«Eu não quero vingança! Eu quero que se faça justiça!» (4)

António Mendes, Benedita Machado, Ezequiel Sousa.

São três nomes. Três cidadãos que, no espaço de apenas 72 horas, foram vítimas da brutalidade de alguns agentes da Polícia de Segurança Pública, na região da Grande Lisboa.

Se os casos de Benedita Machado e Ezequiel Sousa já conseguiram ter algum eco nos meios de comunicação social, o mesmo não se pode dizer relativamente ao de António Mendes (Tony). A SIC foi, até ao momento, a única estação de televisão a fazer referência ao que aconteceu com o Tony na noite de 25 para 26 de Maio. É difícil perceber a forma como a situação vivida pelo Tony tem sido ignorada pelos vários órgãos de comunicação social que temos contactado.

A semana que antecedeu a noite da agressão foi recheada de peripécias. No início da semana o Tony foi levado para a Esquadra da PSP da Cruz de Pau porque não tinha consigo os seus documentos. A mulher saíra do café para ir às compras e levou consigo, na sua mala, a carteira do Tony. Algemaram-no e levaram-no. Ao fim de meia hora, verificada que foi a identificação do Tony e a sua situação, deixaram-no sair. Na quarta-feira o Tony deslocou-se a essa mesma Esquadra, acompanhado pelo seu advogado. Aí falaram com o comandante da Esquadra que deu garantias de que não havia qualquer «perseguição» ao Tony. Dois dias depois foi o que se viu. O Tony é, dessa vez, levado para a Esquadra de Santa Marta de Corroios. Quando lá chega está inconsciente. É retirado, pelos pés, do veículo em que seguia e arrastado para dentro da Esquadra. Permanece inconsciente por algum tempo. É, agora, acusado de agressão e de ter continuado a «conduta agressiva» em plena Esquadra. Algemado nas mãos e nos pés é fácil de perceber até que ponto seria o Tony capaz de partir vasos e mobiliário. Se a isso juntarmos o gás pimenta que foi, repetidamente, «disparado» para os olhos e para o estado em que ele já chegou à Esquadra…

Na segunda-feira (28 de Maio) a mulher do Tony recebeu uma chamada no telemóvel e foi-lhe dito que teria que se apresentar, dia 12 de Junho, na Esquadra da Torre da Marinha para prestar depoimento. É normal este procedimento? Sabemos que não! Qualquer cidadão deve ser convocado oficialmente e por escrito, com indicação do processo a que se refere a convocatória e com indicação do agente responsável pela intimação.

A divulgação que se vai fazendo através das várias redes sociais assume, por isso, um papel especial neste caso. O Tony e a sua família precisam de voltar a ter a confiança necessária para andarem na rua sem qualquer receio.

Ao longo da semana que passou foram dados vários passos para que isso possa ser uma realidade. Há advogados e Organizações Não Governamentais a acompanhar o caso. Mas o receio de que isso possa não ser suficiente é muito. E é um receio que se fundamenta em acontecimentos «estranhos» ao longo da semana que passou. Os pneus do carro do Tony foram cortados, por duas vezes, durante a noite. O carro da sua mulher foi aberto e remexido. Tudo à porta de sua casa ou do café. A mulher foi, ainda, seguida em duas ocasiões e o Tony numa outra em que seguia no meu próprio carro.

É importante que este, tal como os outros casos, não deixem de ser falados e que os vídeos que existem sejam postos a circular por um número cada vez maior de pessoas.

Reafirmo o que já escrevi inúmeras vezes ao longo da semana. Não é a instituição Polícia de Segurança Pública que está em causa. São os agentes que lhe vão dando mau nome e que agem como verdadeiros bandidos que têm que responder pelos seus actos! E se for provado que não têm condições para o exercício das funções que lhes foram confiadas que sejam expulsos e que respondam pelos seus crimes!

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