Massas organizadas.

Mais do que pneus a arder, é esta imagem que me entusiasma. Quando tinha oito anos também deixei um pneu a arder. Foi no Largo da Estrela e fez um fumaral do caraças.

Mas é esta a imagem que verdadeiramente queima. Classe operária com as luzes acesas.

No sábado, há manifestação da CGTP em Lisboa. Contra a exploração e o empobrecimento.

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38 respostas a Massas organizadas.

  1. De diz:

    No sábado há mais uma jornada.Contra a exploração e o empobrecimento.
    A nossa luta é também a dos mineiros.E vice-versa

  2. Augusto diz:

    Pedro Penilo o que é que o COMBATE dos mineiros das Asturias , tem a ver com os desfiles da CGTP.

    Homem ACORDE.

  3. André Silva diz:

    Que grande exemplo de luta, consciência e organização.

  4. Pingback: Massas radicalizadas. | cinco dias

  5. João Valente Aguiar diz:

    Por acaso, se houvesse em Portugal o que tem ocorrido nas Astúrias certamente andava tudo a chamar os mineiros de esquerdistas, de radicais e o camandro… Ou de “vândalos” segundo a mais recente versão…

    E consegues o fantástico (na verdadeira acepção da palavra, a criação de uma realidade paralela com poderes sobrenaturais) de separar a luta de massas dos mineiros com as suas manobras de guerrilha… Se o movimento operário seguisse a tua encíclica, na Comuna de Paris os operários teriam-se limitado a marchar pela cidade ou em Petrogrado o cruzador Aurora teria sido afundado para não causar fumaça… Ou para fazer a ponte com o exemplo histórico mais próximo deste, em Inglaterra os mineiros não deveriam ter respondido com pedradas à polícia ou deviam ter deixado os fura-greves terem entrado livremente nas minas…
    Sobre este caso em específico das astúrias, a polícia castelhana acha o mesmo que tu… Se os mineiros apenas se manifestarem e depois voltarem para casa ver “A tua cara não é estranha” está tudo bem… Mas ocuparem as minas ou as estradas, ai jesus que isso não… Muito sinceramente gostava de ver esse palavreado do pneu e do fumaral nas assembleias de base dos mineiros. Como dizem os camaradas brasileiros, «ia virar o maior sucesso».
    O teu compromisso é com as lutas que os trabalhadores espontaneamente desenvolvem e organizam por si mesmos ou só com uma capela e com um tipo bem definido de cerimónia?

    • Pedro Penilo diz:

      Lê e pensa, João! Lê e pensa! Que comentário mais tonto! Tu e o Renato gostam tanto do fumo, que nem precisam do fogo… (Eu prefiro os mineiros, tu preferes os pneus. Não sou eu que o afirmo. És tu, com este comentário.

      • anónimo diz:

        que óptima maneira de desconversar…

      • João Valente Aguiar diz:

        Tu preferes os mineiros disciplinados. Eu prefiro os mineiros a lutarem por eles próprios e com as armas que eles bem entenderem. O fumo é o que ele é: fumo. Um biombo para ocultar a discussão do que aqui está em causa: a defesa da autonomia da classe trabalhadora em desenvolver os métodos e as reivindicações de luta que bem entender. Enquanto eu prezo esta autonomia e esta centralidade da luta da classe, tu queres separar as suas formas de luta, como se isso fosse possível naquele caso…

        • Pedro Penilo diz:

          Eu não separei coisa nenhuma do que tu dizes. Tu é que resolveste que eu separei, porque navegas sempre no que te convém.

          A única coisa que está a ser separada na análise desta imagem é a estética da escaramuça, da matéria real da luta consequente, seja ela no momento da sua organização consciente, seja ela no momento da sua explosão irada.

          A luta dos mineiros asturianos não tem um grama a ver com as tristes acampadas do Rossio. Mas tu escolheste as acampadas e os pneus (que nem o Renato nem tu acendem, curiosamente). Eu escolho os mineiros e a sua luta irada, mas que não os impede daquele momento em que aparecem todos em fato de trabalho igual, de luzes acesas, ao entardecer, que serve para mostrar união, coesão e consciência.

          • João Valente Aguiar diz:

            Então não separaste carago? Quando queres opor a queima de pneus a uma manif isso é o quê? Eu percebo que para os artistas tudo valha no plano formal… Mas assim tanto, cheira a pós-modernismo 😀
            Apesar de seres uma pessoa maravilhosa (digo isto sem qq ironia), não dá para debater contigo as questões críticas do movimento operário, porque és um crente… Um crente pós-moderno

          • Pedro Penilo diz:

            Há muitas maneiras de escrever. E cada uma requer a sua leitura. Se eu quisesse opor barricadas a manifestações, eu teria escrito isso. Mas eu não escrevi isso. Tu dás a expressão certa, que é o cerne da tua incompreensão: com efeito, eu prefiro a imagem de operários em unidade de classe, à “queima” de pneus. A expressão foi tua, e é dessa precisa maneira que pode ser interpretada. No sentido “sucateiro do termo. Não te faço a injustiça de dizer que tu preferes a “queima de pneus” à imagem de gente, trabalhadores, operários, mineiros, em luta, nas suas múltiplas formas. Não te faço essa injustiça, mas tamanha lealdade de ti não mereço.

          • Renato Teixeira diz:

            As tristes acampadas do Rossio é todo um programa político. Nada como uma discussão cheia de vida para vir à tona os mais recônditos balanços.

          • Justiniano diz:

            Eu gosto mais do outro JVA, aquele da revolução a crédito, com garantias bancárias, reservas de ouro e cereais e títulos sobre a fazenda de uma grande potencia industrial!! Esse, sim, prudente e custódio, distantíssimo destoutro!!

  6. João diz:

    Equiparar as barricadas e a radicalização das formas de luta dos mineiros a um pneu que se deixou a arder não sei onde tem o mesmo sentido de ter dito no 25 de Abril «tropas a tomar o poder? Engraçado, já tinha visto isto no Chile, há uns meses». E aproveitar o ensejo para dizer «já agora vão à manif», como quem diz «aí sim é a sério», é, como já alguém aqui escreveu, todo um programa. Entretanto, sim, valorar esta imagem e desvalorizar a radicalização da forma de luta, não entendendo que a segunda corporiza esta, é ser de um burocratismo inerte sem classificação…

    • Pedro Penilo diz:

      Onde é que leu isso que diz? Leia, com mais calma! Não venha com coisas na sua cabeça, prévias ao que leu, para descarregar aqui.

      • João diz:

        Comparar as barricadas dos mineiros aos pneus que queimou na infância, é a única leitura válida, é amesquinhar essa forma de luta. De caminho, falar da manif da CGTP, é contrapô-la como «coisa séria» por oposição à «puerilidade» do fumo e dos projécteis artesanais. As palavras querem dizer coisas e as que são convocadas para este curto comentário dizem muito. Desde logo, sobre si.

        • Pedro Penilo diz:

          Nem deve ter reparado quem eram aqueles senhores na fotografia que é motivo de elogio no meu post… Não são da CGTP, não… São os tais mineiros que você afirma estar eu a ridicularizar. É a eles que eu presto homenagem. E aproveito essa singela homenagem para falar de outra frente de luta, que é a que temos aqui mais à mão: a manifestação da CGTP, no sábado (não se esqueça!).

          • De diz:

            Caro Pedro:
            As confusões que se fazem por se querer “ler” o que não se diz…ou por se não perceber o que se escreve… Dá nisto.

            tiros para o ar.
            e nós com tanta falta de munições

            Um abraço

        • Renato Teixeira diz:

          Touché! (sem essa parte de tirar conclusões precipitadas sobre o Pedro Penilo, homem de fraca ironia mas de franca palavra.)

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  8. Loura diz:

    Na minha muito humilde condição de Loura e ateia vos digo que as vossas lutas fraticidas são de tirar a paciência a um santo. Andam a medir as pilinhas? Não acham que é mais importante reflectir numa alternativa concreta, para Portugal e para o mundo, do que andar aqui a discutir artigos de fé? E vão ficar eternamente nisso? Apre!

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  10. Maria diz:

    Este rol de comentários mostra bem porque é que em Portugal não há luta como a dos mineiros asturianos. Tristes de nós.

  11. Lúcia Gomes diz:

    Pode não haver luta como as dos mineiros, hoje. As minas estão quase todas encerradas. Mas houve e há lutas. Das operárias da Rohde, dias e noite à porta da fábrica para que não encerrasse. Dos operários corticeiros, vários dias, noites, meses. Com vigílias, greves, desfiles. No local de trabalho e manifestações nacionais. E falo só da minha terra.

    Os que dizem que Portugal é uma miséria e não chega a lado nenhum, talvez devessem pensar que há muitas lutas que não são televisionadas, mediatizadas.

    Quanto ao resto, querido Pedro, perdes o teu tempo a explicar a quem não quer ouvir. Esses, ao ler a mesma mensagem que eu e tu, vão lê-la sempre de forma diferente. É a sua opção. Tu, e bem, fizeste a tua.

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