Não caminharão sós

Texto da Ana Rajado e do Duarte Guerreiro, do MSE, lido na Assembleia Popular do Rossio este domingo.

Alguns de vocês já poderão ter ouvido falar do Movimento Sem Emprego. Existimos para unir os esforços daquela faixa cada vez maior da população – os desempregados, os sub-empregados e os precários – contra o retrocesso civilizacional do neoliberalismo, em defesa dos direitos dos trabalhadores e de políticas de pleno emprego. Somos também aquele movimento que anda sempre a fazer manifestações, porque sempre que dois membros se reúnem “já fazem uma manifestação” – isto segundo a PSP. Por isso ficámos um bocado cansados de fazer a coisa por meias medidas e decidimos convocar uma manifestação a sério no dia 30 de Junho para trazer a vergonha do desemprego para o topo da agenda política.

Os números reais já batem nos 22,5% (1 280 000 pessoas) e, como no resto da Europa, afectam com especial gravidade os jovens, que já foram atirados pelos políticos para o caixote da “geração perdida” que o melhor que tem a fazer é desamparar-lhes a loja e ir para o Brasil ou Angola. Mas quem já não tem nada a perder, tem tudo a ganhar em lutar. Por isso estamos a fazer um apelo a todos para que contribuam para espalhar a palavra. Até dia 30 queremos cobrir as cidades de cartazes, entupir as redes sociais e meter um panfleto na mão de cada desempregado e precário. De facto, a campanha começa hoje em força e quem quiser começar a ajudar desde já. Gostaríamos também de ficar com os contactos de todos os interessados em envolver-se de futuro.

Quem puder contribuir financeiramente, ficaremos agradecidos. O MSE está completamente investido nesta manifestação e precisará de toda a assistência possível para os materiais e deslocações. Poderão usar a conta indicada no site para este fim.

Para terminar, eis porque acho que esta é uma luta crucial: os desempregados e precários vivem vidas de desespero com o amanhã e isso já é razão suficiente para lutar, mas isto não é tudo o que são. São também a ferramenta que o sistema neoliberal usa para destruir o emprego com direitos e salários dignos. São a ameaça que pesa sobre a cabeça daqueles que ainda têm um emprego, para os obrigar a aceitar mais um corte, mais uma hora de trabalho, mais uma indignidade, mais um abuso de poder. “Faz o que te mandam porque há sempre alguém mais desesperado do que tu para te ficar com o lugar.”
E de concessão em concessão, o empregado acorda um dia para a realidade de que já não é um empregado: é um precário – e nada o salva de amanhã ser um desempregado.

Obrigado.

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