Tenham medo…

Em resposta ao vídeo que ontem divulgámos, a PSP entendeu emitir o seguinte comunicado:

Tendo em conta as imagens de vídeo recentemente difundidas através de redes sociais, a PSP comunica o seguinte:
Um elemento policial em serviço remunerado na Rua Morais Soares em Lisboa, intercepta um cidadão a exercer condução fazendo uso de telemóvel. Durante a abordagem, apercebe-se de que o cidadão se encontra acompanhado por um filho menor (de colo) e por um cunhado. O condutor assume uma postura agressiva e injuria o polícia. O Elemento policial, em função da situação solicita reforço para o local. Já na presença do reforço, o elemento policial interveniente informa o condutor de que a sua conduta constitui ilícito criminal pelo que deveria cessar a sua conduta. Porque aquele a manteve e continuou a injuriar o polícia, este deu-lhe voz de detenção. Apercebendo-se disso, o condutor retirou o filho do colo do cunhado e serviu-se da mesmo como “escudo” para evitar a consumação da detenção. Aquilo a que se assiste no filme é exactamente ao momento em que, com o maior cuidado possível, os elemento policiais separaram e retiram o cunhado, asseguram a integridade física da criança, colocando-a temporariamente sob a atenção e cuidado de uma agente feminina, e depois procede à manietação do condutor, agora detido, sem ser possível verificar qualquer imagem de violência.

Tendo em conta que a PSP parece andar especialmente atenta a este blogue, sugiro que respondam ao seguinte:

1. O que se entende por “elemento policial em serviço remunerado”? Um cidadão pode ser abordado na rua por um “elemento policial em serviço não remunerado”?

2. Se um cidadão a conduzir uma viatura, quando mandado parar por um polícia, interpelar o agente sobre os motivos que o levam a estar ali e não a prender corruptos, criminosos e banqueiros, isso pode ser considerado injurioso?

3. Pode a PSP garantir que todo e qualquer dos seus agentes a quem o Estado confia uma arma de fogo está preparado psicologicamente para lidar com a natural e crescente tensão em que a maioria das pessoas vive?

4. Se “aquilo a que se assiste no filme é exactamente ao momento em que, com o maior cuidado possível, os elemento policiais separaram e retiram o cunhado, asseguram a integridade física da criança” e se não é “possível verificar qualquer imagem de violência” – afirmações não confirmadas pelo vídeo, qual a necessidade de emitir este esclarecimento público?

5. Em que medida é que o género da agente é relevante para o acto de prestar “atenção e cuidado” à criança a quem levavam o pai? Os agentes masculinos da PSP não estão habilitados a fazê-lo? As “agentes femininas” têm formação especial em Atenções e Cuidados?

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