Fazer um manifesto vazio é fácil…

A vida não está fácil para a “esquerda livre”. Depois de uma imensa visibilidade em todos os órgãos de comunicação social (num mês terá tido mais visibilidade que o PCTP-MRPP tem em quatro anos) ainda não conseguiu chegar aos 3000 subscritores (o POUS obteve mais de 4000 votos nas últimas legislativas). Curiosamente, ao contrário do que esperava, na sua homilia inaugural parece não ter conseguido mobilizar para a oratória muito mais do que dirigentes do “partido mole” – ainda que não os coloque na sua página oficial. Oficial parece ser que o petit comité não deixará fugir esta “esquerda livre” do sistema capitalista. “A malta” já terá decidido que não há lugar para anti-capitalismos (sabe-se aqui, lá para o  minuto 15’20”).

P.S. – Entretanto parece que também as intenções de voto vão tramando esta “esquerda livre“:

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14 Responses to Fazer um manifesto vazio é fácil…

  1. pedra primeira diz:

    Inês de Medeiros: (sobre a “esquerda livre”) “[Não devemos ter medo de dizer que] somos por isto e aquilo!” … curiosa variação do “coiso”.

  2. Luis Rainha diz:

    Mas há alguma boa notícia aqui pelo meio?

  3. Antónimo diz:

    Pois, mas ninguém do Pous votará naquilo que ali está, que o Pous é pequenino, mas honrado e podiam ter-se lembrado deles para qualquer tendência do BE.

    Nos tempos de antena, a Carmelinda Pereira, o PSR e a UDP sempre deram grande momentos da dita Extrema em videoclips sobre chiqueiros de porcos ao som do Eles Comem Tudo ou em leituras apressadas de comunicados políticos feita por gente sentada a uma secretária vazia e em frente a uma câmara estática.

  4. Pascoal diz:

    De boas intenções está o inferno cheio.

  5. Samuel diz:

    O ar enjoado do economista Jorge Bateira quando fala da esquerda anti-capitalista… é um monumento! 🙂
    Numa altura em que o capitalismo anda tão “mal falado”, aparecer mais um “movimento” para defender o capitalismo era uma coisa muito urgente, pelos vistos. 🙂

  6. pedro diz:

    um movimento que se deixa apoiar por um sérgio godinho, que anda cantar músicas a pedir os restos de comida a mando do exmo. sr. presidente da república, não me parece que tenha sucesso.

  7. Rui F diz:

    Faz na realidade falta uma Esquerda descomplexada, que saiba ser feliz num sistema de economia de mercad0 – afinal de contas é este, o modelo de sociedade em que nos inserimos com os nossos parceiros – em mutação e adaptação constantes. E Europeísta na sua génese.
    Uma Esquerda que tenha aprendido o melhor com o Lula da Silva, Dilma, com a Esquerda Verde Nórdica e com todas as Esquerdas que neste momento fazem parte de alianças governativas por essa Europa, por exemplo.

    Esperemos para ver a consistência das ideias desta Esquerda. Só o tempo o dirá.
    Mas uma coisa é certa. Em eleições Europeias podem JÁ dar cartas, com prejuízo efectivo para o Bloco e especialmente para o Partido Comunista.

    • pedra primeira diz:

      Oh, não, pobre Partido Comunista Português, que hecatombe eleitoral, esta esquerda descomplexada…!!!

      Eu cá compreendo muito bem, que há um esquerda que se quer sentir feliz no capitalismo, descomplexadamente feliz. Têm muito boas razões para serem felizes no capitalismo. Uma delas é desde já não terem um partido que não dê demasiado trabalho e as deixe razoavelmente felizes no seu capitalismozinho onde os milhões de pequenas mortes se varrem para baixo do tapete.

      Mas eu não sou feliz no capitalismo. Não tenho esse privilégio, nem quereria tê-lo. E teria vergonha se o tivesse e fosse “feliz”. Eu sou feliz, por vezes, sim. Mas sou feliz na luta. Contra o capitalismo. Pelo derrube do capitalismo. Pelo socialismo.

      • Pai dos Povos diz:

        Se não és feliz no capitalismo, porque não emigras para Cuba, Coreia do Norte ou Laos?
        Não entendo porque é que há quem leve uma vida infeliz quando o paraíso socialista está ao seu alcance.

      • Rui F diz:

        O Partido Comunista, ou Partido Comunista Europeu por obrigação?

        O PC não tem um projecto Europeu que não seja pular fora e virar costas à Europa.
        Socialismo?
        Qual?
        O Nacinal Socialismo ou o Socialismo Patriota?

        • Rocha diz:

          A imbecilidade da sua sua cultura burguesa chique – muito cosmopolita – desqualifica-o de falar em socialismos.

          Só a sua mentalidade colonial e anexionista o permite falar em uma “Europa”, quando na realidade apenas existe um campo concentração/masmorra a que chamam “União Europeia” – nomes que fazem lembrar a placa “o trabalho liberta” à entrada de Auschwitz.

          Já os mais invertebrados canalhas chamam a este cárcere imundo de “Europa”. Uma coisa única higienizada à boa maneira nazi – como bom apologista do federalismo europeu – da “sujidade” de todas as diferenças culturais e etnográficas entre povos do sul mediterrâneo, ao norte germânico, do leste eslavo às ilhas periféricas, dos Balcãs ao aos Alpes do centro da Europa.

          Numa geração anterior os que gritavam a plenos pulmões “Angola é nossa” teriam aplaudido a sanha com que alguns travestis de “esquerda” agora defendem com unhas e dentes o bordel franco-germânico da “União do Capital Europeu”. “Salvem o euro”, “salvem a União Europeia” dizem os auto-proclamados peritos em “socialismo”, com o mesmo vigor de dar o cu aos alemães com que no passado alguns brancos queriam salvar Angola dos pretos.

        • De diz:

          Um comentário triste.
          A mostrar ou a grande irritação de Rui F.Ou o seu desespero.Ou outra coisa qualquer.
          Podia alongar-me mais.Mas não me apetece.Com os comentários de Rui F discordo muitas vezes.Outras nem tanto.
          Agora Rui F.portou-se tão somente como um pulha.
          (Esta qualificação reservo-a habitualmente a quem nos governa.)

    • Antónimo diz:

      Você insiste em fazer contas erradas.

      O seu preconceito anti-PC (partido que vê em constante queda e perda e que deseja fortemente que desapareça) fá-lo abordar sempre a sociologia eleitoral com um vício conceptual grave que desvirtua qualquer análise. Parte sempre dos seus desejos para e não da realidade.

      Não discuto se é ou não uma esquerda que faz sentido. Isso não me interessa aqui. O que interessa é que essa esquerda que sugere, com esse tipo de lógica, roubaria votos no PS e no BE, partidos onde mais facilmente encontra eleitorado disposto a viver no mercado.

      Pouca mossa faria no PCP uma vez que o ponto de vista de eleitores e militantes é pouco sensível aos argumentos europeísta, não porque não seja europeísta, mas sim porque não faz do europeísmo o alfa e o ómega do seu projecto político.

      Aliás, do PCP vão facilmente votos para engrossar o PS, quando é preciso votar útil, não sendo pois a questão europeísta que está em causa neste tipo de escolha. Já entre o BE e o PS pode haver troca de votos e do PS e do BE nunca vão votos para o PCP.

  8. Martelo diz:

    tenho muitas duvidas relativamente a esta “nova esquerda”, mas acho que ainda é cedo para se fazer tantas analises… digo eu! e sabemos perfeitamente que sondagens e etc, valem o que valem!

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