Polícia está a despejar São Lázaro contra a inteligência, as ideias e a ordem do Tribunal. (Em actualização permanente)

"Estão a desocupar são Lázaro, sem um papel para mostrar, sem uma explicação para dar e independentemente da providência cautelar. A Municipal diz para perguntar à PSP, a PSP diz que está a apoiar a Municipal, a culpa é de todos, a culpa não é de ninguém. Bom dia, Portugal!" Via Joana Manuel.

Depois de dias a espalhar o terror por outros lados, a Polícia começou hoje, às 10h, a despejar São Lázaro. À rebelia do que disse o tribunal a sequência da providência cautelar, as autoridades entraram sem ordem de despejo ou qualquer outro documento que justificasse a sua actuação. Diz quem lá está que está a confiscar tudo o que garante o funcionamento da casa com a gentileza que tem caracterizado as forças da desordem. Espalhem a notícia, passem por lá e estejam atentos a eventual chamado aqui.

Neste momento, uma pergunta impõe-se: onde anda o António Costa e a Helena Roseta e que responsabilidade têm nos factos no terreno?

Esta notícia vai sendo actualizada no blogue da São Lázaro 94. Também na Visão, no Sapo, no Destak, no Público e no Expresso.

Actualização 1 – Há um chamado para uma concentração em frente ao gabinete da Helena Roseta, na Rua Nova do Almada, na Baixa.

Actualização 2 – Gabinete da Helena Roseta invadido. 20 pessoas a serem identificadas na Rua do Ouro.

"Alguns ocupas invadiram o gabinete da vereadora Helena Roseta que se recusou a explicar a sua ordem ilegal. Barricou-se na sala de reuniões. Gerou-se grande aparato policial que identificou todas as pessoas que tentaram obter explicações. UM DESALOJO MIL OCUPAÇÕES, foi o que se ouviu bem alto dentro das instalações da Câmara" Via Rui Duarte.

Actualização 3 – Há um chamado para uma manifestação no Porto, às 18h, do Alto da Fontinha à Avenida dos Aliados.

Actualização 4 – Há um chamado para uma Manifestação em Lisboa, ainda com local e hora a definir.

Actualização 5 – Câmara Municipal de Lisboa emite um comunicado em resposta aos acontecimentos.

Actualização 6 – Paula Cristina Marques, funcionária da CML, nega que Helena Roseta se tenha barricado e que chegou já depois da concentração em frente à Vereação da Habitação. (No Grupo da Primavera Global).

Actualização 7 – A manifestação em Lisboa será a partir das 19h, no Martim Moniz.

Actualização 8 – Primeiro vídeo do despejo, com imagens das detenções e de agressões gratuitas por parte da polícia:

Actualização 9 – Um detido será presente a tribunal e os outros já foram colocados em liberdade.

Actualização 10 – Segundo vídeo, desta feita sobre uma das detenções.

Actualização 11 – «Após já ter detido um manifestante pacifico, aos 58 segundos vê-se claramente como um agente da PSP agride com extrema violência e detém uma pessoa que está apenas a falar com ele e na qualidade de advogado.» Via Regueirão dos Anjos, aos 0’52 do primeiro vídeo.

Actualização 12 – José Neves mete os pontos nos is: “Deixemos em paz, por um momento, os polícias que estão a conduzir a desocupação de São Lázaro. O centro da questão é Helena Roseta, primeiro, e António Costa, depois.” Ler o resto da nota aqui.

Actualização 13 – Habitantes da São Lázaro 94 recusam reunir com Helena Roseta, alegando que “não dialogamos quando a nossa porta é arrombada, somos roubados, espancados e detidos. Não entramos em jogos políticos hipócritas e falsos.” No blogue da SL94 convoca-se para as manifestações do Porto e de Lisboa e confirma-se a invasão do gabinete da Vereação da Habitação da CML.

Actualização 14 – Helena Roseta emitiu um comunicado à imprensa onde diz, entre outras coisas, que “suspensão e diferimento” da ordem de despejo da São Lázaro 94 é “gravemente prejudicial para o interesse público”.

Actualização 15 – “A pedra de Roseta”, por Ricardo Noronha.

Actualização 16 – A casa de São Lázaro 94 está, neste preciso momento, a ser entaipada.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 respostas a Polícia está a despejar São Lázaro contra a inteligência, as ideias e a ordem do Tribunal. (Em actualização permanente)

  1. subcarvalho diz:

    UMA desocupação…MIL okupações….que a moda pegue.
    Em solidariedade!

  2. Rocha diz:

    É isso venham daí mais ocupações!

  3. Vítor Vieira diz:

    Tal como disse em relação à Fontinha, não me parece que haja mal em por ao serviço do público um equipamento público pelo qual as autoridades administrativas públicas manifestam desinteresse e mantêm fechado desnecessariamente.
    Por outro lado, a PSP e a Polícia Municipal estão a desobedecer diretamente a uma ordem judicial.
    Há aqui uma inversão estranha: há alguma nebulosidade quanto à legalidade da ocupação que os cidadãos fizeram, mas não é evidente que fosse imediatamente ilegal; já a ilegalidade da atuação policial e camarária é evidente e comprovada.
    Evidentemente, não são os executores das ordens quem tem de ser castigado, mas sim quem as deu. Espero, para bem dos agentes envolvidos, que tenham sido escritas.

  4. Vítor Vieira diz:

    O comunicado da CML apresenta alguns problemazitos que inevitavelmente gerarão imbróglio jurídico.
    Em primeiro lugar, a entidade citada (a “Autoridade Administrativa”) foi a Câmara Municipal e não a Vereadora, pelo que esta, não lhe tendo sido delegados os respetivos poderes, poderá não ter legitimidade para emitir a “Resolução Fundamentada” que a Citação judicial e o CPTA exigiam. Embaraçoso.
    Por outro lado, o ponto 20 do documento da Vereadora refere que o edifício estava devoluto de inquilinos habitacionais desde 2005, e no ponto 24 refere-se que (milagrosamente?) “estava já programada” para Maio de 2012 (programação extensa: foram “só” 7 anos…) uma Vistoria que deveria depois permitir “ponderar” a inclusão do prédio num programa de recuperação (ponto 22).
    No fim de contas, e enquanto os juristas se digladiam, o que respinga na espuma dos dias é isto:
    -a CML tem deixado degradar o património que lhe pertence, e por isso é público; há pois gestão danosa
    -por estranhas e/ou polémicas que possam ser as intenções dos “ocupantes” daquele e de outros espaços públicos, a verdade é que da sua atividade resulta benefício para a comunidade
    A Vereadora Helena Salema parece ter esquecido o seu próprio percurso: em 1967, com 20 anos, tomou contacto com a miséria da população da envolvente de Lisboa (http://goo.gl/fPlts, http://goo.gl/JW2UR) e isso levou-a a tomar atitudes que culminaram com a sua prisão, pela PIDE, em 1973. Nessa altura, também as suas intenções “estranhas e/ou polémicas” desagradaram aos poderes. É pena que a memória seja tão curta.

Os comentários estão fechados.