Só a luta nos devolverá o emprego!

Participa na Assembleia Popular da Plataforma 15 de Outubro, este domingo, às 17h, no Rossio, onde estarão cartazes e panfletos como este para ajudares a organizar a manifestação.

As histórias que eu e a Myriam Zaluar contamos nesta reportagem, na primeira pessoa, ou as várias que o Daniel Rocha tem recolhido na série do Desemprego Tem Rosto, são a ponta do icebergue do maior drama que se abate sobre a nossa sociedade.

Em cada uma delas se desconstrói a propaganda insultuosa de um governo que nos trata como preguiçosos, piegas, coisos, gente pouco empreendedora e, no limite, incompetente. Uma atrás da outra, na penumbra das estatísticas, estão pessoas com provas dadas no mercado de trabalho e outras a quem ainda não lhes foi concedida a oportunidade de mostrar as suas capacidades.

Milhares de jovens que abandonam os estudos para serem explorados a baixo custo ou que saem das universidades para realizar estágios atrás de estágios, onde exercem a actividade profissional plena de responsabilidades mas vazia de qualquer direito. Milhares de adultos abandonam a sua área de formação para fazerem pela vida nas áreas que o mercado os consegue absorver, tantas vezes sem qualquer dignidade. Milhares de veteranos que, no auge da sua profissão, se vêem atirados para casa, para a depressão e cada vez mais para o suicídio, numa espiral tão maldita como dramática. Todos eles, entre o sub-emprego e a precariedade, vão alternando a sua condição de desempregados com a de escravos modernos, amarrados aos grilhões do silêncio, do isolamento e da vergonha.

A hecatombe é de tal ordem que as razões para participar na Manifestação Pelo Direito ao Trabalho e fazer da luta contra o desemprego uma prioridade é de todos e não só dos que já foram privados de salário. Não por solidariedade, o que já seria bastante, mas sobretudo porque este é um garrote que independentemente da força do laço está no pescoço de todos os de baixo.

Ler também: Desempregados, Rise Up!“Vivemos em prisão domiciliária”O coiso do coisoDESEMPREGADOS APELAM A MANIFESTAÇÃO PELO DIREITO AO TRABALHOPELO DIREITO AO TRABALHO! – O custo humano e o preço do desemprego, em números e dezenas de outros artigos sobre o assunto escritos ao longos dos últimos meses, aqui no 5dias.
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6 respostas a Só a luta nos devolverá o emprego!

  1. Não tenho dúvidas em afirmar que o MSE tem condições para se transformar num dos mais interessantes (e importante) movimentos sociais do Portugal pós-25 de Abril. Vão ter muitos obstáculos pelo caminho mas se mantiverem essa garra daqui a alguns anos são muitos os portugueses que vos devem um futuro mais decente e digno.

    Um abraço de solidariedade!
    João Martins

  2. Voltei ainda para acrescentar que pela qualidade da escrita, do pensamento crítico, pela concepção de sociedade que defendem, não posso deixar de vos dizer que este país não vos merece. Se há uma prova de que a meritocracia não funciona neste país ela está à vista com o desperdício de recursos humanos que os MSE evidenciam nas suas posições. Um país de merda este! Ou melhor, para ser mais justo. Uma elite política e económica miserável.
    João Martins

  3. Gentleman diz:

    O desemprego é muito mau para os visados e para a sociedade em geral. Até aí estamos todos de acordo. Porém, o título «Só a luta nos devolverá o emprego!» assenta num equívoco. Equívoco esse que é o de que o bem-estar e a felicidade, em lugar de serem procurados pelo indivíduo, deveriam ser reivindicados ao Estado; tratando-se de um direito. Dito de outro modo, há uma infantilização intrínseca no acto de reivindicar do Estado um papel paternalista de quem tudo se espera. É como a criança que após muito chorar e berrar lá consegue que os adultos lhe façam a vontade. Enquanto isso costuma resultar nas relações criança-adulto, é uma fantasia esperar que funcione da mesma forma no mercado de trabalho. Ou há dinheiro para criar postos de trabalho ou não há. Não se trata de algo reivindicável. Por mais que chorem, berrem ou gritem.

    • Renato Teixeira diz:

      O pleno emprego diz-lhe alguma coisa?

      • Gentleman diz:

        Esperança média de vida de 130 anos diz-lhe alguma coisa?…
        O pleno emprego é um ideal que fica muito bem no papel mas que não está ao alcance de nada nem ninguém proporciona-lo. Como tal, reivindica-lo é uma absoluta perda de tempo. À falta de outras ideias para ocupar produtivamente o tempo sugiro a agricultura biológica.

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