A 10 de Junho

A brandura, a meiguice portuguesa, está apenas à superfície; raspem-na e encontrarão uma violência plebeia que até assusta. […] A brandura é uma máscara. […] Este é um povo não apenas sentimental mas apaixonado, ou, melhor dizendo, mais apaixonado do que sentimental. A paixão leva-o à vida, e a mesma paixão, consumido o seu alimento, leva-o à morte. Hoje que lhe resta?
Dentro de dias, a 1 de Dezembro, vão celebrar as festas da restauração da nacionalidade, da libertação da soberania dos Filipes de Espanha. No dia seguinte voltarão a falar de bancarrota e de intervenção estrangeira. Pobre Portugal!
Lisboa, Novembro de 1908

Miguel de Unamuno. “Portugal Povo de Suicidas”. Letra Livre, trad., apresentação e selecção de Rui Caeiro

Via Mariana P. Santos

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