprido os acordos. E cada vez que a ETA decidia romper a trégua lá vinha a lenga-lenga do costume: a culpa é dos terroristas. Eu gabo a paciência dos bascos para o que se está a passar hoje em dia. Terem decidido acabar definitivamente com a luta armada foi uma decisão arrojada perante um adversário sem qualquer vontade de negociar a paz. Você fala no Sinn Fein mas Inglaterra teve uma postura totalmente diferente e preferiu negociar com o IRA. Aliás, basta ver que todos da Comissão de Verificação Internacional criticam o Estado espanhol pela sua postura. Mas, claro, os culpados são os independentistas.

      • Justiniano diz:

        Sim, é certo, e nota-se que o caro Bruno Carvalho dedicou na sua vida algum tempo de curiosidade ao estudo dos Reinos de Aragão, de Navarra e do País Basco (mas olhe que essa história, a fundo, é, certamente mais extensa, e se o Bruno conseguir saber bem a de Portugal será, sem dúvida, mais interessante – Cá estaremos para o ler sobre a história da grandiosa Nação Portuguesa)!!! E sim devemos apontar os fascistas Bascos, Navarros e Catalães que muito contribuiram para a construção da Espanha e do nacionalismo Espanhol!! Sim, devemos mencionar os Navarros e Catalães que utilizaram a Espanha para consolidar os seus conglomerados Industriais, Agrários e Financeiros!! Sim, devemos enaltece-los, a Bascos, Navarros e Catalães por prosperarem e disporem de rendimento superior à restante Espanha!! Sim, devemos reconhecer-lhes esses méritos, e sim devemos recoeonher-lhes o mérito de conseguirem simultaneamente oprimir as suas gentes e zelar pela sua história e cultura, ainda que utilizem a designação de Espanha para algum desses feitos!! E muito mais, e tudo!!

  6. von diz:

    E o reino de Leão… Nesse caso, nessa preservação das origens, haveria reis em todos os cantos. Não vos sabia monárquicos.

  7. Joao Passos Dias Aguiar Mota diz:

    Estimado Carvalho,

    O Reino de Navarra nao era o Pais Basco.

    Historicamente na regiao sempre existiram varios dialectos, alguns deles de origem nao latina (e portanto diferentes do castelhano), mas diferentes entre si. Em meados deste seculo foram aglutinados uniformisados entre si por um conjunto de “academicos” dando origem ao que se chama lingua basca, lingua essa que por difuso tradição e uso historico teve que recorrer a diversas estruturas gramaticais e derivaçoes vocabularias de raiz latina.

    A suposta “individualidade” e superioridade cultural, historica e mitologica do povo e do país basco tem muito (tudo?) a ver com uma ideologia de povo eleito/povo puro basto típica de extrema-direita.

    Ainda que hje em dia a iconografia adoptada seja significativamente de extrema esquerda, pense nisso….

    Com respeito e amizade, seu,

    Joao dos Passos da Mota

    • Bruno Carvalho diz:

      Não minta. O Reino de Navarra era o reino de todos os que falavam bascos, o reino de todos os euskaldunes. É verdade que havia e há vários dialectos mas todos tendo o euskara como língua mãe. No principio do século, houve efectivamente uma unificação do euskara que se chama batua e que serve para facilitar a comunicação e a sobrevivência de uma língua que quase se extinguia com a opressão cultural espanhola. Não há qualquer estrutura gramática latina e a maioria das palavras latinas que nela estão referem-se a novas palavras que surgiram de coisas que não existiam então.

      Não há qualquer superioridade cultural dos bascos. Há é uma tentativa de espezinhamento e inferiorização patrocinada pelos Estados espanhol e francês. Para o qual o senhor também está aqui a contribuir. Não há qualquer povo eleito ou puro. O povo basco só quer viver em paz e decidir o seu próprio futuro no seu território. Veja-se que a esquerda independentista considera que basco é todo aquele que trabalhe e viva no País Basco, tenha ou não nascido lá.

      Por muito que tente não vai conseguir disseminar a toada de mentiras que há décadas espanhóis e franceses lançam sobre as razões que levam o povo basco a lutar pela sua independência.

  8. ansomilo diz:

    Pela liberdade e dignidade do Povo Basco. Só lutando, os objectivos serão alcançados.

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