O Direito ao Emprego exige Reformas Estruturais (mas não as da troika)*

Existem duas maneiras distintas de compreender o desemprego; cada visão reflecte um paradigma económico e social diferente e subsequentemente, cada uma cultiva uma atitude diferente para com os desempregados. Temos duas visões mutuamente exclusivas; de um lado uma visão que interpreta o desemprego como sendo residual, e do outro, uma visão que interpreta o desemprego como sendo estrutural. O paradigma do emprego residual descreve o desemprego como estando nas margens do sistema económico, resultado de flutuações temporárias da oferta de trabalho e da prosperidade económica, entre outros factores.  Pelo contrário, o paradigma do desemprego estrutural identifica o desemprego como estando constantemente em relação directa com o mundo do emprego, assim como fazendo parte integral do próprio sistema económico e político predominante.

Leia o texto na integra no site do Movimento Sem Emprego.

*Duarte Guerreiro (também ilustração) e João Jordão

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Uma resposta a O Direito ao Emprego exige Reformas Estruturais (mas não as da troika)*

  1. xatoo diz:

    Todas as concepções da sociedade não marxistas batem com os burrinhos na água – os autores deste texto estão a inventar contradições onde elas não existem – obviamente o desemprego é estrutural (nem o próprio Keynes ao não admitir o pleno-emprego se atreveu a considerar a possibilidade do desemprego ser apenas residual), o sistema capitalista exclui a maioria da população (nem sei como se pode falar em “beneficios”, como se não soubessemos a que classe se destinam exclusivamente) para depois concluirem que isto “é essencial para o seu funcionamento e perpetuação”

    Diz-se depois: “o desemprego (estrutural, claro) é principalmente o resultado de três factores: a mobilidade dos trabalhadores, a mobilidade do emprego e os custos de negociação dos salários” – mas de facto não é nada disto, nem sequer é original a grande descoberta de que “o capitalismo global já não funciona na base de expansão e incorporação mas sim numa nova lógica de consolidação e exclusão”. De facto nunca funcionou, sempre excluiu; e mesmo quando incluiu (como por exemplo nos chamados 30 gloriosos anos da reconstrução do pós guerra) isso foi feito com base na expansão imperialista, uma teoria a que até os que se dizem marxistas fogem como o diabo da cruz ao renegarem o leninismo.

    Na sua crítica de economia politica Marx demonstrou que a substituição da força de trabalho humano pelo emprego da tecnologia diminiu o “valor” representado em cada objecto produzido (vulgo mercadorias, nas quais actualmente até o próprio homem é incluido, como p/e na venda de trabalho temporário) e é isso que leva o capitalismo a aumentar permanentemente a produção e a necessitar cada vez menos de mão de obra. É por aqui, pela teoria do Valor (dos bens de uso e de troca) e pela Lei da queda tendencial da taxa de lucro que se pode estudar a relação entre a produção económica e o desemprego

  2. JgMenos diz:

    Estrutural refere as condições estruturais da economia, de que o desemprego é o resultado.
    É o caso português, que tem uma particularidade adicional: a demonização do despedimento preservou empregos que um mero critério económico não justificava que se mantivessem; daí que a crise vem suscitar um desemprego que ultrapassa causas económicas directas.

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