Zizek, com a linha justa, do lado certo da força.

Se fosse grego votaria no Syriza. Porque prometem rasgar o acordo da troika e isso é fundamental não só para a Grécia como para todos os povos da Europa sob resgate. Porque recusam qualquer unidade com o PASOK, e isso é indispensável para não absolver quem tem responsabilidade da falência do país. Porque garantem que vão suspender o pagamento da dívida e isso é o passaporte que é preciso para a recuperação dos postos de trabalho, para sair do Euro, para recuperar a independência económica e para abrir caminho um novo paradigma. Em suma, a vitória do Syriza pode abrir um período pré-revolucionário, e devem ser testados num governo.

Compreendo, no entanto, quem hesite. Como o Syriza muitas outras organizações da esquerda social-democrata já estiveram no poder e, regra geral, desiludiram boa parte dos que lhes confiaram as maiorias. Lula da Silva, Evo Morales, François Mitterrand são três exemplos de lideranças que ganharam eleições prometendo o mundo novo e acabaram à mesa dos que, a partir de Davos e de Wall Street, continuam a manter o velho ligado às máquinas.

A eventual vitória do Syriza é uma espécie de revolução de Fevereiro, que derrubou o Czar prometendo pão e paz. Sabemos perfeitamente que a Grécia, depois de expulsar os saqueadores, terá ainda um longo caminho pela frente e só a continuidade da pressão popular sobre um governo progressista garante a possibilidade de se chegar a Outubro.

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23 respostas a Zizek, com a linha justa, do lado certo da força.

  1. asd diz:

    Zizek insulta o KKE!

    • notrivia diz:

      O KKE não tem desculpa.
      Foi convidado pelo Syriza a ir a reunião pra tentar possivel coligação (mesmo que improvavel a luz das condições) e nem se dignou a por lá os pés…
      Nem que fosse lá para dizer na cara que não concorda.
      Diga-se que, o Syriza foi as reuniões dos partidos pró-troika e mandou-os pró caralho. Na minha perspectiva é assim que se faz já que se joga no quadro institucional.
      O KKE só faz merda! Inclusivé ter deixado os nazis irem falar em reuniões dos sindicatos dos metalúrgicos sem dizer nada quando o que deveria ter feito era correr com eles a paulada, que diga-se, é o que costumam fazer aos anarquistas nas manifes. em syntagma, prestando descaradamente ajuda a bofia de intervenção na repressão.

      • Rocha diz:

        Pode continuar a provocar e a mentir, siga o seu caminho, que os comunistas seguem o caminho deles.

        O KKE tenho a certeza que vai continuar a lutar pela revolução socialista – aquilo que se faz nas ruas e não nas eleições – e o SYRIZA vai continuar a lutar por… “salvar o euro” (se quiser uma citação arranjo-lhe).

        Cada um que siga o seu caminho.

        • notrivia diz:

          Rochinha toma lá esta!
          http://libcom.org/blog/greek-stalinists-welcome-fascist-involvement-workers-dispute-27022012
          É fodido, não é?
          Mas devo dizer que a amiga que fez frente ao porco nazi no debate televisivo quase que compensava as falhas dos tais ‘revolucionários socialistas’.
          Mas não compensa.

          • Rocha diz:

            Um link para um vómito é só isso que tem para mostrar? É claro que não leu os comunicados da PAME e do KKE sobre esta matéria.

            Não lhe vou responder com quaisquer links, procure-os você se quiser. Continue a degustar o seu vómito.

            O insulto não atinge os comunistas, pois realmente já estamos habituados a lidar com este tipo de canalhas.

            Mas os operários desta empresa Siderúrgica Grega que estão há quase meio ano numa greve heróica e histórica não merecem estes enchovalhos da parte de meia dúzia de anormais que escrevem para a rede de esgotos (dizem-se anarquistas mas eu não vou por aí porque não confundo anarquistas com esta escumalha).

  2. Rocha diz:

    É curioso que fui censurado durante semanas por um amigo pessoal meu – e escritor daqui da redacção do 5 dias – por dizer simplesmente a verdade: o SYRIZA não é uma organização revolucionária.

    É caso para dizer que o dogmatismo e prepotência da nova vaga social-democrata não olha a meios.

    Aparte a mistura um bocado abusiva de Evo Morales com Miterrand (Miterrand está muito mais à direita), o texto do Renato cumpre a tarefa de repor a verdade num ambiente pre-eleitoral grego marcado pela infinita hipocrisia da maior parte da esquerda “dita” anti-capitalista europeia que santifica o Syriza e demoniza o KKE sem sequer abordar a questão de que o SYRIZA é abertamente reformista e social-democrata – para quem tiver olhos na cara.

    De resto nenhuma força política pode ser revolucionária e partidária dos trabalhadores se continuar a defender as instituições da burguesia. Não é preciso ir muito longe, “salvar o Euro” e “salvar a União Europeia” como o Syriza defende é prova mais que suficiente do carácter social-democrata pro-capitalista do SYRIZA.

    Partilho a tese da situação pre-revolucionária do Renato. Tenho esperança nessa tese. Mas se um caminho novo se pode abrir para os trabalhadores gregos e europeus, este caminho poderá apenas ser pavimentado pela verdade e toda a verdade.

    Basta de hipocrisia! Não quero voltar ao tempo em que caíam migalhas do prato do capital e da UE, quero o bolo todo e quero agora. Não quero o “capitalismo normal”, não quero o “estado social”, quero a revolução proletária e a democracia desde a base.

    • pppp diz:

      Como na China, ou em Angola?

      Isto não é uma provocação Rocha, é mesmo curiosidade, e é mesmo para ver até onde vai a hipocrisia

      • Rocha diz:

        A China e Angola esses eternos álibis dos cobardes que se recusam a enfrentar a podridão imperial que é a “União Europeia”…

        Enquanto se suicidam gregos, espanhóis, portugueses ou italianos, alguns vigaristas enchem a boca com a China e Angola…

        • pppp diz:

          Ui, estão isso está assim? (refiro-me à sua curva de pensamento – pensei em chamar-lhe linha, mas não faz sentido)

          Eu não usei álibis, nem sabia que seria essa facção de atitude nacionalista-europeia (consigo parece possível) que lhe tolda o raciocínio

          Queria só mesmo saber se nessas nações prolifera a “revolução proletária e a democracia desde a base”, e se ninguém se mata (ou é morto) de tanto fascínio por esses líderes e esses governos anti-capitalistas meiguinhos que lá imperam

          Pensava que o Rocha era só hipócrita

  3. Leo diz:

    “Porque prometem rasgar o acordo da troika e isso é fundamental” ???

    Não se entusiasme tanto, Renato. Como diz Aleka Papariga a promessa do Syriza de anular o Memorando não passa de vento quente. Ele não fará nada disso. Toda a linha política do Syriza é contraditória dado que promete abolir o Memorando e simultaneamente negociar o acordo do empréstimo. Ora uma coisa está ligada à outra e os credores não darão dinheiro sem a assinatura do Memorando. Se o Syriza abolir o Memorando assinará um novo Memorando.

  4. Pedro Pinto diz:

    Eh pá, compreendo razões de queixa existentes contra Lula e Morales, mas pô-los no mesmo saco que Miterrand não. No Brasil é certo que não se rompeu com o capitalismo, mas o povo vive de facto melhor, com salários mais altos, serviços de saúde e educação a melhorar… Não é a mesma coisa. Já eu, se fosse grego (que não sou, tal como o Zizek), votava no KKE. Mas o que é que interessa onde é que um gajo que não é grego votaria?

  5. Licas diz:

    _____A eventual vitória do Syriza é uma espécie de revolução de Fevereiro, que derrubou o Czar prometendo pão e paz. Sabemos perfeitamente que a Grécia, depois de expulsar os saqueadores, terá ainda um longo caminho pela frente e só a continuidade da pressão popular sobre um governo progressista garante a possibilidade de se chegar a Outubro._______

    resposta:
    SEMPRE no eventual . . . para o AGIT-PROP é semple (eventualmente) PROFÍCUO
    : a malta vivendo no *formatado* acredita em todas as *injunções* profetizadas . . .
    (Deve se ser drustante para os *camaradas* os resultados das Eleições)

  6. Rui F diz:

    Renato

    Temo uma coisa.
    Depois das eleições acabadas e do Syriza tomar posse, palpita-me que te desiludas.

    Rasgar acordos poderá ter vários caminhos e palpita-me que o Syriza apenas consiga ganhar mais tempo e dinheiro. A Grécia acabrá por pagar tudo com juros, seja com o Syriza, o CDS ou o PS deles. Os únicos que poderiam fazer-te a vontade era o PC

  7. Bafo de onça diz:

    Este texto tem uma contradição insanável. É que o Syriza promete manter a Grécia no euro e até diz que com os outros partidos é que não há hipótese de o conseguir. Aliás um dos grandes problemas da Grécia é que o eleitorado rejeita a troika lá do sítio mas quer permanecer na zona euro. A posição do Syrisa pode ser apenas baixo eleitoralismo mas é certamente eficaz. A correcta posição do KKE do não ao euro vai ser certamente penalizada nas urnas. Mas não é possível conciliar o euro (que é uma das grandes causas da ruptura na periferia da Europa) e a rejeição da austeridade. Uma não muito provavel vitória do Syriza arrisca-se a criar uma situação critica que irá certamente penalizar a esquerda grega. A menos que, como diz o Zizek, os sociais democratas do Syriza escolham mais uma vez o velho mundo e passem a ocupar no mapa politico grego o lugar do PASOK com todas as benesses daí decorrentes.

  8. Licas diz:

    *Frustrante* … of course.

  9. eu diz:

    Se fosse grego,votaria no KKE!

  10. Edgar diz:

    Pois eu, se fosse grego, votava no KKE.
    E se tivesse apenas interesses egoistas, continuava a votar no KKE: pode ser investimento a prazo mas é muito mais seguro.

  11. Fernando Monteiro diz:

    Existem certas semelhanças com certos nomes do passado, em relação à colaboração com a «Troika»… Todo este processo tem semelhanças com certos nomes do passado, como Chaim Rumkowski; Pierre Laval; os comandos “Arajs” da Letónia; Leon Degrelle e a sua legião “Wallonie”; Dinko Sakic da Croácia; Vidkun Quisling da Noruega; Mohammed Amin al-Husseini ou o grande Mufti; Anton Mussert; e até o grego Ioannis Rallis.
    Há 70 anos, estes nomes serviam como colaboradores do nazismo, em condições quase tão semelhantes como aquelas que presenciamos agora em relação aos estados (e as figuras) que se submeteram ao dito «memorando».
    Já percebemos que a «Troika» não é uma boa razão, nem uma salvação possível. É, antes, uma forma de repressão, opressão, tal como foi o nazismo.
    Tal como ontem vimos certos colaboradores enveredarem pelo patriotismo, em relação ao nazismo; hoje vemos outros colaboradores usando a bandeira nacional na lapela do «blazer» azul e dizerem que tudo o que estão a fazer é uma forma de salvar o país do caos.
    Os colaboradores de hoje são a fotocópia dos colaboradores de ontem.

  12. CeC diz:

    Começando pelo vídeo, que tresanda a populismo demagogo, e terminando na opinião expressa no texto… admito que não sei qual dos dois se encontra mais desconexo da estoica e crua realidade.

    Atenção, não se trata de uma mera critica; é simplesmente um afirmar de veracidade.
    “rasgar o acordo com a troika”? Isso tem alguma lógica? Já houve dinheiro investido.. a bem ou mal, pagou ordenados e despesas estatais. Retorno será uma obrigação de responsabilidade.

    O problema da Grécia é bastante patente; a oclocracia em que está imersa tem sido o factor principal de desestabilização.
    Não deve haver investidor algum -há anos- que se arrisque a investir em tal caos.

  13. Martelo diz:

    “A eventual vitória do Syriza é uma espécie de revolução de Fevereiro, que derrubou o Czar prometendo pão e paz. Sabemos perfeitamente que a Grécia, depois de expulsar os saqueadores, terá ainda um longo caminho pela frente e só a continuidade da pressão popular sobre um governo progressista garante a possibilidade de se chegar a Outubro.”

    Acusados de serem reformistas e sociais-democratas e das este exemplo, gostei! 🙂

    Nesta óptica, se uns são Mencheviques eu cá votaria nos Bolcheviques.

  14. Jorge paulo diz:

    Quando a miséria explodir e implodir o país, depois das receitas milagrosas Syrizinas, espero que tu e os camaradas revolucionários de mangas de alpaca, cheios de bazófias da treta, patetas e tão tão pueris, estejam na linha da frente para contribuírem mensalmente com euros para o desastre que por aqui anunciam … querem uma aposta?

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