Álvaro Cunhal combatendo o esquerdismo-sectarismo dentro do partido

Onde é que há um sector político em Portugal, fora do PCP, que já não tenha tido afirmações anticomunistas. Qual? Qual é o partido, qual é o sector que, não sendo comunista, nunca disse nada contra o nosso Partido?
Vamos lá começar pela direita. CDS é anticomunista, PPD anticomunista, PS por ser socialista não fica a dever nada nem ao CDS nem ao PPD nos ataques que faz ao nosso Partido. Se estão aqui socialistas, leiam o Diário de Notícias de há dois dias e vejam uma entrevista do Dr. Mário Soares, em que em 20 linhas, com toda a franqueza, amigos, estão aqui amigos socialistas, mas eu tenho de dizer o que é. Ele escreve 20 linhas e não estão ali menos de 20 coisas falsas contra o nosso Partido.
Vamos agora para o outro lado. Serão os grupos esquerdistas menos anticomunistas do que o CDS e o PPD? A UDP é menos violenta nos ataques contra o nosso Partido do que o CDS?
Se fôssemos dizer: não devemos entender-nos com ninguém que nos ataque, então não nos entendemos com ninguém. Todos nos têm atacado. Portanto é necessário ver que, embora todos nos ataquem, há homens que não são comunistas, que têm preconceitos anticomunistas, mas que podem vir a ter uma posição de cooperação connosco, com o nosso Partido. Isso tem-se verificado muitas vezes. Têm às vezes posições contra o Partido, discutimos e chegamos a acordo. Não se pense, por exemplo, que Otelo Saraiva de Carvalho tem menos reservas e faz menos críticas em relação ao PCP do que Mário Soares.
As reservas anticomunistas, as críticas ao nosso Partido, não nos podem levar ao isolamento daquelas forças donde vêm essas reservas e essas críticas. Devemos, ao contrário, pacientemente, continuar a nossa batalha política, rejeitando naturalmente as acusações injustas contra o nosso Partido, e procurar ganhar os sectores mais diversos para a política do nosso Partido.
(Marinha Grande – 22.6.1976)

CUNHAL, Álvaro “Uma política ao serviço do povo – Discursos Políticos 8”, edições Avante (1977)

Alguém pode traduzir isto para grego? Creio que faria muito bem aos camaradas gregos do KKE. Um pouco mais de dialéctica e auto-crítica. Mais marxismo-leninismo e menos arrogância. Começar a ler Álvaro Cunhal fazia-lhes muito bem.

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46 Responses to Álvaro Cunhal combatendo o esquerdismo-sectarismo dentro do partido

  1. Leo diz:

    O Tiago agora quer dar lições ao KKE? Tristeza!

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      E o KKE não anda sempre a querer dar lições a TODOS os outros PC’s?
      Oh Leo, então um texto do Álvaro é uma lição para o KKE? Aprender, aprender, aprender sempre.

      • André Silva diz:

        Post arrogante, e não é pouco. O Tiago fazia melhor em perceber porque é que os comunistas gregos fazem essa leitura do seu país.

        E devia deixar de passar a ideia falsa e mentirosa de que os comunistas gregos não aceitam aliar-se com ninguém.

  2. Rui Campos diz:

    Diga-se de passagem que é um discurso válido tanto para a Grécia como para Portugal.

  3. Rocha diz:

    Estou perfeitamente de acordo com o texto do camarada Álvaro.

    Estar a dirigir este discurso ao KKE é que me parece injusto e simplista. O KKE não está isento de erros isso é verdade, mas o seu combate às mistificações “europeístas” é corajoso.

    Outros textos do Álvaro também serviriam perfeitamente para criticar duramente a política conciliadora de classes do Syriza. Eu concordo que haja debate fraternal entre Syriza e KKE mas discordo totalmente com uma sujeição do programa do KKE ao Syriza, seja qual for a votação deste último.

  4. João Pais diz:

    Cuidado com as extrapolações:
    1. O Portugal de 1976 não é a Grécia de 2012, o uso de uma passagem deste género para outro contexto é perigoso, a roçar o desonesto intelectualmente, sem que isso seja porque na altura estivesse errado.
    2. O Partido Comunista Grego, certo ou errado nas suas decisões, tem o direito de as tomar. Da mesma forma que se recusa que se venha de fora para dentro impôr linhas políticas quando elas são da UE/FMI/NATO, também entre gente de esquerda, de progresso, verdadeiros democratas assim o deve ser. Ser solidário é apoiar, não significa abdicar da opinião própria, mas também não dá a ninguém o direito de ingerência.
    3. Mais do que apelos à união da esquerda, seria interessante (isso sim!) que se discutisse se é ou não possível e/ou desejável que forças de esquerda detenham o poder para: a) manter a Grécia (ou qq outro país) no euro sem questionamento; b) ser poder e procurar conciliar uma política favorável para a população, mantendo-se quieto e calado quanto à participação activa numa estrutura como a NATO.
    Toda a reflexão é boa, mas só quando é para nos levar a algum lado. Mais do que vir falar de sectarismo ou da razão deste ou daquele partido, teria interesse discutir o que leva a que determinado partido chegue a determinadas conclusões, para que daí cada um retire também as suas conclusões.
    Resumir as discussões a “tem razão” ou “não tem razão”, é quase tão profícuo como entrar num bar com duas claques de futebol rivais e tentar chegar a um consenso…
    Por mim não tenho certezas, mas por este caminho prefiro até não ter…

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      João Pais, pode-se sempre argumentar, para qualquer citação com história, que o contexto é diferente. Eu vejo grandes semelhanças entre a realidade grega actual e Portugal em 1976. A possibilidade de um golpe de direita, os fascistas a cerrar fileiras, o PASOK e ND ao serviço de agentes externos. Era nesse contexto que o Álvaro apelava à unidade colocando o partido como uma vanguarda ao serviço do povo.

      • João Pais diz:

        E quanto às questões em cima da mesa, não tem nada a dizer?

      • antónimo diz:

        Longe de mim achar que a História serve para nos dar lições, mas há quem nada aprenda com ela. De ambos os lados.

        Não anda os governos europeus a repisar os erros do início do século XX, como se as duas guerras tivessem apenas servido para adiar de um velho sonho: o do liberalismo económico?

        Por outro lado, temos ainda os Chamberlains de serviço e o pessoal incapaz de tomar o cavalo do poder que lhes corre mesmo ao lado.

    • Essa da ingerência tem a sua graça, sabendo-se como o KKE criticou publicamente o PCP por ter reunido o ano passado com o BE.
      O que aqui vai de poeira nos olhos, quando a diferença (abissal) entre PCP e KKE está precisamente nessa reunião, e na afirmação posterior de que entre os dois partidos portugueses há pontos comuns, e naturalmente divergências.
      Já para o KKE a Syriza é apenas e só uma coligação de oportunistas e traidores, como tal um alvo a abater. E a situação política nos dois países tem mais semelhanças (quase tudo) que diferenças (onde é de notar o terreno xenófobo fácil para os nazis e umas forças armadas muito mais perigosas do que as nossas).

      • Pedro Pinto diz:

        Sim o KKE fez isso – e mal. Devemos nós, PCP, fazer o mesmo? Não.
        Toda a minha solidariedade vai para o Partido Comunista da Grécia.

  5. Camarro diz:

    Não é preciso traduzir para grego… Por cá, também faz falta…

  6. RML diz:

    Não percebi. Consegue explicar por que razão diz isso? E cada uma das seguintes coisas, se possível:
    1. A dialéctica insuficiente;
    2. A auto-crítica insuficiente;
    3. O marxismo-leninismo insuficiente;
    4. A arrogância bastante;
    5. A falta de leitura (presumo que se entenda que nunca leram Álvaro Cunhal, pois far-lhes-ia bem «começar a ler») de Álvaro Cunhal.

  7. Licas diz:

    Acho que sim, que se deve ler A. Cunhal. Para se verificar quão
    Stalinista foi sempre o PCP , e CONTINUA . . .

  8. Nuno Rodrigues diz:

    Tiago, essa afirmação aparece algo descontextualizada. Eu acho que o KKE está a ter a posição mais correcta e a história o há.de mostrar. O Syriza está longe de qualquer força esquerdista do nosso país. É o PS pintado de vermelho.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Nuno Rodrigues, a publicação deste texto está longe de ser um apoio ao Syriza.

      • Nuno Rodrigues diz:

        Tiago, o problema é que acho que confundes duas coisas distintas:
        As tentativas de dar lições aos outros e a justeza das suas posições sobre o tema em causa.

        Parece.me mais que óbvio a esta altura que, independentemente do KKE vir a pagar eleitoralmente a sua posição rígida, ela é inteiramente justa. O Syriza a esta altura não compreende nenhum dos factores acima citados e cada vez mais se encosta a uma política de alinhamento que um corte com a troika, por si só, não resolveria a situação. Nisso, aprecio a fibra do KKE.

        Quanto ás lições, tenho alguma pendência a concordar contigo. Mas são situações distintas.

  9. HM diz:

    Eu acho é que faria muito bem aos camaradas gregos reler o Lénine.

    O KKE, com quem estou inteiramente solidário apesar de lamentar as asneiras eleitorais (recusa de integração ou sequer viabilização de governo com outras forças à esquerda do Pasok, recusa de qualquer tipo de entendimento, e mesmo de conversações, com o Syriza), foi, desde há meio ano, o partido político que mais insistentemente reclamou as eleições. Corre, no entanto, o risco, no balanço final do ciclo eleitoral, de sair claramente chamuscado (o que, na minha perspectiva, será bastante negativo, embora ainda tenha esperanças que não desastroso, para os trabalhadores e o povo grego).

    Valia a pena reflectir nisto.

    Nos últimos dias, estimáveis camaradas têm brandido em polémicas, em minha opinião bastante estéreis, com esquerdistas patetas, o livro «A Doença Infantil do “Esquerdismo” no Comunismo», nomeadamente o seu «Cap. VIII – Nenhum compromisso?».

    Mais valia, como propus noutro blog, que perdessem algum tempo a reflectir no seguinte excerto.

    «Fazer a guerra para derrotar a burguesia internacional, uma guerra cem vezes mais difícil, prolongada e complexa que a mais encarniçada das guerras comuns entre Estados, e renunciar de antemão a qualquer manobra, a explorar os antagonismos de interesses (mesmo que sejam apenas temporários) que dividem nossos inimigos, renunciar a acordos e compromissos com possíveis aliados (ainda que provisórios, inconsistentes, vacilantes, condicionais), não é, por acaso, qualquer coisa de extremamente ridículo?»

    E, mais à frente, a propósito de uma situação histórica em que os comunistas gregos poderiam, apesar dos limites da analogia, colher alguns ensinamentos:

    «Por que será que na Alemanha uma tendência igual, absolutamente idêntica, dos operários passarem da direita para a esquerda não levou ao fortalecimento imediato dos comunistas, mas sim, no inicio, ao do partido intermediário dos “independentes”, embora esse partido nunca tenha tido nenhuma idéia política independente e nenhuma política independente, nem tenha feito outra coisa que vacilar entre Scheidemann e os comunistas ?

    Não há dúvida de que uma das causas foi a tática errada dos comunistas alemães (…)»

    Sempre dentro dos limites da analogia histórica, para os bons entendedores que saibam trocar os nomes dos parágrafos.

    • Miguel Lopes diz:

      “recusa de integração ou sequer viabilização de governo com outras forças à esquerda do Pasok”

      Não minta. Mostre-me lá o documento onde o KKE diz que não viabiliza governos à esquerda do PASOK?

  10. Carlos Marques diz:

    Finalmente.
    Saudações comunistas,
    CM

  11. Tiago Santos diz:

    se ser comunista é saber compreender a realidade a sua dinâmica, saber que a transformação social deriva dos conflitos inerentes às massas todos dias em convulsão e injéctá-la sempre com a inovação, nunca esquecendo a máxima de cada um dar” consoante a sua possibilidade e cada um receber consoante a sua necessidade”, não percebo as questões ideológicas das esquerdas. Parem de atacar o PC partido da classe trabalhadora! o que Álvaro Cunhal diz, é exactamente esse ponto fundamental! Um partido verdadeiramente comunista não trai nunca o seu objectivo, está sempre do lado do povo. A questão não é se os comunistas gregos devem apoiar o siryza, a questão é sse o siryza merece o apoio e a confiança dos comunistas? A minha opinião, pouco vale, mas diz-me que ser comunista ou de esquerda pouco tem a ver com as eleiçoes gregas.
    Mas consegue a esquerda portuguesa, assumindo-se revolucionária face ao capitalismo no seu estertor, perceber que se não há alternativa marxista não há nada? Ganhamos pouco em tentar mudar o destinos dos outros, mas teremos tudo nas mãos se quisermos construir o nosso próprio futuro! E isso é o que nos une. Ser comunista ou de esquerda, é estar com as massas. Procurar sempre as suas ambições e necessárias transformações , independentemente dos vossos medos, papões e fantasias. Não há esquerda sem comunistas! Não há revolução sem o fim do estado a que chegámos! Não há alternativa democrática sem o PCP. E esta é a realidade em toda a sua dialética!

  12. GB diz:

    Há quem seja oportunista e use os textos de Álvaro Cunhal para dar lições de política.

  13. A.Silva diz:

    A propósito de políticas de unidade… na Grécia, recordo a cena triste passada num debate televisivo recentemente nesse país, em que um elemento de extrema direita agride uma militante do Syriza e do KKE.

    Não sei se te recordas Tiago, mas a única pessoa que se levantou indignada pela agressão do bronco de direita à militante do Syrisa, foi a deputada comunista, já quando o energúmeno agredia a comunista, os outros mantiveram-se sentados a assistir.

    Mais do que teorias acerca da unidade, há exemplos práticos que são capaz de ser mais valiosos e elucidativos.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Camarada, sabes bem que a política de unidade não se mede assim.

      • A.Silva diz:

        Camarada Tiago, e tu também deves saber que vivemos num mundo em que uma imagem pode valer por mais que uma tese 🙂

        Mas já agora, as politicas de unidade têm só um sentido?

        E depois há coisas que por vezes são dificeis de engolir, como esta facilidade em alinhar nas teses mais agressivas do imperialismo, como seja o caso da Libia e da Siria, para não ir mais longe.

        Mas a unidade prova-se no sitio em que a luta se trava, nos locais de trabalho, nas cidades, na rua e nisso acho que tanto os comunistas portugueses como os gregos não recuam e são (d)os primeiros a avançar.

        Como demonstrou a camarada grega.

    • sopas diz:

      ora reveja lá o vídeo. xiça que até acontecimentos documentados com imagens a mexer sãp capazes de deturpar.

  14. Pedro Pinto diz:

    Ó Tiago, o Álvaro nunca faria o que tu estás a fazer. Nunca o aceitaria. Nunca permitira que atacassem assim os seus camaradas gregos usando os seus textos… Está mal. Muito mal.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Pedro Pinto, qualquer dia ainda me proíbe de ler Álvaro Cunhal. Eu acho que o Álvaro faz muita falta, ao partido e sobretudo ao povo.
      Agir politicamente condicionado pelo que o Álvaro faria ou não na presente situação não é apenas estúpido, é contra tudo o que ele sempre defendeu.

      • Pedro Pinto diz:

        Ler o Álvaro sim, sem dúvida. Aprender com ele, evidentemente, adaptando os seus ensinamentos à nossa difícil luta diária. Usá-lo para atacar camaradas (ou não são esses os teus camaradas na Grécia?) de outros países, isso não!

  15. Bom dia Tiago,
    A ver se agente se entende.
    O que os camaradas gregos afirmam é que não irão para o GOVERNO (porque na Grécia é essa a questão que está na ordem do dia) fazer a política do Capital e da burguesia. Só irão se estiverem em condições de aplicar políticas que defendam os interesses dos trabalhadores.
    Onde é que esta posição é diferente da do PCP (tirando questões de linguagem)?
    Para os marxistas-leninistas as questões essenciais sempre foram a resposta a Quem detém o poder económico? Quem detém o poder político?
    Eles não andam por cá para gerir o capitalismo, mas sim para transformar a sociedade.
    Qual a diferença entre isto«A proposta política do KKE quanto à luta da classe trabalhadora pelo poder encontrar-se-á no âmago do povo no próximo período, pois a diferença entre um governo e o poder real do povo tornar-se-á ainda mais clara, bem como a proposta geral referente às questões imediatas da sobrevivência do povo e do poder popular da classe trabalhadora. A partir deste ponto de vista a actividade político eleitoral do KKE em harmonia com a sua estratégia, como deve ser, constitui um legado importante para os próximos anos.
    O KK não apoiará qualquer governo, não importa qual a sua composição, que emerja da colaboração pós eleitoral dos partidos, seja qual for o título que possam ter. Este governo não proporcionará nada de positivo para o povo. Ao contrário, responderá às necessidades e interesses do capital, às opções da UE e do FMI. Para o KKE concordar em participar de um governo, o partido não teria de efectuar simplesmente um pequeno recuo, mas teria de virar seu programa e linha política de cabeça para baixo e efectuar compromissos inaceitáveis quanto ao presente e futuro dos interesses do povo. O povo não precisa de um tal KKE.» (CC do KKE)
    e a proposta do PCP de formação de um governo patriótico e de esquerda com um conjunto de políticas claras a favor dos explorados e oprimidos do nosso país, a favor das classes trabalhadoras?
    Caro Tiago: na actual composição partidária do nosso país que partidos (não falo de forças sociais e políticas) podem corporizar essa «alternativa» e essa «ruptura»?

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Camarada, respondo-te por email.

    • André Silva diz:

      António Vilarigues:

      Excelente adenda.

    • Ricardo Noronha diz:

      Se bem entendi o programa do KKE é tão bom, tão bom, tão bom, que exige que a realidade se adapte a ele.
      “Só irão se estiverem em condições de aplicar políticas que defendam os interesses dos trabalhadores.”? Mas a criação dessas condições não são precisamente as tarefas de um partido revolucionário? Confesso que estou confuso com esta interpretação do leninismo.
      Quais são as condições que o KKE considera incontornáveis?

  16. Bolota diz:

    “…Vamos agora para o outro lado. Serão os grupos esquerdistas menos anticomunistas do que o CDS e o PPD? A UDP é menos violenta nos ataques contra o nosso Partido do que o CDS?…”

    Tiago,

    Não sei o que sabe no terreno sobre isto, mas sendo o MRPP á altura o braço armado do PS, tire as suas conclusões.

  17. Licas diz:

    Mas que cómicos, MAS QUE BRONCOS, mas que estúpidos . . .
    Ainda não perceberam que QUALQUER governo comunista.
    é da História, é inapto, é brutal, é auto-hipnótico. Para sobreviver
    (e contam-se pelos dedos de uma mão), tomam a forma de
    uma Monarquia absoluta hereditária (Coreia do Norte, Cuba),
    de um estado Рpriṣo (Kmers Vermelhos), ou ṣo auto-extintos
    (URSS). A outra forma, China, prefere-se o *Capitalismo à bruta*
    mono-partidário. Eles, os Comunistas, são os indivíduos mais conservadores
    e exclusivistas que se pode conceber . . . A LIBERDADE INDIVIDUAL, a cidadania,
    morre assim que chegam ao Poder.

    • Rui Campos diz:

      Ainda não percebeste que ninguém te liga? Deves ser daqueles que anda pela internet a provocar os outros com comentários reles. Como diz o outro”Vai masé trabalhar”

  18. Licas diz:

    Isto é apenas o que a História narra . . . .
    De maneira nenhuma invenção/interpretação de quem quer que seja. . .

  19. Licas diz:

    Já propus anteriormente mas fica sempre sem resposta:
    Para quando uma análise completa, idónea, materialista,
    da história da movimentação política do leste da Europa
    desde os anos 90 do século passado.
    Os comunistas que se gabam de saber tudo, de nada lhes escapar,
    na área da Sociologia/Política têm neste ponto uma oportunidade
    única de nos instruir . VAMOS A ISSO, CAMARADAS?

  20. Licas diz:

    Devem de estar a preparar o documento de resposta . . . .

  21. Pedro Pinto diz:

    Porque a luta pela unidade não é de sentido único e faz-se em torno de questões concretas:
    http://pt.kke.gr/news/news2012/2012-06-07-syriza

    E sobre isto, Tiago, que dizes?

  22. jal diz:

    Caro Tiago,

    Começo por utilizar as suas palavras: «Um pouco mais de dialéctica e auto-crítica. Mais marxismo-leninismo e menos arrogância».
    Esta é, de facto, uma receita que devia estar sempre presente nas nossas intervenções e reflexões.
    E ela é, a meu ver, totalmente contraditória com o exercício dogmático fazer uma citação aplicando-a a uma realidade profundamente distinta.
    Uma coisa é o pensamento que nos leva a admitir que, mesmo com anticomunistas, é possível encontrar pontos de cooperação em matérias específicas e com objectivos muito definidos e que os seus preconceitos não devem ser para nós factor impeditivo dessa unidade circunstancial, outra bem distinta é a admissibilidade de prescindirmos do nosso pensamento, das nossas opções, da nossa análise para a todo o custo sustentar uma “unidade” que se faz apenas das nossas cedências.
    Aquilo que muitos pedem ao KKE é que abdique do seu combate ao capitalismo e às suas estruturas de poder, que aceite a UE e os seus instrumentos, que, como defende o Syriza, se reforce o federalismo, continuando a Grécia a ver-se expropriada do que ainda resta da sua soberania e independência em nome de uma flexibilização das condições do empréstimo.
    Ora, será admissível para um comunista grego, a integração de um governo que não coloque de forma clara como objectivo a recuperação da soberania, a rejeição da ajuda/agressão externa, o combate às causas profundas da crise? Os comunistas gregos têm vindo a responder, com o conhecimento e a experiência de quem vive a realidade grega, eles melhor do que ninguém estão em condições de afirmar qual o caminho que melhor servirá os interesses do povo e dos trabalhadores gregos.

    Para um marxista-leninista, uma vez mais está em causa a necessidade de ver para além da poeira, para além das armadilhas e das teses da necessidade de colaboracionismo com aqueles que não põem em causa o sistema e muito pelo contrário querem a sua perpetuação, não vejo outra solução que não passe pela solidariedade com o KKE e a sua luta. Uma luta que não põe de parte a unidade com outras forças e sectores da sociedade grega, que se demonstra disponível para em aspectos concretos concertar posições, mas que não está disponível para perder a sua verticalidade, o seu compromisso com a classe operária e os trabalhadores gregos.

  23. Ricardo Noronha diz:

    Mas não lhe parece, jal, que há muito tempo que a questão não se colocava de forma tão clara como na Grécia se coloca actualmente e que, num contexto concreto como estes, existe o risco real de fazer de uma invocação abstracta dos princípios um obstáculo à estratégia, ou seja, ao cálculo dos meios necessários para atingir determinados fins? Que outro país da UE apresenta neste momento uma situação tão complexa e tão carregada de incógnitas como a Grécia? O apoio táctico e crítico a um governo que se propõe rasgar o memorando da troika não lhe parece neste momento sinalizar uma frente decisiva da luta de classes na Europa? Expressões como «colaboracionismo com aqueles que não põem em causa o sistema» parecem-me um pretexto. Por acaso o programa do KKE propõe-se romper decisivamente com o capitalismo?

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