Caro António Chora, eu não quero comprar um carro novo!

Vejo que o camarada propõe, no site Esquerda.net do Bloco de Esquerda, resolver a crise do sector automóvel – que resulta da crise capitalista de super produção de capital – chamando o Estado, ou seja, os nossos impostos, a subsidiar o abatimento de carros, ou seja, a Volkswagen, com o hipócrita argumento de resolver a crise e «melhorar o ambiente».
Não lhe ocorreu fazer uma greve por mais emprego para todos e redução do horário de trabalho (para que 3 façam o trabalho de 1), nem promover uma resposta europeia às medidas de austeridade (só na industria alemã automóvel trabalham 700 mil trabalhadores 70% dos quais sindicalizados no IG Metall). Imagine o que era quando todos parassem de trabalhar e produzir?
Ocorreu-lhe propor mais um roubo do salário através da transferência de impostos, que eu quero na educação dos nossos filhos, na nossa saúde, para a Volkswagen. É o preço da co-gestão entre sindicatos e patrões. Ou seja, achar que nesta crise alguns, poucos, ainda se podem safar entre os pingos da chuva.
Cada vez que vejo um ecologista fujo – já vi praias a serem interditadas para proteger a natureza e um ano depois nascer lá um empreendimento «eco»; parques naturais a serem portajados e os pastores a perderem terrenos baldios; já vi terrenos onde se cultivava comida a passarem a zona de cultivo de combustível «bio» para automóveis. As lâmpadas de poupança de energia custam 10 vezes mais do que as normais. Taxas, sobre taxas, para energias limpas de uma economia suja, que consiste na transferência permanente de dinheiros públicos para empresas privadas.
A minha querida mãe, dona de um Mercedes com 1 milhão de km e 22 anos, está agora proibida de entrar de carro em Lisboa porque o carro dela é muito poluente. Também foi um tipo de esquerda, eleito pelo BE, que teve essa bela ideia – o Zé que fazia falta. Em breve virão as portagens em Lisboa e só o CEO da EDP lá entra, com um BMW novo, limpo, brilhante. Nada como convencer a minha mãe e tantos outros, a trocar de carro, endividarem-se ao banco para comprar um Polo novinho em folha. Assim, agrada-se ao Zé e ao Chora.
Tudo para salvar o planeta – no fim, mesmo lá no fim, estamos todos mortos, mas o planeta estará a salvo.Com amigos assim não nos fazem falta inimigos.

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