As ervas daninhas da Esquerda Livre

Ontem fui surpreendido com a exclusão de que fui alvo de um dos poucos grupos do Facebook a que ainda conseguia pertencer. Trata-se de um grupo com algumas peculiaridades (como o serão todos os que por ali andam). Surgiu por iniciativa de um núcleo (recente) do Bloco de Esquerda e que visava centrar a sua actividade principal nas freguesias da Sobreda da Caparica e da Charneca de Caparica (concelho de Almada). Dos seus seis administradores, cinco são do BE. O sexto (José Baltazar) não conheço e não sei dizer com certeza se será ou não militante do BE. O (único) elemento feminino da administração (nada paritária) foi membro da Mesa Nacional do BE, cargo que deverá ter reocupado recentemente, uma vez que foi candidata pelas listas da Ruptura/FER mas não acompanhou os elementos desta corrente quando estes decidiram abandonar o BE. Opções…

O Conselho de Administração da Política Vadia

Ora, acontece que os cinco elementos da administração do grupo, sendo do BE, foram também os impulsionadores de uma lista que se candidatou às eleições para a Coordenadora Concelhia do BE em Almada (2011/13). Todos foram, aliás, membros da lista ou seus subscritores (cito de memória). Dois foram eleitos e fazem parte da Coordenadora Concelhia. Eu fiz parte da outra lista concorrente. A lista A, que saiu vencedora elegendo nove elementos para a Coordenadora (entre os quais eu me incluo).

Sempre tive muitas objecções relativamente à dinamização de um grupo desta natureza por parte de um núcleo do BE. As minhas objecções foram ganhando volume à medida que o grupo se ia enchendo de membros (vai nos 2.571) e a dinamização, propriamente dita, desaparecia em função do crescimento. Tudo ali é/foi permitido. Ataques de natureza pessoal, propaganda fascista, perfis falsos… tudo! Mas o grupo de administradores foi-se mantendo fiel aos princípios fundadores do grupo e que lá estão bem expressos:

Este é um espaço de discussão de temas políticos aberto a tod@s quant@s nele queiram participar respeitosamente e com toda a urbanidade. Debater ideias é preciso! Bem vind@!

Nota: cada MEMBRO é RESPONSÁVEL pelo que escrever neste espaço!
Regras: Ninguém será eliminado, nem nenhuma publicação.

São palavras bonitas que, como sabemos, facilmente são transportadas pelo vento! E tocou-me a mim ser o alvo da expulsão que contraria a parte a negrito (destaque meu) do texto. E porquê? Depois de muito ponderar (3/4 minutos. Não foi preciso muito, afinal) cheguei à conclusão que se deveu a isto que a seguir reproduzo e que nega por completo o outro destaque (meu) no texto.

A conversa beneficiou de outros contributos que eu retirei por não serem determinantes. Os mais pacientes poderão lê-la, na íntegra, aqui. O grupo é aberto. Pouco depois da minha resposta fui jantar. Quando regressei ao computador (seriam umas 20h15) já não conseguia publicar no grupo.

Nada de muito grave sairia daqui… não fosse a conjugação de alguns factores. A saber:

  1. Que Esquerda Livre é esta que António Albergaria Samara defende e subscreve? É, pelo exemplo presente, uma esquerda livre… de contraditório! Livre de quem se lhe opõe! Uma «esquerda» que dentro do BE se bate por questões de democracia interna mas que nos espaços de debate que administra faz tábua rasa dos mais elementares princípios e valores democráticos e encontra na expulsão uma forma de silenciar uma voz que lhe faz frente!
  2. O António Albergaria Samara não é um cidadão qualquer. É Vice-Presidente do Conselho Geral da Ordem dos Advogados. É evidente que não está ali nessa qualidade, nem o exercício da sua actividade profissional está aqui, de maneira alguma, a ser posto em causa. Mas não se trata de um cidadão vulgar, quer queiramos quer não.

Quero que fique bem claro que o Manifesto para uma Esquerda Livre e os seus promotores nada têm a ver com isto. Esta é uma atitude isolada de um dos seus subscritores. Curioso não deixa de ser o facto de que um movimento cuja sigla pode ser MEL venha a ter no seu seio gente com tanto FEL!

Não posso, sequer, afirmar que foi o António Albergaria Samara a carregar no botão que me colocou para fora do grupo, mantendo-me o acesso ao que por lá se ia escrevendo e que não deixou de ser bonito. De repente, pessoas com as quais eu havia discutido ao longo das últimas semanas, algumas vezes de forma até bastante acalorada, levantaram o seu protesto contra esta atitude prepotente da administração de um dos seus espaços de debate.

A todos e a todas o meu mais sincero agradecimento por todos os gestos e palavras de solidariedade! Destaco um e pelo motivo mais prosaico. O seu autor foi um dos membros do grupo com quem mais discussões tive. E foi, também, dos primeiros a deixar bem patente o seu protesto perante a atitude prepotente de gente que não sabe que em política as opiniões esgrimem-se, não se silenciam!

Obrigado camarada Feliciano!

Aos membros da administração, fiz chegar uma mensagem de correio electrónico (aos cinco que conheço e que são do meu partido) que dizia o seguinte:

Camaradas, tendo em conta o que está a acontecer no grupo do Facebook que é dirigido por vós não seria de bom tom justificarem o que fizeram e o que vos levou a fazê-lo? Envio-vos este mail sem dele dar conhecimento a mais ninguém. Aguardo uma resposta da vossa parte que gostaria que fosse dada no mais curto espaço de tempo possível. Obrigado.

Até ao momento não obtive resposta.

De uma coisa eu tenho a certeza: a Esquerda que eu defendo e pela qual me bato dispensa perfeitamente a companhia de gente assim!

Há outras ervas daninhas para revelar e a elas me dedicarei mais adiante!

NOTA FINAL: deixo uma palavra final para o Joaquim Guerreiro e para o Luís Caras Altas. São eles que ocupam, neste momento, os lugares da lista B na Coordenadora de Almada do BE e pelo que conheço deles sei que não poderão ter pactuado com um gesto destes!

 

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