Isto está a ficar muito feio

Os comentários que aqui tenho recebido às minhas perguntas são, no mínimo, preocupantes. Atente-se aos factos:
Um agente a fazer segurança a uma entidade privada, de acordo com o comunicado da PSP, viu um condutor a falar ao telemóvel. Mando-o parar e prepara-se para o autuar.  Até aqui tudo bem ainda que me lembro de já ter tentado participar a derrama de lixo em espaço público a um polícia que estava nas imediações tendo o próprio alegado que não podia receber a queixa pelo facto de estar a fazer segurança ao Banco de Portugal.
Desconheço as injúrias proferidas mas nada justifica a deslocação para o local de um efectivo policial daquela ordem, como se o agente corresse perigo de vida.
O comunicado da PSP agrava o problema, não se refugiando na tradicional abertura de inquérito. Tentando dar cobertura ao sucedido não acrescenta nenhum dado que justifique a desproporção de efectivos. Mais, desvaloriza a violência com que a criança foi retirada do colo do seu pai abrilhantando a justificação com um toque sexista inqualificável.
Como parece que se está a abrir a caixa de pandora, deixo o relato de um pai, João Penha-Lopes, sobre o que sucedeu com a sua filha, ao que parece, no mesmo dia 28 de Maio:

Esta é a minha filha…..QUE FOI BRUTALMENTE AGREDIDA PELA PSP !!


Claro que foi aberto de imediato um processo crime e ela foi hoje vista por um médico do Ministério Público que ficou literalmente aterrado com o que viu,não só em todo o corpo como na mente (pois ela agora não consegue olhar de frente para um agente da PSP nem andar de combóio), e solicitou a entrega de um TAC à garganta que mandámos fazer, numa clínica privada, pois na ida ao Hospital S.Francisco Xavier, imediatamente após a agressão, não tinham equipamento para ver os tecidos moles do pescoço onde os punhos fechados de um dos agentes fizeram pressão, estando ela contra uma parede. O TAC acusou os danos.
Estava a viajar num comboio de Lisboa para a área de residência e saíu na estação perto de casa onde estavam 10 agentes que se juntaram aos 3 que vinham no comboio e onde tiveram problemas com um grupo de jovens que sairam 2 estações antes dela. Ela até vinha a dormitar. Saiu na sua estação e um conhecido que vinha com ela começou a ser de imediato agredido pelos agentes na gare.
Quando ela gritou a pedir para pararem de bater no jovem foi imobilizada e arrastada pela estação. Foi atirada de cabeça contra as cancelas de passagem dos passageiros tendo caido. O agente que a agrediu levantou-a pelos cabelos e arrastou-a pelos braços para dentro da esquadra localizada nas imediações da estação, onde a levou para uma área vazia a atirou contra uma parede e lhe espremeu o pescoço com os punhos fechados.
Não foi feito qualquer auto. Ela conseguiu telefonar-nos do telemóvel a pedir socorro porque foi espancada e estrangulada. O agente a quem ela passou o telefone disse não saber o que se passava ou o que o colega tinha feito (com a minha filha a gritar em background que era ele que a tinha espancado) mas que ela seria de imediato libertada pois não havia qualquer problema com ela.
Vamos amanhã a uma consulta da APAV para receber acompanhamento e formação sobre segurança pois parece provável que hajam retalizações segundo nos foi comunicado por diferentes entidades o que nos obriga a ter cuidados redobrados….

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