1% para a cultura

A Direcção-Geral das Artes abriu concurso para “internacionalização das artes”, privilegiando acções em África, na América Latina, na Ásia e na Oceânia. Projectos de arquitectura, artes digitais, artes plásticas, “cruzamentos disciplinares”, dança, design, fotografia, música e teatro deverão mendigar por… 600 000€ – quanto custará a corte que Cavaco Silva levou a Timor?
Não é mistério que, ao longo dos últimos séculos da nossa história, as classes dominantes têm sistematicamente procurado destruir a actividade cultural. Temendo o seu potencial transformador, o actor cultural só é celebrado na hora da sua morte ou quando se perde por salões e comissões de honra do poder.
Contudo, 1400 caracteres não bastariam para listar sequer os casos de sucesso do último ano. Segundo o estudo de Augusto Mateus sobre o sector cultural e criativo, em 2010 este sucesso também tinha uma repercussão significativa na economia nacional, ao nível do PIB ou da criação de emprego.
A destruição metódica de toda e qualquer actividade cultural não festivaleira, a que o actual governo se tem prestado com particular vigor, só é compreensível à luz de um desprezo intersticial. Desprezo incontrolado, mesmo quando a UE anuncia a cultura e os sectores criativos como um dos centros do próximo Quadro Comunitário de Apoio, ao qual Portugal chegará com um sector desfeito pelas políticas da troika.
Um por cento do Orçamento de Estado para a cultura, como tem sido proposto pelos subscritores do “Manifesto em defesa da cultura”, não é apenas uma exigência de elementar justiça, mas um meio de criar emprego, crescimento sustentável e desenvolvimento económico.

Ontem, no i

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