Tony B. apoia a Syriza

Não me digam… Não será do partido do outro Tony B. da Terceira-Via que se parecia muito com a primeira.

É de facto para cantar hinos de esperança…

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67 respostas a Tony B. apoia a Syriza

  1. Baresi88 diz:

    “Por: Esquerda Crítica 10 Junho, 2012 – 15:04

    Se um membro da social-democracia britânica, tenha ele sido, ou não, integrante de sua ala à esquerda, declara publicamente seu apoio a Syriza, isso é razão para mim de ler com mais atenção os comunicados do Partido Comunista da Grécia (KKE) referentes a essa coligação. Diz-me com quem andas…”

  2. Zuruspa diz:

    Só quem näo conhece Tony Benn pode alvitrar diatribes destas. Ouvi o Homem:
    http://www.youtube.com/watch?v=37wkX2gklzo

    Tony Benn foi um espinho cravado dentro do “New Labour”. Benn nunca foi do “New”, era e é do “Old Labour”, Benn é talvez o trabalhista mais à Esquerda do Reino Unido: Blair teve de o engolir e aturar porque Benn sempre foi muito popular, e näo havia meio de o “deseleger”. Congratulo-me com o seu apoio ao Syriza. Näo me surpreende, de facto, dada a sua história de defensor do socialismo democrático. Grande Tony Benn! Grande Tsipras!

    • André Silva diz:

      O Tony Benn pode ser o tipo melhor do mundo. O tipo mais fixe à esquerda do partido trabalhista. Mas o certo é que apela ao voto no partido que não só traiu a esquerda como potenciou o imperialismo.

      O Manuel Alegre também é o tipo mais fixe à esquerda, e ei-lo apoiar Sócrates na hora H.

      • O nome Salgado Zenha diz-te alguma coisa? fundador do PSP, partido que nunca renegou, sim, entregou o cartão de militante como o Mário Soares enquanto candidato à presidência? sabes? ouviste falar? uma versão portuguesa do Tony, mas que infelizmente morreu cedo. Imaginas quem o apoiou? terá sido um desvio de direita capitaneado pelo Álvaro Cunhal?

        Sinceramente, não há paciência para esta vaga maoísta que perante a decadência do MR e a tristeza trotskista foi parar ao PCP, a maior ironia na história da esquerda portuguesa de que há memória desde umas confusões parecidas nos anos 30/40, ainda havia anarquistas.

        • Pedro Penilo diz:

          Para quem já não tem paciência, está a mostrar-se muito activo…

          A comparação das duas situações é deveras bizarra. A de umas relativamente normais eleições à Presidência da República, e outra, a de um país a ser aniquilado, sob chantagem e a confiança nas eleições que esse estado inspira.

          Mas a bizarria da comparação vem de outra raiz: é que uma coisa é o PCP apoiar Salgado Zenha. Outra, bem diferente, teria sido Salgado Zenha apoiar o PCP, com ou sem cartão. Se no primeira caso, tudo está no seu devido lugar, no segundo caso, haveria motivo para ficar preocupado.

          • Pedro, a minha actividade é directamente proporcional à minha impaciência. A minha impaciência nesta caso aumenta ao ver a repetição do mesmo erro de 75, desta vez com bandeiras partidárias trocadas.
            E já agora Pedro, nesse tempo, com todas e muito violentas divergências, o povo de esquerda tratava-se por tu, os salamaleques ficam bem à burguesia; a discussão de ideias entre quem a combate usa outra linguagem.
            Podemos divergir no caminho mas quem luta pelo mesmo povo é meu camarada.

          • Pedro Penilo diz:

            Não foi com intenção de distanciação. Eu não conheço a maioria das pessoas que aqui comentam. E até prefiro não conhecer, porque assim a discussão faz-se nos seus devidos termos, sem pessoalizações que outros leitores não entenderiam.

            Naquele tempo, sim, era hábito tratarmo-nos por tu. No meu tempo ainda é. Mas é preciso que eu saiba que assim é com o outro. No fio da nossa discussão não dei conta desse aspecto.

  3. HM diz:

    Que grande ignorância, Bruno! E que grande disparate!

    Pode-se concordar em maior ou menor grau com o Tony Benn, prestigiada figura da esquerda britânica (como eu gostava que fossem os nossos chuchas), mas é sem dúvida injurioso associá-lo ao Tony Blair.

    Ainda me lembro, já há muitos anos, quando veio a Portugal, salvo erro a convite do Cravinho (PS), e deixou os chuchas todos embaraçados com o discurso e as intervenções, de esquerda verdadeiramente consequente, que proferiu nos debates.

    [Para registo histórico, relembro também a figura triste do então camarada Vital Moreira, que fez questão de nos embaraçar a todos quando, no afã de se apresentar mais à esquerda do que o convidado (quem diria hoje!), puxando dos galões de deputado comunista, se pôs despropositadamente a atacá-lo na única coisa que de facto não era defensável, as distorções do sistema eleitoral britânico, quebrando a unidade, logo ali estabelecida, com um homem que cada vez que abria a boca parecia que lançava uma pedra na política dos anfitriões socialistas.

    Aí o ouvi dizer, em resposta a uma provocação sobre a URSS de um chucha já em desespero, depois de uns remoques bem humorados ao Brejnev, em que diga-se de passagem estava cheio de razão, que nunca deixaria de contar emocionado aos netos o papel que a União Soviética tinha desempenhado na derrota do nazi-fascismo, essa União Soviética ao lado da qual tinham lutado todos os progressistas britânicos. ]

    [Como segundo registo histórico, deixa-me também recordar uma lembrança de uma saudosa camarada já falecida que, encontrando-se em Londres nos anos 70 e reconhecendo este lutador de esquerda nas ruas se decidiu apresentar-se-lhe como comunista portuguesa e o ouviu imediatamente dizer: «Ah! O Álvaro Cunhal! Era o único capaz de levar aquele país para a frente!»]

    Pode-se discordar das ideias de T. Benn, e eu, sempre respeitando e com apreço, discordei várias vezes, mas repito que é extremamente injurioso relacioná-lo com o Tony Blair, para além da manifestação evidente de ignorância de misturar a ala mais à esquerda com a ala mais à direita desse saco de gatos que foi, e nalguma medida é, o Partido Trabalhista.

    Se te quiseres informar sobre o homem, encontrarás artigos (ou entrevistas) na extinta Revista dos Partidos Comunistas e Operários.

    Sim, Bruno, fossem os nosso chuchas gente de esquerda como o T. Benn e seria de facto para cantar hinos de esperança.

    • Pedro Penilo diz:

      Fica registada desde já a crítica ao Pedro Penilo, que não ao Bruno.

      É sua a expressão: “saco de gatos” – partido do qual faz parte e fez parte, em toda a sua trajectória política. Sabemos o que tem feito o “socialismo democrático”… Temos muitos exemplares dele aqui em Portugal, desde o Mário Soares à sua versão mais agradável para estômagos sensíveis, que dá pelo nome de Manuel Alegre e outros que sempre vão fazendo falta, quando se trata de sustentar as mesmas políticas de direita ou de dar cobro a mais uma guerra no Médio Oriente. Estar a discutir a pessoa não me interessa para nada. O que me interessa é o renovado, dezenas de vezes renovado entusiasmo com as receitas de senpre, as cedências e as ilusões.

      • HM diz:

        “Socialismo democrático” é conversa de bloquista ou da esquerda adocicada. Não utilizei a expressão e nunca a ouvi ao T. Benn, que se afirmava sem rebuços socialista (tout court).

        Continua a ser injurioso associá-lo a Soares ou a patetas Alegres.

        E ainda mais injurioso associá-lo, como se poderia fazer numa interpretação que quero crer excessiva desta resposta do Penilo, a “políticas de direita ou de dar cobro a mais uma guerra no Médio Oriente”.

        Just for the record: Tony Benn é o prestigiado presidente da Stop the War Coalition, em que participa o Partido Comunista da Grã-Bretanha, constituído para lutar contra as guerras do Afeganistão e Iraque, que tomaram como pretexto o 11/9.

        • Pedro Penilo diz:

          Faz ou não parte do mesmo partido cujo Governo deu início à guerra do Iraque? Responda-me a esta questão. Se tiver saído do partido na sequência dessa guerra infame, eu faço já a minha autocrítica, por ter acreditado na notícia do Bloco de Esquerda quanto à filiação política de Tony Benn. Ou não é verdade que as alas esquerdas das social-democracias têm de facto sido o sustentáculo das alianças políticas que as mantêm no poder a fazer política contra os trabalhadores?

          • Zuruspa diz:

            Saiba V. Exa. que Benn já näo disputou as eleiçöes de 2001, e que a guerra do Iraque começou em 2003. O que ele fez foi liderar a “Stop The War Coalition”, contra a guerra do Iraque e as seguintes.

          • Pedro Penilo diz:

            Já o tinha dito. Mas não respondeu à pergunta. Ou, sim, na verdade respondeu.

          • Zuruspa diz:

            Era uma pergunta ou uma provocaçäo?

  4. HM diz:

    As minhas maiores desculpas ao Bruno Carvalho. Reparei agora que o autor do post é o Pedro Penilo, a quem dirijo o desabafo anterior. Mea culpa, mea culpa. Mais uma vez, que o Bruno Carvalho me desculpe.

  5. João Valente Aguiar diz:

    Claro, o problema nesta bosta toda é mesmo o Syriza… Quais capitalistas, quais partidos da burguesia, qual extrema-direita. Nah, o Syriza é que é o inimigo…
    Francamente Pedro qual o propósito? O Syriza é social-democrata e assume-se como tal: como um partido reformista. Está cheio de defeitos e não é de todo uma alternativa anticapitalista. Mas achas mesmo que é isso que está em cima da mesa na Grécia? Achas mesmo que uma saída do euro é um processo de ruptura anticapitalista? Se achas isso então é bom que os fiéis comecem a explicar porque a seguir à crise 1929 veio o nazismo e a II Guerra Mundial. A Syriza não faz a asneira enormíssima de querer levar os trabalhadores gregos para a indigência completa… Mas, claro eles é que são o inimigo.

    Se as pessoas de esquerda não fundamentam objectiva e racionalmente o que querem propor, então tudo vai muito mal. Por isso, muito pior do que o Syriza são outros que falam em socialismo quando o melhor que aconteceria, se chegassem ao poder, seria um capitalismo de estado nacionalista e autárcico. Mas há quem prefira ver a política a partir da fé… Em relação a isso, muito pouco pode ser feito infelizmente…

    • Pedro Penilo diz:

      João Valente Aguiar, estás à espera de soluções macias, parece-me. Eu não. Não é que não gostasse. Não acredito nelas.

      O problema não é o Syriza. Mas também não é a solução. E o que espanta é a forma acrítica como se continua a acreditar que aquele processo eleitoral e a lei da chantagem vão permiti-la. Desculpa, mas a fé, parece-me, está do teu lado.

      • João Valente Aguiar diz:

        Eu posso estar errado (apesar de, nesta questão, duvidar disso) mas ao menos se isto for tudo com o galho, sei que não contribuí em nada para que os trabalhadores paguem 100 mil escudos por dez pães… Depois manda estampar bandeiras nos pães a ver se o pessoal gosta mais…

        E qual solução macia, qual caraças. Macio é o apego à fé e ao nacionalismo, mesmo que de esquerda. Mas força, cada um acredita nas patranhas que quiser. Nem que para isso, as soluções apresentadas representem voltar trabalhadores gregos e portugueses contra os trabalhadores alemães…

        • Pedro Penilo diz:

          Se fizesses as contas à nossa história no euro saberias que os trabalhadores já pagam cem mil escudos por dez pães, para usar a tua imagem.

          • João Valente Aguiar diz:

            Olha lá, o “mil” também entra para a conta…

          • Pedro Penilo diz:

            Admitamos que não estiveste a fazer contas futurologistas e atiraste um número ilustrativo…

          • Pedro Penilo diz:

            É que a tua ideia de “processos objectivos” pode aproximar-se perigosamente do argumento da “inevitabilidade”, tão em voga. Eu estou disposto – e em ano de Congresso tenho mesmo de fazê-lo – a considerar os prós e os contras da saída do euro. Já me espanta a tua incapacidade de o fazeres, com a tua fervorosa recusa da crítica da social-democracia, com o argumento do caos sobreveniente.

          • João Valente Aguiar diz:

            Ando eu a mandar textos e dados e o caralho mais velho para amigos e eles continuam a preferir drunfos e uma cruz. Por mim tudo bem, desde que sejam felizes…

          • Pedro Penilo diz:

            Não duvido de que o faças. Já estranho mais que, no inusitado tom com que argumentas, pareças esquecer que há mais quem perca horas a estudar os dados. E não estou a falar de mim… Quem sou eu…!

        • Rocha diz:

          É no mínimo comovente a quantidade de almas caridosas que vêm aqui carpir a tragédia que será a Grécia sair do euro. Syriza salvá-nos! Salva a Europa!

          Os olhos estão postos num futuro de tragédia, como se a tragédia não existisse já na Grécia e há bastante tempo – aliás tal como em Portugal, Espanha e outros países.

          Sabes João, quando é que eu tive oportunidade de me sustentar a mim próprio sem a ajuda dos meus pais? Nunca . Sabes quais são as minhas perspectivas de emprego e futuro? Zero.

          Se eu tivesse dois ou três hectares de terra eu fazia o meu próprio pão – se com máquinas, vacas, cavalos ou as minhas próprias mãos tanto faz. O povo sabe safar-se com o que tem se lhe derem oportunidade de viver da sua terra (dos seus recursos) e não de esmolas.

          E não se é mais internacionalista, nem melhor defensor da paz entre povos por ficar a chupar o veneno da teta da Merkel. O melhor que os gregos podem fazer pelos trabalhadores alemães é fazerem a revolução na Grécia.

          Então que venha o dilúvio.

          • João Valente Aguiar diz:

            Claro, que venha o dilúvio. Nem que para isso sejam os trabalhadores a levar com a água em cima…

            E quem é que defende a Merkel ou o euro? Ou a austeridade? Não desconverses nem me atribuas coisas que eu nunca disse ou defendi. E poupa-me a moralismos.

          • Pedro Penilo diz:

            João, com honestidade: a quem é dirigida a tua crítica da “solução nacionalista e da festa do dilúvio”? Quem são os destinatários concretos dessa tua inflamada crítica? (Em Portugal)

          • João Valente Aguiar diz:

            Não estavamos a falar da Grécia???
            Mas, respondendo à tua questão, espero que cá não se alinhe pelas mesmas vias.

    • A.Silva diz:

      Acreditar que não há solução fora do euro não é uma questão de fé, deve ser uma questão de análise “objectiva e muito cientifica”.

      Como se pode propor uma alternativa à bosta em que nos encontramos se não colocarmos em cima da mesa todas as hipóteses, inclusive a de sair do euro?

      A solução para o estado de desgraça em que o capitalismo transformou o mundo, não vai ser fácil e muito menos simpática, mas apostar em soluções “light” que não levam os trabalhadores para a “indigência completa”, mas são capaz de os transportar para novos campos de concentração, também não me agrada muito.

      Parece-me a mim, que o que levou à ascensão do nazismo foi precisamente a forma “suave” com que a social-democracia tratou o fascismo, tal como hoje trata este fascismo, para já económico.

      Quem me parece andar metido nos “drunfos”, são precisamente aqueles que acreditam em receitas fáceis, como se fosse possível superar o capitalismo através de actos eleitorais, não meu caro isto não vai lá dessa forma, isto só lá vai com a democracia a funcionar e a democracia é o povo na rua a impor a sua vontade, tal como em Abril de 74.

      Porque, sejamos claros, o que está aqui em causa é mesmo acabar de vez com o capitalismo e nisso estou de acordo com a forma clara com que o KKE coloca a questão.

    • A.Silva diz:

      Já agora, a propósito de fé e análises objectivas e ainda recordando Lino de carvalho*, aqui fica a memória de uma sua intervenção:

      “…É uma refinada mentira a afirmação, como fez o PS no folheto de propaganda do euro, que a moeda única vai criar postos de trabalho. A moeda única vai, pelo contrário, criar mais desemprego, e ser factor de pressão e chantagem sobre os trabalhadores para um emprego de menor qualidade e mais precário…”

      “…A Europa está a ser construída contra os trabalhadores e contra o emprego. A moeda única está a ser preparada sacrificando-se o bem-estar, a estabilidade e as garantias de quem trabalha. Não foi isto, não é isto que foi, que é, prometido aos povos…”

      Interpelação do PCP ao governo sobre a moeda única
      19 de Março de 1997

      * “Roubado” do blog Antreus

      • João Valente Aguiar diz:

        A entrada até pode ter sido um erro do ponto de vista político. Mas isso não quer dizer que as condições para a saída sejam as mesmas das de entrada. Até porque a economia portuguesa passou a ser uma componente da economia europeia e não já mais uma economia nacional. Sair do euro não é voltar a 1997. É reproduzir 1930 num grau incomparavelmente mais tenebroso. Ou acha-se que os trabalhadores alemães, holandeses, etc. não poderiam ser novamente mobilizados pelo fascismo, desta vez para caçar os “calaceiros” portugueses, gregos e espanhóis?

        • miguel serras pereira diz:

          João,
          admiro a lucidez dos teus comentários e a paciência que pões neles. O “quanto pior, melhor” foi catastrófico nos anos 30 do século passado e tudo indica que o seria agora. Ainda que a crise leve à queda ou desmoronamento dos regimes que nos governam, não levará automaticamente ao fim do capitalismo, e, na ausência de um movimento popular e dos trabalhadores auto-organizado, politizado e forte, só poderá conduzir ao agravamento da exploração e da opressão. A “independência nacional” através da saída do euro é uma superstição e um sintoma de impotência: a saída do euro tornaria os países periféricos menos dependentes? Melhoraria as condiçoes de vida da grande maioria da população? Traria condições mais democráticas ou relações de força mais favoráveis à luta pela transformação das relações de poder e pela emancipação dos dominados? Acresce que a via da “europeização” da luta contra a austeridade empreendida na Grécia foi, até ver, a que se mostrou mais capaz de abalar a oligarquia financeira governante.
          O problema aqui é haver quem entenda que o seu partido, o seu modelo de partido, pode e deve substituir-se à auto-organização (em vez de contribuir para ela) e ao exercício do poder político pelos próprios interessados, e, portanto, subordinam aos interesses do partido os da “classe” – o que, de resto, os transforma, de boa-fé ou não, em aspirantes a membros de uma nova dominação classista. E podíamos continuar…

          Abraço

          msp

          • A.Silva diz:

            O reaccionário do msp no seu esplendor! Para ele a causa da 2ª guerra pelos vistos foram os comunistas, aqueles a quem o capital gosta de atribuir a vontade louca do “quanto pior, melhor”, de forma rasteirinha o miguelinho vai replicando essas teses da direita mais bafienta. É claro que para ele o capitalismo nada teve a ver com essa tragédia, nem ela correspondeu à natureza intrínseca do capital.

            Diz ele depois, que ainda que a “crise leve à queda… dos regimes que nos governam”, isso só nos “poderá conduzir ao agravamento da exploração e da opressão” não se percebendo se propõe que fiquemos quietinhos para não abanar o barco, ou fiquemos à espera dos trabalhadores auto-organizados, politizados e fortes, que segundo consta chegarão num dia de nevoeiro.

            Mas aquilo que o petiz, qual guru da “esquerda livre” e civilizada sabe é que isto de independências nacionais é uma superstição (?) e um sintoma de impotência, e que a saída do euro “não melhoraria as condições de vida da grande maioria da população” e tornaria os países periféricos mais dependentes (parece que os países do centro podem sair que não são afectados na sua independência), tudo isto são coisas que como é sabido não estão a acontecer com a nossa presença no euro. Parece que para o miguelinho se nós saíssemos do euro, até o Sol desapareceria para todo o sempre.

            Mas se a actual “crise” leva ao agravamento da exploração e da opressão, não se percebe muito bem o que para esta cabecinha será melhor, se sair o ficar no euro, pois pelos vistos estamos tramados na mesma.

            Por fim num registo mais de chofer de táxi, o miguelinho remata com a ideia de que os partidos são organizações mafiosas que nada têm a ver com as classes sociais, acabando por impor os interesses do partido (sejam esses interesses lá o que forem), percebe-se que o seu objectivo (rasteirinho) não é propriamente atacar todos os partidos, mas principalmente o Partido Comunista como força organizada e capaz de decisivamente contribuir para o fim do capitalismo, demonstrando mais uma vez o seu carácter anti-comunista.

            Digamos que é mais um belo texto em que msp mostra o seu reacionarismo.

          • João Valente Aguiar diz:

            Miguel,

            de facto, o pior de tudo não é o reconhecimento da existência de vanguardas (ou, para ser mais correcto, de organizações políticas e sociais da classe trabalhadora), mas achar que elas podem substituir a classe. Espantosa transformação do marxismo aqueles que pretendem substituir a luta de classes pela igreja/capela.

            E na verdade, a saída do euro, até tornaria os países periféricos mais dependentes. Espantoso como os “nossos” nacionalistas de esquerda acham que constroem um aparelho produtivo com dinheiro vindo do céu.

            Aqui ficam duas (de quatro) partes de um artigo bastante mais longo em publicação noutro espaço:
            http://passapalavra.info/?p=59652
            http://passapalavra.info/?p=60016

            Abraço

        • Rocha diz:

          Paleio e mais paleio social-democrata…. fantasmas e superstição…

          Pois é, pois é ou piamos fininho com os burgueses alemães ou temos o fascismo a bater-nos à porta. Vamos lá rapidamente fazer frentes populares com todos os oportunistas, carreiristas e arrivistas que tenham os valores republicanos anti-fascistas na ponta da língua. Sabemos como isso foi eficaz em derrotar o fascismo à nascença e prevenir a guerra.

          Não, não existem condições para qualquer desenvolvimento nacional da economia. Não não existe qualquer possibilidade de reactivar o mercado interno de cada país.

          Vamos lá deixar os povos morrerem à fome e à austeridade dentro do euro, dentro dos seus tratados aberrantes. Só é possível o desenvolvimento económico ditado pelas regras do capital, da globalização, do BCE e afins.

          Já sabemos, de tão “científicos” sábios que sair do euro é o dilúvio.

          Agora eu gostaria de saber se a opção defendida com uma “cientificidade” religiosa de permanecer no euro é baseada em alguma vantagem ou algum argumento táctico favorável à luta dos trabalhadores ou se como se adivinha a ladainha do “dilúvio” é apenas mera superstição.

          • João Valente Aguiar diz:

            Luis, acho espantoso como os teus únicos argumentos se resumem a chamar-me umas vezes de social-democrata, outras de reformista, outras de esquerdista. Mais do que o desacerto das classificações trata-se de apenas argumentares num estritamente classificatório e nunca em torno de questões objectivas. Se as organizações da classe trabalhadora tivessem essa cientificidade ao estudar (para transformar) a sociedade, bem que ainda estaríamos em 1830… Nem sei para quê esta “guerrinha” se eu não te convenço e tu não me convences a mim…

          • miguel serras pereira diz:

            Que eu saiba – e a resposta vale também para outros – quem incomoda o governo de Merkel, a troika e os interesses que querem absolutizar o governo pelo capital financeiro da UE, não são os que dizem que saem do euro e vão procurar a dependência da China ou de outros países para garantir a independência nacional, mas os gregos que reivindicam o seu lugar na UE e outras regras de funcionamento para ela.
            Quanto ao resto, não vou desmentir calúnias nem ripostar a insultos e insinuações, mas aconselho a leitura dos dois textos – as duas primeiras partes de um ensaio mais longo – que o JVA publicou no Passa Palavra (http://passapalavra.info/?p=59652 e http://passapalavra.info/?p=60016), e, sobre a minha posição em boa parte convergente, o que tenho escrito sobre o assunto no Vias, nomeadamente em discussão civilizada e creio que útil com JM Correia Pinto (http://viasfacto.blogspot.pt/2012/05/o-modelo-alemao-do-pleno-emprego.html – além de, por exemplo, http://viasfacto.blogspot.pt/2012/05/nao-e-alemanha-por-zeus-e-o-capital.html e, com recomendáveis comentarios de JVA, http://viasfacto.blogspot.pt/2012/05/encruzilhadas-da-ue-via-federal-e.html ).

            msp

          • Rocha diz:

            A guerrinha é a defesa da atitude revolucionária do KKE.

            A guerrinha é contra as ilusões que a “União Europeia” é transformável e reformável.

            A guerrinha é contra a ideia que como agora a nossa economia está na mão dos alemães, só trabalhadores alemães nos podem salvar. Ui ui que que “científica fatalidade”…

            Fatalidades, fatalidades e mais fatalidades…

            A ciência que aí vem no próximo período da luta de classes na Grécia e na periferia da Europa, vai ter sangue nos olhos, punhos cerrados e uma sede de vingança que vai fazer rolar cabeças. Essa ciência que transforma a história mas nunca é feita por cientistas mas sim por povos iletrados.

            Nem Lenine soube realmente pressentir a Revolução iminente quando primeiro aconteceu em 1917. A Revolução está no estômago do povo mais fodido como uma bomba lentamente esmagada até explodir.

            A União Europeia e o euro são instrumentos do capitalismo e sempre o serão, a apropriação destas palavras para fins socialistas só poderia existir em condições tão radicalmente diferentes que ninguém reconheceria qualquer continuidade entre um “euro” e outro euro.

            Mas há mais: o falso drama do euro ocorre numa altura que a Alemanha pretende exercer chantagem usando a saída da euro como trunfo, quer pela ameaça quer pela execução da ameaça.

            Quando o KKE recusa estes dilemas e estas ameaças, o KKE recupera dignidade e a coragem do povo grego perante todas as pretensas fatalidades e perante advertências de “científicas” impossibilidades. Tal como quando aconteceu a Revolução Cubana ninguém acreditava ser possível sequer a “independência” daquele país e de todo o lado vinha desdém – quando os povos armam da revolta de dizer basta às tutelas estrangeiras não há quaisquer impossíveis.

          • João Valente Aguiar diz:

            «A ciência que aí vem no próximo período da luta de classes na Grécia e na periferia da Europa, vai ter sangue nos olhos, punhos cerrados e uma sede de vingança que vai fazer rolar cabeças.»

            Então a luta de classes é a violência pela violência? Que é isso de exaltar o sangue e a ferocidade? Desde quando é que o ressentimento contra os ricos é uma ferramente da luta operária? Se isto não roça ao caldo cultural que fermentou experiências tenebrosas que nem vou citar aqui então não sei o que será…

        • A.Silva diz:

          João o meu receio é que a continuação no euro se transforme precisamente no teu receio e acabe por “reproduzir 1930 num grau incomparavelmente mais tenebroso”, agora já não com os panzers mas com o garrote das finanças.

          Ou seja, a continuação desta lógica onde os “calaceiros” cada vez o são mais em quantidade e em grau, pode (e acredito que vai) criar uma situação onde esses mesmos “calaceiros” fartos de ser justificação e as principais vítimas da ganância do capital se vão insurgir contra o poder, que cada vez mais é a Alemanha e aí, o fascismo (que já domina a economia) de certeza que vai mobilizar os trabalhadores alemães e holandeses contra os dos outros países. Só espero que Marx tenha razão e que a repetição seja em forma de comédia.

          Não sei se a saída do euro é solução, penso é que se reduzimos as hipóteses de solução estamos a entrar em lógicas de inevitabilidades, que só nos conduzem mais para o fundo. Também penso que a solução não pode residir num único país da UE, mas sim numa resposta global dos trabalhadores europeus. Mas essa resposta passa pelos povos de cada país imporem a sua vontade política aos detentores do capital, passa pela criação de uma democracia real onde o poder económico se submeta ao poder político e não o contrário.

          A questão da economia portuguesa ser uma componente da economia europeia, quer dizer que estamos condenados a não ter mais uma palavra a dizer nessa matéria, ou continuamos a ter de que forma? E como é que essa forma se encontra, no equilíbrio das vontades de cada povo, ou através de um “directório ou Troika que passará a ditar as regras?

          Como comunista não acredito em receitas únicas, por isso admiro a coragem do KKE em colocar as coisas de forma clara e fria. Não é propriamente a melhor visão do futuro (no imediato), mas se calhar é aquela que preserva a dignidade dos povos e das pessoas e isso é fundamental para um futuro melhor.

          • João Valente Aguiar diz:

            Caro,
            não se trata da maior ou menor coragem do KKE. Se há gente corajosa são os comunistas. Não se trata disso, mas da linha política que se quer seguir.

            Sobre as considerações sobre a saída do euro. Apesar de várias coisas que várias pessoas não irão gostar (tb ninguém deve escrever como objectivo agradar por agradar) remeto para as duas partes que já foram publicadas de um longo artigo sobre o assunto.

    • André Silva diz:

      Não espalhes mais mentiras, João. O que estás a dizer sobre o KKE não tem a ponta de verdade, é uma teoria que inventaste e queres impor ao mundo e que só colhe entre malta do BE, não porque tenha qualquer cabimento, mas porque concordam com qualquer coisa que ataque comunistas no mundo.

      O KKE quer um estado capitalista e autárcito? Dás-te conta da asneira que estás a dizer?!?! Devias, no mínimo, ler os comunicados do KKE. Este nunca disse, nem de perto nem de longe, pretender uma economia fechada. Nunca. As tuas suposições baseiam-se em nada, ou, talvez, numa certa dose de preconceito.

      Mais respeito pelos comunistas gregos!

      • João Valente Aguiar diz:

        Então se se toma o poder num país e se se vê a nacionalização a operar dentro de um quadro nacional isso é o quê? Curioso como as pessoas tendem a esquecer o carácter intrinsecamente internacional das ondas revolucionárias de 1917-23 e de 1968-75…

  6. Dédé diz:

    Tony Benn não tem nada a ver com Tony Blair, é nos anos anos 80/90 a mais proeminente figura de esquerda do Labour Party, o termo “bennite” era então sinónimo de extrema esquerda. Entre muitas outras posições de esquerda, foi dos poucos membros do Labour que apoiou a Greve dos Mineiros de 1984/85.

  7. Kirk diz:

    PP, você aposta forte em qual: pasok ou nova democracia? Claro quer podemos sempre esperar que o PC grego se reforce, mas o que temos visto é que os gregos muito provavelmente não pereceberam a menasagem dos seus camaradas; ou o KKE está muito á frente das massas populares gregas, tão á frente que não se vêem, ou os gregos são ceguinhos. Assim, sobra o Syriza. Do mal o menos, não é?
    Saúde. Dia 17 lá estaremos para ver os resultados. Eu torço pelo Syriza. É preferivel uma pequena vitória (mesmo que passageira) que vitória nenhuma.
    K

    • Pedro Penilo diz:

      Nem que a verdade (a minha verdade) valesse só 1% eu escolheria uma mentira bonita. Com isto não serei obrigado a subscrever tudo o que defende o KKE, mas que é o capitalismo que tem de ser derrotado, derrotando as forças e organizações que o sustentam, isso ninguém me tira.

      • João Valente Aguiar diz:

        E tu achas que a estatização é anticapitalista??? Achas que o capitalismo de estado é uma alternativa ao capitalismo? Enquanto se andar a pensar que certos modelos respondem aos interesses autónomos da classe trabalhadora, certamente que muita esquerda continuará a incorrer nas mesmas asneiras. Para ser honesto, ainda seria pior no caso grego do que em experiências passadas, porque a Grécia não tem chances absolutamente nenhumas de sobreviver económica e politicamente isolada.

        • André Silva diz:

          Os meus amigos sociais-democratas e libertários também acusam Cuba de ser um capitalismo de Estado…

          Tudo gente boa…

          • João Valente Aguiar diz:

            Os sociais-democratas tratam Cuba como uma ditadura. Mas que é um capitalismo de Estado, é. E não vejo nenhum mal nisso. Antes isso do que um capitalismo liberal clássico onde os cubanos morreriam à fome ou sem sistema de saúde e de ensino. O que não quer dizer que Cuba seja necessariamente socialista… Ou quando se toma o poder já se deixa de questionar quem produz a riqueza, quem a apropria e quem a investe? Ou confunde-se a exploração apenas com gajos com cartolas?

  8. Rocha diz:

    Na França o Mélechon pariu um rato com a sua Frente de Esquerda. É o que dá dar apoio ao Holland sem pestanejar.

    Esta gente do eurocomunismo não aprende nada mesmo, sempre atrelados ao PS lá do sítio. O povo prefere o original à cópia, pois claro.

  9. http://www.pcpe.es/internacional/item/1509-mensaje-de-saludo-al-kke-ante-los-resultados-electorales.html

    E assim conta o KKE com o apoio do glorioso PCPE. Pois eu preferia o apoio do velho Benn ao de um grupúsculo infantil, mas devo estar a virar social-democrata.

    • Pedro Penilo diz:

      Não me dei conta de que este post fosse sobre o KKE… Mas percebo que tem vontade de que fosse.

      • João Valente Aguiar diz:

        Como é que num contexto destes tu consegues falar de um partido e não abordar outro? Eu conheço uns pretensos sociólogos do norte, pretensas pessoas de esquerda e tudo que estudam os operários como se fossem uns coitadinhos. Mas tudo fora das relações de exploração para que tudo se mantenha na mesma. Por isso escreveres sobre a Syriza ou sobre o KKE leva sempre a ter em conta o panorama geral…

        • Pedro Penilo diz:

          O meu post é sobretudo sobre uma notícia, o noticiante, o entusiasmo gerado, os apoios, os manifestos “gregos”, a esperança eleitoral, etc, etc. Parece-me, portanto, que é tudo menos “grego”, o meu post.

      • Na minha leitura é sobre uma certa doença infantil do comunismo, onde incluo o KKE. Valha-nos que o PCP ainda está vacinado contra isso.

        • Pedro Penilo diz:

          Também penso que sim, que está.

        • Rocha diz:

          O KKE agora é o bode expiatório da euro histeria.

          As suas greves selvagens, ocupações de ministérios e um apoio que não arreda pé aos operários siderúrgicos à quase meio ano em greve. Todo o combate à máfia do PASOK e às alternativas social-democratas que pululam.

          Tudo, tudo para o caixote do lixo com um rótulo de esquerdismo doença infantil do comunismo.

          Olha meu caro Cardoso, se fosses tu a perder metade do salário, se fosse a ti que anularam o contrato colectivo porque “expirou” e ver toda a tua geração desempregada, se fosses tu a ser empurrado para indigência de um dia para ou outro (nota: e o KKE é vital para informar que isto se está a passar).

          Aí eu queria ver essa tua arrogância para com os camaradas do KKE.

          Falas de barriga cheia!

          • Ainda só perdi 40% do meu salário. Vou esperar que me roubem os 10% e espero que depois possamos trocar umas ideias sobre o assunto.
            Entretanto, não confundi KKE com PASOK algum, nem me serve de bode expiatório. Não lhe dou é o exclusivo da luta anti-capitalista na Grécia, e desconfio que os trabalhadores gregos também não.

  10. Licas diz:

    Estou-me marimbando paoa o que se *paça* na Grécia,
    o Ceriza, o KKK e afins . . . TAL COMO TODOS OS PORTUGUESES!

  11. Licas diz:

    João José Cardoso says:
    10 de Junho de 2012 at 23:37
    Na minha leitura é sobre uma certa doença infantil do comunismo, onde incluo o KKE. Valha-nos que o PCP ainda está vacinado contra isso.
    _____________________
    VALHA-NOS Deus . . . Que o PCP foi vacinado há tantas décadas
    que estamos esperando desde 1989 para uma análise completa, materialista, isenta das desculpas avulso parvas, de que já estamos tão fartos,
    das razões da implosão do comunismo em toda a Europa. . .
    VALEU?

  12. CausasPerdidas diz:

    O sectarismo só produz ignorância, disfarça o isolamento com o auto-proclamatório e acaba no ridículo de ter de produzir os próprios aliados em laboratório – é preciso um desenho?! Curiosa, historica e tragicamente, é que o ódio a quaisquer correntes de esquerda não tem equivalente no beneplácito dado às relações e até casamentos com a Direita… Não diga mais, “viragens tácticas”, ainda leva com os “Tchang Kai Chek” na cara.

    Não apoio tudo o que Tony Benn tem defendido, mas prefiro este social-democrata a muitos “comunistas” :

    Sobre a ameaça de ataque militar à Síria e ao Irão
    http://www.youtube.com/watch?v=244wzSc-cS0

    Excerto do filme “Sicko” (sobre o Serviço Nacional de Saúde)
    http://www.youtube.com/watch?v=OnserZOf1-4

    Lembro-me da forma como Tony Benn apoiou os mineiros do NUM, naquela greve heróica cuja derrota haveria de afectar toda a Classe Operária mundial.
    E, por falar em NUM, e a propósito de sectarismo, ainda tenho em casa o telegrama de emergência enviado pelo NUM porque uns miseráveis de uns caciques negaram a visita de dois dirigentes seus à Setenave (estaleiros navais em Setúbal) para falarem com os trabalhadores, porque estes vinham acompanhados com as “pessoas erradas” da CGTP.
    Nunca perguntei aos sindicalistas ingleses qual era o seu partido, se calhar até eram do social-democrata “Labour”… Grandes “malhas” que eles eram! Camaradas, ainda simpatizo com o Liverpool!
    Percebe a diferença entre um comunista e uma anémona burocrática?

    • Pedro Penilo diz:

      Boa resposta. Contudo, reconhece que não apoia tudo o que Tony Benn tem defendido. E faz o quê com isso? Não o discute? Não o critica? Não se pergunta porque é que Benn ainda é membro do Partido Trabalhista? Não se interroga com a capacidade de “fé” em eleições feitas sob chantagem? Não se pergunta porque paira no ar a repetida, renovada e teimosa suspeita de que é precisao mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma?

      Tony Benn não é santo. Eu também não. Mas nem é a pessoa que aqui se discute. É “pessoas”, “nomes”, “personalidades”, “frisson” – e muito pouca consistência em encarar o touro de frente.

      E ainda que não me valha de nada na discussão consigo, quero dizer-lhe que não tenho, nem poderia ter, “ódio a quaisquer correntes de esquerda”. Tenho felizmente uma enormíssima tranquiquilidade paulo-bentiana quanto a isso.

      • CausasPerdidas diz:

        Claro que discuto, a começar pela ilusão social-democrata de que o capitalismo é reformável. Mais: discuto com todos cujo meio não seja amordaçar-me e o fim a minha eliminação física.
        No caso dos sociais-democratas, e não me refiro àquelas coisas que pululam pelos PS (como poderiam estar noutro sítio qualquer onde o emprego, o lugar de deputado ou o negócio esteja garantido) falo de gente com princípios – que, não sendo os meus, são princípios -, tenho um problema do meu lado: contrapor às suas ilusões reformistas um Socialismo que não seja a degenerescência dos seus princípios libertários.

        Há que discutir com todos os que são – ou se colocam ao lado – da Classe Trabalhadora. O facto de se poder fazer em nome dessa definição, já tem um princípio partilhado: o de que vivemos numa Sociedade de Classes. Certo? Pode-se discutir, então. Não apenas na base dos textos fundadores, mas também no acréscimo que as revoluções do entretanto trouxeram.
        Discutir a cada momento o que qualquer oportunidade no traz para o avanço ou recuo da nossa luta, do nosso fim. E discutir os meios, sempre, porque estes dizem tudo dos fins.
        Não apenas a discussão bizantina sobre se a revolução é pela via armada ou pela via pacífica. A revolução acontece porque não há outra saída, dizia o Trotsky. Mas é uma estupidez provocar sofrimento humano só para provar essa teoria, digo eu.
        Quero dizer com isto, antes de acusarem de “reformista”, que um marxista não deve aceitar determinismos e formas apriorísticas de resolver problemas… é pouco científico. Às duas por três, andamos a deturpar a realidade para ela coincidir com o que pensamos dela.

        A via violenta é a única possível para a revolução, é? E a Revolução Portuguesa, uma das experiências mais extraordinárias ocorridas na Europa, foi o quê?
        Uma revolução não é um “flash”, um “putch”, um momento, é um processo. É um processo que pode levar a um momento determinante, mas, concedamos, também pode ser um momento que se prolonga no tempo de acordo com as contradições e a correlação de forças.
        É um processo também, aquele, contra-revolucionário, que nos últimos anos, em especial este último, nos tem levado todas as conquistas obtidas nos dois anos em que fomos um povo levantado do chão. E só para chatear, tudo começou… com eleições. Mas não foi o resultado eleitoral que nos está a deitar a perder, antes o equilíbrio desfavorável daí resultante, a dinâmica do seu ataque frente à fraqueza da nossa resposta.
        Hoje, a Grécia.
        Pode criar-se uma dinâmica contrária ao que está. Até poderá ser (ouso mesmo: será) contraditória, mas não ousar sequer contribuir para ela, desaproveitando uma oportunidade, eleitoral? que seja!, não é “dar ilusões”, é confundir tudo.
        Ontem, a Revolução Portuguesa.
        “- A Revolução Portuguesa falhou porque não havia sovietes e partido revolucionário…”
        “- Alto, ‘pera aí! ‘Partidos revolucionários’ era o que não faltava, faltou foi sovietes!”
        Isso talvez me explique a azáfama de uns tantos que em 1975 andavam a formar “Conselhos” por aí. Estavam à frente no tempo, e eu não percebi: Andava eu entretido com as Comissões de Trabalhadores, de Moradores e de Soldados… e faltava-me a porra dos sovietes! Estava tudo na porra do manual de como bem tomar o poder!

        Ou, se calhar, era mesmo o Partido, não partidos revolucionários mas O partido.
        Caramba! A revolução soviética teve vários partidos, uma porrada de sem-partido que morreram por ela… Teve um partido, sim, o menor deles, com uma distinção determinante: tinha uma Ideia. E foi essa Ideia que ao ser assumida pela maioria, não o partido!, mobilizou os sovietes para os dez dias que abalaram o mundo.
        E a coisa quase funcionou, outras vicissitudes à parte, até o partido decidir passar a decidir daquilo que competia aos sovietes decidirem. Não se permitiu o risco dos desvios à linha do partido, afinal, se aquela Ideia do partido tinha funcionado, que melhor justificação para que todas as ideias que não viessem do partido pudessem alguma vez funcionar? Não se quis correr os riscos que a democracia política provoca – a tal democracia política que reclamamos dos burgueses! E bastou o partido apodrecer para apodrecer tudo o resto.

        Sim, desviei-me da conversa. Peço desculpa. Isto começou lá em cima com um “post” tão ridículo quanto uns outros que li noutro lado que partiram da “perfomance” televisiva do Hugo Chávez para analisar a Revolução Bolivariana. Uns e outros, merecem-se. Como é infeliz a minha vida sem as suas certezas!

        • Clap. Clap, clap, aplaudo e de pé. Mais detalhe menos detalhe, é assim que vejo as revoluções.
          Sabendo que as fórmulas não se repetem nem são previsíveis, até porque a burguesia conhece de cor e salteado as receitas feitas, e só imprevisivelmente surpreendida será derrotada.

        • miguel serras pereira diz:

          Aqui, sim, começam a ser postas questões vitais, encentando esse processo de reflexão que a acção lúcida não pode dispensar e, menos ainda, quando visa uma transformação radical das formas hierárquicas e classistas das relações de poder estabelecidas.
          Assim, aqui ficam mais umas achas para a discussão, repescadas de outras caixas de comentários ou posts por onde passei:

          1. ‘a questão “reforma ou revolução” adquiriu com o tempo fatais ressonâncias teológicas e míticas, que confundem mais o problema do que podem ajudar a abrir caminho. Tenho visto muitas definições da revolução que “nem para atacadores”, e a redefinição das formas institucionais e do exercício do poder que podemos incluir na ideia de “reforma” pode implicar o tipo de ruptura – depende das reformas propostas – que associamos ao “nome de revolução”. Digamos que não é por aí – pela oposição dicotómica – que o gato vai às filhoses ou, melhor, tiraremos nós as castanhas do lume’.

          2. ‘[não creio que seja possível] combater esta tendência de fundo [a “austeridade”, etc.] através de, à escala da Europa, uma mudança de governos e do pessoal político dos partidos, bem como da composição partidária das forças governantes. Com efeito, do meu ponto de vista, a necessidade de obter o mínimo — travar a ofensiva oligárquica (…) — requer mais do que a simples modificação da distribuição dos lugares da cena política existente. Se, sem dúvida, quem quer o mais, não pode deixar de querer o menos, é também verdade que o mínimo que podemos querer com verosimilhança exige, mais do que uma mudança de governos, a transformação do regime.
          Mas [tal] (…) não impede, do meu ponto de vista pelo menos, a acção comum e a formulação de objectivos solidários. Na medida exacta em que, assente na participação igualitária e na auto-organização dos trabalhadores e do conjunto dos cidadãos, a extensão do exercício das liberdades e o aprofundamento da democracia entendida em termos inseparavelmente políticos e económicos — e uma coisa porque outra — (…) forem conseguidos, será de facto uma mudança de regime de exercício do poder o que teremos, muito para além da simples mudança dos governos e da composição partidária dos governos (…). As reformas que [apontem efectivamente para uma transformação radical] (…) serão uma democratização radicalmente instituinte — e, por isso, se assim quisermos chamar-lhe, mas sem abusar da palavra, revolucionária — ou não serão.
          Esta breve conclusão sugere um ponto de partida prometedor: a democratização como plataforma necessária e suficiente tanto da resistência à oligarquia como da ousadia de explorarmos e aprofundarmos a “crise” desenvolvendo as capacidades governantes da cidadania política comum’. (http://viasfacto.blogspot.pt/2010/11/da-democratizacao-como-plataforma.html).

          3. Sublinho o final do parágrafo anterior. De facto, num momento em que a ameaça fascista se adensa seriamente (ver o caso francês, ver o que se passa na Grécia, etc., etc.) parece de elementar bom senso “discut[irmos] com todos cujo meio não seja amordaçar-me e o fim a minha eliminação física”, como V. escreve, que mais não seja para tornarmos eficaz a nossa legítima defesa contra “a patada da besta”, salvaguardando e desenvolvendo ao mesmo tempoo projecto de emancipação de “um Socialismo que não seja a degenerescência dos seus princípios libertários”.

          msp

  13. Ricardo Noronha diz:

    Se a questão de fundo é a rejeição do pacto de agressão, como disse o Jerónimo de Sousa à saida da reunião com a CGTP, então é lícito afirmar que o Syriza não renuncia à questão de fundo, certo? Porque razão se estão a procurar todas as outras razões – as que não são de fundo – para justificar a recusa de uma convergência entre o Syriza e o KKE?

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