Zizek, com a linha justa, do lado certo da força.

Se fosse grego votaria no Syriza. Porque prometem rasgar o acordo da troika e isso é fundamental não só para a Grécia como para todos os povos da Europa sob resgate. Porque recusam qualquer unidade com o PASOK, e isso é indispensável para não absolver quem tem responsabilidade da falência do país. Porque garantem que vão suspender o pagamento da dívida e isso é o passaporte que é preciso para a recuperação dos postos de trabalho, para sair do Euro, para recuperar a independência económica e para abrir caminho um novo paradigma. Em suma, a vitória do Syriza pode abrir um período pré-revolucionário, e devem ser testados num governo.

Compreendo, no entanto, quem hesite. Como o Syriza muitas outras organizações da esquerda social-democrata já estiveram no poder e, regra geral, desiludiram boa parte dos que lhes confiaram as maiorias. Lula da Silva, Evo Morales, François Mitterrand são três exemplos de lideranças que ganharam eleições prometendo o mundo novo e acabaram à mesa dos que, a partir de Davos e de Wall Street, continuam a manter o velho ligado às máquinas.

A eventual vitória do Syriza é uma espécie de revolução de Fevereiro, que derrubou o Czar prometendo pão e paz. Sabemos perfeitamente que a Grécia, depois de expulsar os saqueadores, terá ainda um longo caminho pela frente e só a continuidade da pressão popular sobre um governo progressista garante a possibilidade de se chegar a Outubro.

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