Houla: patriotas sírios assassinados por terroristas


Este foi um dos vídeos usados pela oposição para acusar o governo sírio de massacre contra a população de Houla. É realmente estranho que se acredite que um Estado que tenta amenizar as críticas e combater o isolamento internacional pudesse patrocinar um acto bárbaro a poucas horas da chegada do emissário da ONU Kofi Annan. Não tenho qualquer dúvida de que rejeitarei e condenarei tal violação dos direitos humanos se isso vier a ser provado. Mas o comportamento da comunicação social não contribui para o esclarecimento dos factos. Ela é uma arma ao serviço do imperialismo. O melhor exemplo disso é a fotografia de centenas de mortos iraquianos que a BBC usou para ilustrar o que aconteceu em Houla. Tiveram azar porque o fotógrafo não achou piada e denunciou a situação. Outros, como o The Washington Post, já não conseguem disfarçar o indisfarçável. Os Estados Unidos financiam o terrorismo na Síria e diariamente explodem bombas e são assassinadas dezenas de civis que não recebem qualquer interesse por parte dos mercenários da informação. Naturalmente, serei criticado por não alinhar com a propaganda imperialista. Muitos desses críticos são os mesmos que abriram caminho à entrada do medievalismo no Afeganistão e da barbárie na Jugoslávia. E a esta hora, para contentamento de todos, já se exploram as possibilidades de uma intervenção militar externa na Síria – com o beneplácito desse herói do falso socialismo François Hollande – enquanto se expulsam embaixadores sírios nas capitais europeias.

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18 respostas a Houla: patriotas sírios assassinados por terroristas

  1. Rui Campos diz:

    Realmente esse xuxa do Hollande não perde tempo em baixar as calças e curvar-se perante o imperialismo quando vem a público dizer que uma intervenção armada na Síria é uma hipótese.

  2. JDC diz:

    Então a China e a Rússia também participam no imperialismo americano?

  3. Caxineiro diz:

    O azar da Síria é o de não possuir a bomba
    O azar da jugoslávia foi o de não ter a bomba
    O azar da Líbia foi o ter-se esquecido da bomba
    O azar do Iraque foi o não serem rápidos a fazer a bomba
    O Irão irá ter azar se não fabricar a bomba rapidamente
    O imperialismo só respeita a bomba

    Ninguem pensa em invadir a Coreia

  4. antónimo diz:

    Convinha que se indicasse a fonte do fotógrafo que reclama a autoria da foto. Interessava mais que o boneco.

      • Leo diz:

        Quando se quer vender uma guerra a verdade é a primeira a ser sacrificada. Foi sempre assim.

        Nunca me esquecerei da imagem do Collin Powell de frasquinho na mão em pleno CS da ONU a jurar a pés juntos que aquilo era uma amostra das tais armas de destruição maciça que o Iraque não tinha.

        Nem nunca me esquecerei da idiota da Amampour da CNN a falar do genocídeo em curso na Jugoslávia.

        Ou do idiota do Simpson da BBC a “libertar” Cabul, ou do tipo da Fox News histérico em Bagdade.

        Bush foi-se e Obama continuou as suas guerras e bombardeou durante longos 8 meses o país que estava em 1º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano de toda a África.

        Sarkozy foi-se e de pronto Hollande agarrou as suas guerras. E copia os anglo-saxónicos – Austrália, EUA, Canadá, Grã-Bretanha – expulsando a embaixatriz da Síria em França! Sem sequer se dar ao trabalho de cortar as relações! Para de novo tentar o golpe da divisão, que Sarkozy, desenvolveu com sucesso contra a Líbia e Costa do Marfim.

        Desta vez os BRICS não vão permitir uma nova Líbia na Síria. Vai sair do lombo dos patriotas sírios que estão há 16 meses sob fogo mas que vão persistir porque amam o seu país inclusivo, tolerante e secular. E querem que assim continue e soberano e independente.

      • antónimo diz:

        É má construção de hipertexto. Este link devia estar no post. Assim, a informação ficava logo disponível sendo por isso mais transparente e facilmente verificável. Nem toda a gente vem aos comentários.

  5. André Silva diz:

    Bruno,

    Faz falta que escrevas mais vezes aqui. És dos pouquíssimos que aqui se atrevem a abordar temas complexos como os da Síria. A foto da BBC também me intrigou e sei que há meses que grupos terroristas na Síria são financiados e têm apoio logístico de potências ocidentais. Há imenso cinismo no meio disto tudo que importa esclarecer. E há um silêncio de chumbo na imprensa ocidental sobre a opinião dos sírios, para não falar da versão oficial do governo sírio.

    • Leo diz:

      Se há coisas sem o mínimo de complexidade para entender é esta. Desde há 16 meses que assistimos ao profundo envolvimento dos EUA, França, Grã-Bretanha, Qatar, Arábia Saudita, Turquia, etc., para desestabilizar a Síria, pagando a mercenários de toda a região, cometendo todos os tipos de crimes e atentados. Com todo o envolvimento dos media ocidentais e das ONG’s habituais. Mas a Síria, apesar do tremendo sofrimento imposto aos seus 26 milhões de habitantes resiste, fez progressos, realizou as suas primeiras eleições locais multipatidárias, depois referendou a nova Constituição, realizou eleições nacionais multipartidárias, elegeu o seu Parlamento, formou o seu novo governo.

      Mas são centenas de milhões em armas, munições e mercenários que despejaram contra o país e que continuam a despejar. Armamento cada vez mais sofisticado e em maior quantidade que lá continua a chegar pago pelo Qatar e Arábia Saudita, vindo de Israel, EUA, países da NATO. Desde muito antes disto ter começado já por lá andavam todos os serviços secretos ocidentais e operacionais da Blackwater a treinar, a operar, a coordenar e por lá continuam. Treinaram mercenários na Líbia, Turquia, agora no Kosovo, às escâncaras.

      Mas o povo sírio resiste e não é só porque tem o apoio dos BRICS. É porque em primeiro lugar quer manter o seu país com as mesmas características. Mas também é porque tem com ele os BRICS e o seu apoio diplomático e comercial. A Síria não está sozinha perante a barbárie.

      • André Silva diz:

        Leo,

        …e apenas vens confirmar que o caso da Síria é complexo.

        • Leo diz:

          Sim é complexo para os sírios mas bestialmente simples de entender para quem defende que não deve haver ingerências nos assuntos internos dos sírios.

  6. André Silva diz:

    Enquanto isto, o resto da malta “de esquerda” entretém-se a malhar no KKE.

  7. Rocha diz:

    Realmente agora faziam falta os habituais paladinos da “oposição”/bando de mercenários sírios virem cá comentar.

    Curioso video. Nem uma única bandeira da oposição síria (a verde e preta, muito ao estilo da “nova” bandeira da Líbia, esse país que regressou ao feudalismo até nos símbolos).

    Só se vê bandeiras do regime pan-árabe, socialista árabe e bathista, entre os que estão a ser alvejados. Onde estarão as bandeiras opositoras/mercenárias? Será do lado dos que estão a disparar sobre a população?

  8. André diz:

    Patriotas sírios assassinados por terroristas.
    Inteiramente de acordo. Resta saber quem são os terroristas: os da oposição ou os do regime.
    Para o Bruno não há dúvidas, já que vê a situação a preto-e-branco, sendo a oposição a fonte de todo o mal, apenas mercenários ao serviço do imperialismo, estando do outro lado um regime democrático e tolerante, apenas se defendendo dos terroristas estrangeiros fanáticos.
    Diante das imagens, nem sequer lhe passa pela ideia que se possa tratar de ataques das tropas/milícias governamentais, sobretudo se forem mesmo imagens de Houla.

    • Bruno Carvalho diz:

      Que parte de eu condenar todo aquele que tenha executado o massacre é que você não compreende? De resto, o vídeo que postei é claro. Quem é alvejado é gente apoiante do governo que anda com a bandeira constitucional.

  9. De diz:

    Três dias após a colocação deste post corajoso e oportuno do Bruno, venho aqui com uma finalidade.O da denúncia de meios e métodos
    Por múltiplas vezes,em variados posts, a propósito de tudo e de nada, aparecem comentários escritos em que se refere explicitamente a Síria.
    A fuga ao tema em debate é um hábito por parte de alguns.E o recurso aos métodos sujos, para ocultar o essencial na altura, é apanágio de 2 ou 3 “comentadores”.
    Quem assim procede não pretende debater ou dialogar.Pretende sim agitar papões e chavões.E usa slogans replicados dos media e das centrais de comunicação do poder instituído.Usando métodos preconizados por essas mesmas agências de comunicação.

    A histeria das palavras que se tornam histéricas pelo histerismo nada inocente de quem produz os cenários e as notícias

    Entretanto quando a notícia é mesmo a Síria, estes “comentadores” desaprecem.Não em combate,mas sim porque o esclarecimento dos factos e a análise das situações nunca foi o objectivo de tal gente

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