DESEMPREGADOS APELAM A MANIFESTAÇÃO PELO DIREITO AO TRABALHO – Do coiso do pastel de nata ao coiso do cupcake, andam descaradamente a gozar na cara dos desempregados.

O Ministério da Verdade já respondeu aos imbecis que acham que a falta de emprego se combate com empreendedorismo e não levará muito tempo até que voltemos às ruas do protesto.

Um grupo de desempregados está a preparar uma manifestação para o próximo dia 30 de Junho, que pode bem voltar às portas de São Bento, exigindo o direito ao trabalho e pleno emprego. Como se pode ver pelo excelente trabalho estatístico do MSE, as contas são fáceis de fazer ao minuto. O preço do desemprego, para lá do seu custo humano, está à vista.

Esta iniciativa, proposta inicialmente por um grupo de desempregados do Porto, será igualmente discutida depois da Flashmob do Movimento Sem Emprego, dia 28, no Centro de Emprego do Conde Redondo, e na Assembleia Popular da Plataforma 15 de Outubro, a 3 de Junho, no Rossio.

Proposta de manifesto da manifestação:

«O desemprego é um flagelo, queremos trabalho!»

“Cavaco Silva disse, há pouco tempo, que 10.000 euros por mês não lhe chegavam para as despesas. Miguel Relvas e Passos Coelho já afirmaram em público que os jovens só terão melhoria na sua vida se emigrarem, e insultaram os que ainda não o fizeram dizendo que «não querem sair da sua zona de conforto». Agora, Passos Coelho diz que «o desemprego é uma oportunidade para mudar de vida» e que não se deve «estigmatizar» um despedimento.

É notório o desrespeito dos membros do Governo, dos deputados da maioria, e do Presidente da República, em relação aos trabalhadores desempregados. Desrespeito que já vem de longe entre os partidos que nos governam: não esquecemos que José Sócrates assinou um memorando com a troika onde está escrito, preto no branco, que é preciso reduzir de 24 para 18 meses o tempo do subsídio de desemprego porque «a actual duração do subsídio não estimula a procura de trabalho»!

Os desempregados não são calaceiros. São as vítimas da política de PS, PSD e CDS, de há muitos anos, de destruição da economia nacional, destruição da protecção laboral, venda ao desbarato de empresas públicas, permissividade total aos negócios mais mirabolantes no sector privado – com o seu cortejo de falências, deslocalizações, despedimentos colectivos, «lay-offs» -, ausência absoluta de um modelo económico que não assente em trabalho barato e sem qualificações. Se há desemprego não é por culpa da falta de empreendedorismo, de proactividade, de dinâmica e espírito de iniciativa dos desempregados: é porque há a decisão política de não investir na economia. A decisão política de não qualificar os trabalhadores. A decisão política de não negociar em favor de Portugal junto da UE. A decisão política de prejudicar os trabalhadores e beneficiar o capital.

Porque rejeitam todas estas decisões políticas, e sobretudo porque sentem vivo repúdio por quem lhes destruiu o emprego e ainda os culpa por isso, os desempregados vão sair à rua em todo o país, convidando a juntar-se-lhes todos os partidos políticos, todos os sindicatos, todas as associações, todos os movimentos sociais, todos os colectivos, e todos aqueles que rejeitem esta política de insulto a quem não trabalha por decisão política dos partidos ao serviço do capital. O desemprego não é uma oportunidade: o desemprego é uma catástrofe nacional, cujos culpados não são os desempregados, nem os imigrantes, nem as conjunturas, nem as inevitabilidades: os culpados são os partidos cujas políticas criaram, maciçamente, o desemprego, e que têm ainda a suprema desfaçatez de atirarem a culpa para o agredido por eles!”

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