EM MEU NOME NÃO! – Assim, vamos continuar assim.

Até agora o único registo realizado fora dos meios de comunicação tradicionais foi o do Tugaleaks, pelo que não é fácil perceber exactamente o que se passou na manifestação Rua Com Todos, que acabou com os manifestantes a serem identificados na Praça da Figueira, alguns detidos sem acusação formada e durante várias horas impedidos de falar com o seu advogado.

Na reportagem da SIC, porém, há uma associação espúria entre o que se passou nessa manifestação e os restantes conflitos que se têm registado com a polícia, quando a natureza foi substancialmente diferente. As imagens das sedes partidárias atacadas, sobretudo as que albergam partidos de esquerda, é de má memória para todos os que não prescindiram de pensar os contornos e as consequências da sua acção política.

Se nada justifica nova acção pidesca da polícia, que aproveitou para fichar mais uma parte do movimento de protesto, não se compreende nem se desculpa o carácter reaccionário duma manifestação que, também pela forma como foi divulgada, não augurava nada de bom. A destruição de propaganda dos partidos de esquerda (PCP, BE, MAS e MRPP), bem como de movimentos como a Primavera Global, associados à incapacidade de perceber que os partidos não são todos a mesma coisa, não obstante serem todos merecedores de criticas ferozes, é condenável sobre todos os pontos de vista.

A radicalização dos protestos, nomeadamente por via do ataque a instituições que são responsáveis pelo saque a que estamos sujeitos, é legítimo e dotado de grande significado político. O disparate de interpretar na rua os sonhos molhados do Correio da Manhã, está longe de ser um acto terrorista mas trata-se seguramente de uma provocação de mau gosto, tão infantil como perniciosa, que em nada reforça a luta política. Ao contrário do que poderiam parecer as intenções dos promotores, os seus actos colectivos prejudicaram a radicalização dos protestos e paradoxalmente credibilizam os partidos políticos que foram alvo do protesto.

De Coimbra chegam exemplos em que, sem publicidade, pré-anúncios e sectarismo face aos diferentes sectores da resistência, é possível usar a violência com mais de dois neurónios em funcionamento.

"Hoje houve um ataque concertado às agências bancárias da baixa da cidade. Várias agências apresentam hoje montras partidas, numa acção que parece claramente direccionada unicamente aos bancos. Amanhã teremos mais desenvolvimentos, os media locais já estão a "tomar conta da ocorrência"."

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