A cantiga é uma arma. As palavras são as balas!

Não sou um margem sulista fanático. Gosto de cá estar. Habituei-me. Difícil é habituar-me a não estar cá. São as pessoas (sempre as pessoas), a proximidade das praias e do campo (poder escolher é bom) e mais. Muito mais.

Depois é isto. É, de vez em quando, aparecer um tipo que sabe o que diz e sabe o que faz. E sabe que estar do lado certo não é só no que à margem do rio diz respeito! E por falar em respeito… o meu respeito pelo Chullage cresce à medida que vou tendo notícias do que diz e, principalmente, do que faz!

Esta resposta à pergunta (oportuníssima) do Nuno Ramos de Almeida é paradigmática. É de alguém que sabe o que quer e sabe o que faz e por que razão o faz.

Não acha que apareceu fora de contexto numa campanha sobre o desperdício alimentar em que a canção dizia “o que eu não aproveito ao almoço e ao jantar/a ti deve dar jeito, temos que nos encontrar”, uma espécie de dar os restos aos pobrezinhos…

Não participei com esse intuito. Fui contactado por uma agência que me pediu para participar numa campanha contra o desperdício alimentar e eu concordo que não deve haver desperdício alimentar. Até por uma questão pessoal, estou desempregado há seis meses e se alguém me dá uns iogurtes, se eu tiver fome vou comer. A música transformou-se em algo, porque realmente a letra passa o contrário do que quer passar. Acredito que não foi escrita com esse propósito, de serem “os restinhos da minha mesa para ti”. Se fosse assim, não participaria. Mas é verdade que, quem não conhece a intenção dos autores, ao ouvir a letra pode ter a perspectiva de uma cena paternalista, até ofensiva para a pobreza das pessoas. Agora acho que há imenso desperdício. A pergunta que faço é: na Inglaterra, quando os supermercados deitam a comida fora, põem lixívia e amoníaco para impedir que as pessoas possam comer, gente que efectivamente tem fome, aquela esquerda histérica que saltou para cima da campanha está disposta a pôr amoníaco no problema das pessoas e continuar a mandar soluções para amanhã para os problemas de hoje?

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